Henrique Amorim
O turista moderno não quer apenas viajar, conhecer os pontos turísticos do local visitado, alimentar-se bem em bons restaurantes, ir às compras e depois... fazer o quê? Atento ao perfil do turista que quer algo mais que o previsível em qualquer passeio, o Instituto Marca Brasil (IMB)—uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) premiada recentemente como empresa socialmente responsável e integrante da Organização Mundial do Turismo—está, em parceria com o Sebrae, conscientizando os empresários do setor turístico quanto à necessidade de atrair turistas com programas que garantam além do turismo propriamente dito, emoção e prazer ao visitante durante as atividades.
“O turista ao visitar qualquer lugar precisa se deliciar com alguma coisa que o marque. Em Teresópolis, me encantei com a imagem do Dedo de Deus ao avistá-lo da janela do carro. Decidi, então, fotografá-lo e, ao retornar, o símbolo postal estava todo encoberto por névoa. Surpreendi-me tanto com isso, um fenômeno absolutamente natural para quem mora lá, mas totalmente encantador para quem nunca viu. Fotografei assim mesmo e guardo essa imagem na memória”, observa a diretora superintendente do IMB, Daniela Bitencourt, que se reuniu essa semana em Nova Friburgo, no Sebrae, com empresários do ramo turístico local, secretaria municipal de Turismo, representantes dos circuitos turísticos em atividade e do Convention Bureau, a fim de conscientizá-los sobre a importância da criação de atrativos a mais para seduzir os turistas.
“Nova Friburgo tem muito mais que sua própria beleza natural e o polo de lingerie que por si só dá um toque fashion ao turismo local. Mas os empresários precisam seduzir os visitantes com suas próprias atrações”, complementa Daniela ao lançar no município a ação Tour da Experiência. O objetivo do encontro inicial foi conhecer um pouco do perfil do novo turista e organizar a oferta. Para tanto, a iniciativa conta com um grupo gestor e a captação de recursos do Sebrae nacional para investimento da capacitação dos empresários de turismo. A eles caberá difundir a união do setor em busca de uma identidade forte do município que será “vendida” aos turistas atraindo-os a subir a serra rumo à Suíça Brasileira. A gerente regional do Sebrae, Fernanda Gripp, também está otimista com a novidade, pois vê nela, uma chance de resgate da autoestima friburguense no pós-tragédia das chuvas de janeiro, revitalizando o turismo.
O IMB espera iniciar a prática do Tour da Experiência em Nova Friburgo ainda no primeiro semestre de 2012 convidando o visitante a experimentar um pouco da multicultura local advinda da colonização de povos europeus. Recentemente, em Petrópolis, o projeto investiu no apelo histórico do turismo com o vasto acervo da época do império presente naquele município. Dentre o roteiro de atrações está até um museu onde o responsável pela Casa do Ipiranga investe na interpretação de um personagem que revela a história pitoresca de seus próprios familiares. É a Velhota Cambalhota que agrada adultos e encanta crianças com sua performance teatral. “Qual o turista que não sai de lá satisfeito com a inovação e ao mesmo tempo adquire mais cultura? Turismo é isso. Tem que ser atrativo e completo”, sentencia Daniela, que já acompanhou, à frente do IMB, ações semelhantes na serra gaúcha, nos arredores de Porto Seguro (a chamada Costa do Descobrimento), Bonito-MT e Belém-PA, além de Petrópolis onde o turista desfruta ainda das rotas Sonho Imperial (circuito de prédios históricos) e Desbravadores com destaque para a riqueza cultural da região.
Ideia foi absorvida de teorias de autores internacionais
Assim que o projeto estiver pronto com o elenco de atividades turísticas de Nova Friburgo definido, o IMB vai investir também em ações de marketing para “vender” as atrações aos visitantes. Todas essas iniciativas foram baseadas num projeto que tem como referência as teorias de Rolf Jensen, a partir do seu livro The Dream Society (A Sociedade dos Sonhos) e Joseph Pine e James Gilmore, autor de Economia da Experiência. No projeto está evidenciado o desejo do turista de não querer ser mais apenas contemplativo, mas ator de sua própria experiência e, portanto, o protagonista de seus sonhos.

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