Toda a vez que chove forte na vila sede do 7º distrito do município de Nova Friburgo—São Pedro da Serra—, o abastecimento de água é cortado. O problema se arrasta há anos—ou melhor, desde criação da vila.
Em São Pedro da Serra não existe tratamento de esgoto nem tratamento e abastecimento de água tratada, própria ao consumo humano. Todas as vezes que chove o abastecimento existente é cortado. É isso mesmo: chove e o abastecimento é cortado—diferentemente de muitas outras localidades pelo Brasil afora, onde tem que chover para suprir os reservatórios de água e para que seja efetuado o tratamento e o abastecimento.
Moradores, proprietários de pousadas e restaurantes e a população em geral estão sendo seriamente prejudicados por ausência destes serviços e omissão das autoridades fiscalizadoras por solução.
Todos os anos, nesta época de alta estação para o setor turístico ocorrem chuvas e o risco para continuação da produção de alimentos isentos de contaminantes pelo setor agrícola instalado. Todos os negócios são prejudicados. Multiplicados agora, depois da forte recessão que o município atravessa após as chuvas catastróficas de janeiro passado.
O proprietário de restaurante e da loja de Moda Íntima em São Pedro da Serra e também presidente do Nova Friburgo Convention & Visitors Bureau regional, Dê, afirma:
“Todos somos sabedores do que estamos passando no ano de 2011 por conta das fortes chuvas do mês de janeiro passado. Todas as dificuldades financeiras que nossa região está passando para sustentar a produção e seu equilíbrio financeiro, baseada no turismo, o pequeno comércio e produção agrícola familiar. Com esta situação, restaurantes e pousadas são obrigado a fechar, a dispensar os seus hóspedes e impedidos de atender seus clientes. Como o visitante e o turista veem esta situação, como fica gravada esta imagem e a sua consequente repercussão? Já reclamamos sistematicamente a todos os responsáveis que mantêm esta situação. A quem mais vamos reclamar e apresentar nosso protesto pela manutenção desta situação? Com o agravamento desta forte recessão como poderemos manter nossos negócios e os empregos e as outras fontes de renda da população regional? Reclamamos a anos dessa situação e nada até o momento foi feito para normalizá-la. Temos tido sim durante estes últimos anos muitas promessas constantes de solução e até agora, nada.”
Impresso no verso de cada nota fiscal de cobrança da prestação destes serviços, a concessionária municipal, Águas de Nova Friburgo Ltda, cita detalhadamente os parâmetros de qualidade de água estabelecida legalmente a que o consumidor tem direito, conforme índices e percentuais de conformidade com a portaria 518 do Ministério da Saúde: turbidez, cor, cloro residual, coliformes totais, coliformes termotolerantes = 100%. E acrescenta: o direito creditório objeto deste boleto de cobrança foram cedidos fiduciariamente por Águas de Nova Friburgo Ltda. ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).
Outro problema consequente é o risco à Saúde Publica que a falta do tratamento da água e do esgoto pode representar como transmissor de doenças.
Águas de Nova Friburgo informa
“A catástrofe de janeiro deste ano alterou drasticamente a condição dos mananciais que, uma vez degradados, acarretam níveis cada vez mais altos de turbidez, o que impossibilita o tratamento da água bruta. Neste sentido, a Concessionária vem trabalhando na construção de reservatórios em São Pedro e Lumiar com autonomia para manter o abastecimento por até 24 horas de paralisação das Estações de Tratamento. Ademais, em função da condição atual da água bruta, que pode ocasionar paralisações superiores a 24 horas, no próximo ano Águas de Nova Friburgo executará obras de unidades adicionais de tratamento às Estações de Tratamento existentes, adequando-as à situação atual dos mananciais. A Concessionária informa ainda que a situação do abastecimento foi normalizada na tarde do último domingo.”
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