Henrique Amorim
Os friburguenses, assim como a maioria dos brasileiros, enfrentaram nos últimos 30 dias duas greves em setores importantes para o dia a dia: a dos Correios que dificultou a distribuição de correspondências e principalmente as cobranças de operadoras de telefonia, cartões de crédito e planos de saúde, obrigando a população a buscar segundas vias pela internet. Outra greve que alterou a rotina de muita gente foi a dos bancários, que impediu o pagamento de contas nas agências sobrecarregando as lotéricas. Os funcionários dos Correios voltaram à rotina semana passada após intervenção da Justiça do Trabalho no movimento grevista. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) fixou o reajuste da categoria em 6,8% que tenta agora por a grande demanda em dia. Os funcionários dos Correios pleiteavam piso base de R$ 1.635.
Ontem, 17, os bancários acataram em assembleia pela manhã 9% de reajuste proposto pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e decidiram voltar ao trabalho após 18 dias de paralisação. A categoria conseguiu na verdade 1,5% de aumento real elevando o piso base para R$ 1,9 mil—retroativo a 1º de setembro—mais adicional de participação nos lucros e resultados dos bancos de R$ 1,4 mil, auxílio refeição de R$ 19,78 por dia, cesta-alimentação de R$ 339,08 por mês mais uma adicional em dezembro no mesmo valor e auxílio-creche de R$ 284,85 para filhos de até seis anos. As informações são da Fenaban. Os bancários iniciaram a greve solicitando 12% de reajuste e os banqueiros insistiram até a semana passada na contraproposta de 8%.
Tanto o pessoal dos Correios como os bancários sustentam que a greve é a única forma de lutar pelo reajuste salarial, mesmo cientes dos prejuízos para a população. E você, leitor, concorda que só a greve pode servir de instrumento para as categorias conseguirem melhores salários? A VOZ DA SERRA foi às ruas saber o que a população acha disso. Confira.
“Essas greves prejudicaram muito a população em geral. Eu mesmo dependo muito dos Correios para enviar os quadros que pinto para o Rio, Niterói e São Paulo e me vi obrigado a deixar os clientes na mão devido à greve dos Correios. Quanto à greve dos bancários não tive prejuízos, pois normalmente já prefiro utilizar os caixas eletrônicos mesmo, mas independente disso não concordo com essas greves. Elas só prejudicam o povo. Os Correios e os bancos não saíram prejudicados em nada com esses movimentos. Quem faz greve prejudicando só o povo deveria ser punido.”
Paulo Henrique de Carvalho,
artista plástico, Centro
“Sou contra essas greves. As categorias têm que se unir e encontrar uma outra forma de pressionar as empresas, pois as paralisações acabam prejudicando muito a população. E o pior é que dessa vez o prejuízo foi bem maior, com os Correios e os bancários parados ao mesmo tempo. Eu mesmo sofri muitos prejuízos com contas em atraso e os bancos fechados. Infelizmente é o povo que acaba sempre pagando a conta”.
Lícínio José da Silva,
auditor fiscal aposentado, Centro –
“Essas greves que já viraram rotina acabam mesmo é prejudicando todo o povo, e dessa vez, duas ao mesmo tempo (Correios e bancários) criaram muita expectativa, pois a entrega de correspondências ficou bastante deficitária e deixou muita gente apreensiva. O resultado é que agora vem o prejuízo, pois muitas contas terão que ser pagas com multa. Para quem conseguiu segunda via, ainda bem que houve opções como as lotéricas, mas não deixa de ser um transtorno. Infelizmente, a greve é a única maneira das categorias conseguirem o mínimo de reajuste preciso.”
Gabriel Domingos, radialista,
Vila Amélia
“Fui muito prejudicado com essas greves que, até que enfim, acabaram. O pior é que as paralisações dos Correios e dos bancários aconteceram justamente na época de vencimento de contas. Muita gente teve que pagar em atraso e vai arcar com multas. Não concordo com as greves. No final das contas, elas só prejudicam mesmo é a população. Os grevistas e os patrões é que se beneficiam. Nós, o povo, sempre saímos perdendo, pois tivemos que buscar segundas vias de contas na internet e enfrentar filas nas lotéricas.”
Rogério Dias, operador de rádio e TV, Alto da Chácara do Paraíso
“O governo deveria proibir os trabalhadores de serviços essenciais fazer greve, pois quem paga o pato mesmo é a população. O próprio governo instituiu o salário mínimo em R$ 540 e geralmente quem faz greve são os trabalhadores dos setores com salários muito maiores. Os banqueiros mesmo devem rir das greves dos bancários, uma rotina, pois o faturamento dos bancos em nada é atingido. Eles querem é isso mesmo: que o povo use os caixas eletrônicos e garantam a movimentação financeira.”
Aurora de Andrade Castro,
advogada, Valão do Barro,
São Sebastião do Alto
“O povo brasileiro já está acostumado com as greves em todos os setores. O pior disso tudo é que as categorias, como os bancários, pessoal dos Correios e professores estaduais saem queimados após esses movimentos, pois prejudicam o povo para conseguirem reajustes mínimos. O pior é que o povo é penalizado duas vezes, pois se prejudica durante e depois das greves. Os serviços demoram a ser normalizados. Eu mesmo dependo do envio de correspondências para trabalhar e estou no prejuízo há quase dois meses. Meu sobrinho é aluno de escola do estado e ao invés de reposição das aulas perdidas, a escola promove gincanas aos sábados. É zombaria com a nossa cara.”
Heitor de Alencar Pinheiro Assis,
farmacêutico aposentado,
Nova Suíça

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