Nova Friburgo em estado de alerta para combater a dengue

segunda-feira, 10 de outubro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Eloir Perdigão

O prefeito Dermeval Barboza Moreira Neto e a secretária municipal de Saúde, Jamila Calil, assinaram o decreto número 174, de 28 de setembro passado, que institui em Nova Friburgo estado de alerta de combate à dengue. A VOZ DA SERRA entrevistou a secretária sobre o decreto e ela chamou a atenção para um detalhe: não adianta só o poder público agir, é necessário que todos os friburguenses façam a sua parte para evitar a doença, dedicando dez minutos por semana à prevenção. Principalmente até março do próximo ano, período de vigência do estado de alerta.

A VOZ DA SERRA – Por que foi assinado um decreto instituindo estado de alerta para combate à dengue se este trabalho já é desenvolvido o tempo todo?

JAMILA CALIL – Porque existe uma grande preocupação das autoridades em relação à dengue no próximo verão. A expectativa é de que realmente exista um aumento significativo dos casos de dengue em todo o Brasil. O Rio de Janeiro é um estado endêmico, com casos de dengue em todos os períodos do ano e epidemias importantes no verão.

AVS – Nova Friburgo, apesar de estar na Região Serrana, também tem problemas?

Jamila – Não existe mais essa ideia de que Nova Friburgo é fria e por conta disso o mosquito da dengue não se multiplica na serra. Esse conceito já caiu, até porque, Nova Friburgo não é mais tão fria e o mosquito já se desenvolve em climas não tão quentes. O que existe é um trabalho permanente em relação ao combate à dengue, como o combate a outras doenças. Para o próximo verão existe uma preocupação muito grande em relação à dengue. Não em relação ao mosquito propriamente dito, mas ao tipo do vírus da dengue: 1, 2, 3 e 4. Ao longo deste ano, principalmente nos primeiros meses, nós tivemos um aumento muito grande de casos confirmados de dengue em Nova Friburgo. Isto em função das chuvas de janeiro. Tínhamos vários reservatórios, locais ainda com acúmulo de água e isso foi favorável ao desenvolvimento do mosquito.

AVS – Os casos diminuíram no inverno?

Jamila – Diminuíram. É claro que esses registros são muito maiores no verão. Só que com uma característica: o tipo de vírus deste ano foi do tipo 1, menos agressivo. Além de todo o trabalho que foi feito para não haver óbito, para identificar o paciente o mais rápido possível, o tipo do vírus era mais brando. Só que para o próximo verão a expectativa é que se tenha realmente uma epidemia do vírus tipo 4, muito mais agressivo e que tem uma alta incidência da dengue hemorrágica. Por isso uma preocupação maior ainda.

AVS – Esse vírus tipo 4 chegaria a Nova Friburgo também?

Jamila – Não há como separar se um vírus de um tipo está num lugar e de outro tipo em outro. Quando há epidemia o aumento do número de casos se verifica em toda a região. São pessoas que trabalham no Rio de Janeiro, ou que vão passear na Região dos Lagos e essa movimentação de habitantes de um município para outro é que faz com que a doença não seja restrita a um só município.

AVS – Outros municípios também tiveram grande número de casos...

Jamila – No verão passado foi registrada uma incidência muito alta de casos em Cordeiro e Cantagalo. Então não há mais essa situação de que aqui não tem casos porque é frio, porque é na serra. Isso não existe mais.

AVS – E por que foi assinado o decreto?

Jamila – Porque houve um evento com a presença do vice-governador e do secretário de estado de Saúde. Foram convidados os prefeitos e secretários de Saúde dos 92 municípios e compareceram 51 prefeitos, porque realmente a preocupação dos prefeitos também é grande em relação ao combate à dengue.

AVS – A comunidade também dever participar...

Jamila – Sim. Isto é uma coisa muito importante. Foi mostrado que o combate à dengue não é de responsabilidade única e exclusiva do poder público. É uma responsabilidade de cada um de nós, de cada cidadão.

AVS – E o que cada cidadão pode fazer?

Jamila – Foi lançado um programa pelo governo do estado chamado “Dez minutos contra a dengue”. Isto porque em dez minutos, uma vez por semana, qualquer um de nós consegue fazer uma revisão na casa e verificar se tem água parada no pratinho da planta, numa garrafa, no jardim, num pneu, que possa ter mosquito. E o ciclo de multiplicação do mosquito é por semana. Então a campanha é para que cada um de nós tire dez minutos toda semana para dar uma olhada em toda a casa para ver se não há nenhum local propício à multiplicação do mosquito. Se a gente não fizer um esforço junto com toda a comunidade, com o poder público, todos juntos, a gente não vai conseguir combater o mosquito.

AVS – É uma prevenção para evitar a doença...

Jamila – É o que a gente fala: quando a questão da dengue chega à Secretaria de Saúde é porque todas as outras ações falharam.

AVS – Esse alerta tem prazo?

Jamila – Com o decreto a gente vai contratar mais profissionais para trabalhar no combate à dengue, que são os agentes sanitários, agora neste mês de outubro, para que sejam treinados e já possam entrar em campo, e o prazo do decreto vai até março, período em que a dengue é realmente um grande problema.

AVS – Então até março do ano que vem Nova Friburgo está em estado de alerta contra a dengue?

Jamila – Sim, estado de alerta contra a dengue. E a gente pede que cada um se preocupe com sua própria casa.

AVS – E quem conhece lugares suspeitos tem algum setor público para denunciar?

Jamila – O importante é que esse decreto permite que o poder público entre em lugares cheios de lixo, pneus, com água parada, que ninguém faz a limpeza, mesmo que estejam fechados ou se o proprietário não permitir, para promover a limpeza. Claro, munido de autorização. Mas o que a gente quer mostrar através desse decreto é a importância que todos nós devemos dar com relação à dengue; a importância que o prefeito e as autoridades municipais estão dando no combate à dengue; e as ações que muitas delas são facilitadas a partir do momento em que a cidade está em estado de alerta. Nós nos baseamos, nesse decreto, no modelo feito pelo município do Rio de Janeiro, por ser o maior da Região Metropolitana do estado e que tem os maiores problemas.

AVS – Mas há um local onde as pessoas possam se dirigir, ou um telefone para fazer denúncias ou obter mais informações?

Jamila – Nós temos a Divisão de Vigilância Ambiental (Rua Augusto Cardoso, 62, antigo posto de saúde, Centro), onde fica o quartel general de combate à dengue. O telefone é 2543-6293.

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