Ana Borges
Na sexta audiência aberta à população para participar dos debates sobre o orçamento da Secretaria de Educação para 2012, realizada semana passada na Câmara dos Vereadores, pais, professores, funcionários e lideranças de Duas Pedras, Floresta, Prado, Jardim Califórnia, Parque das Flores, São Jorge, Lazaretto, Alto do Catete, Parque Maria Tereza, Sítio dos Affonsos, Janela das Andorinhas e dos distritos de Conselheiro Paulino e Riograndina falaram de suas expectativas. Presentes também o vereador Marcos Medeiros e, representando o vereador Isaque Demani, a assessora Lígia Serrão.
Mais de 200 pessoas, ligadas direta ou indiretamente às escolas e creches desses distritos e bairros, dirigiram-se à equipe da Secretaria e à plateia presente à Câmara, que recebeu mais de mil pessoas desde o dia 4 de maio, quando aconteceu a primeira da série de oito audiências programadas. Na próxima semana, dia 22, haverá a penúltima sessão pública para discutir a política salarial dos professores, no Teatro Municipal. E na última quarta-feira deste mês, dia 29, o secretário Marcelo Verly, os subsecretários Raul Marcos e Larry Busquet, e equipe, apresentarão as demandas e colocarão em votação as prioridades para 2012. Ambas, das 18h às 21h.
Quem disse o quê
Jorge Leite, ex-vereador, pai de alunos (Duas Pedras): “A Escola Iza Saippa tem um sério problema em seu entorno relativo ao trânsito. Já sabemos que cabe ao DER tomar providências, mas peço ao secretário que ajude a resolver esse problema porque o tráfego ali é muito perigoso”.
Alessandra de Almeida, mãe de aluna (Prado): “Como a Jimdel está funcionando numa casa adaptada e atende crianças muito pequenas, gostaria de avisar que o muro é baixo demais. Isso deixa a gente insegura, porque qualquer pessoa pode pular e invadir a escola. Também gostaria de saber se existe um prazo para a escola voltar para a sede nova”.
Elisângela Ribeiro, mãe (Jardinlândia): “Precisamos de um telhado novo porque toda vez que chove entra água na escola e dá curto-circuito nas instalações. Tem uma casa abandonada na nossa comunidade que poderia ser aproveitada como creche que, aliás, foi prometida há muito tempo e até hoje não fizeram”.
Rundster Py, pai (Santo André): “Quando fiz a matrícula do meu filho ano passado, a escola era precária. Este ano, parece que a secretaria fez parceria com uma empresa — Verly esclareceu que a reforma foi feita pela Stam e aproveitou a ocasião para agradecer — e notamos uma grande diferença. Peço que esta reforma seja mantida para garantir o nível das instalações atuais”.
Tânia Sias, vice-presidente da Associação de Moradores (Jardim Califórnia) e representante da Creche Menino Jesus: “Às cinco e meia da tarde já está escuro e não tem luz do lado de fora da creche. Nesse frio e com chuva, fica complicado para as mães pegarem os filhos. As calçadas estão um horror, nem tem acesso direito à creche. A cobertura da sala de reunião está em péssimo estado e as crianças não podem ficar lá em dias de chuva. Nosso bairro cresceu, tem muitas confecções e indústrias, mas as escolas e creches continuam do mesmo tamanho, sem novas vagas”.
Vivian Gregório, funcionária (São Jorge) e representante das mães da Creche Adriano Freitas: “Nós estamos pedindo, com certa urgência, a reforma da nossa creche porque estamos em um espaço cedido pela Franz Haug, assim como a Creche Santa Terezinha. É tudo muito improvisado. Na antiga creche era tudo direitinho e perto das nossas casas”.
Hernani Raimundo, aluno do EJA (Floresta): “Precisamos de coisas básicas: a cozinha é precária, quando chove, inunda, e tem uma calha quebrada que joga água dentro das salas. Outro problema sério é a segurança. Precisa ter um guarda para proteger as professoras que saem tarde porque tem uma quadra lá meio abandonada que atrai gente estranha”.
Oséias Gonçalves, 1º secretário da Associação dos Moradores (Parque Maria Tereza): “Temos uma escola e uma creche e a associação tem sido parceira da Secretaria. Pedimos a construção de um muro de contenção porque a Defesa Civil interditou uma parte do pátio e isso atrapalha o recreio da criançada. O pátio tem pedras de brita e a poeira incomoda quem tem alergia. A solução é cimentar. Falta um refeitório, que funciona numa varanda pequena, e a cozinha é mínima”.
Tábata Rodrigues, mãe (Riograndina): “Depois que fizemos um cadastramento de crianças de seis meses a cinco anos, num total de 250, concluímos que nosso bairro precisa de uma creche. O secretário esteve no local e viu um terreno onde ela pode ser construída. Eu tenho um filho com distrofia muscular, que é cadeirante, e faltam rampas, que são fundamentais para atender os alunos que precisam se deslocar em cadeiras de roda”.
Fabiano Filho, professor (Parque das Flores): “Nossa escola foi fundada em 1986, passou por reforma em 1992, e só. Um espaço foi dividido em duas salas de aula, com 14m² cada, onde estudam 18 crianças numa, e 22, na outra. Elas têm que passar por dentro de uma sala para chegar à outra. Nosso mobiliário é antigo, mas na semana passada ganhamos carteiras novas, graças à doação. Mas o forro está caindo, tem cupim, e a caixa de esgoto vive transbordando”.
Ao final da audiência, Verly declarou: “Temos constatado, ao longo das audiências realizadas, que os problemas de infraestrutura física de nossas unidades, agravados pela interrupção das obras de recuperação que foram contratadas pela Emop junto a diversas empreiteiras, é um dos maiores problemas que enfrentamos hoje. Por isso, iniciamos procedimento licitatório visando contratar empresa especializada em manutenção, reparos, pequenas obras, pintura, entre outros serviços, que assegure a mudança desse quadro. Parte das obras será executada ainda esse ano, mas ainda teremos muito trabalho em 2012 para resgatar a qualidade física de nossas instalações que, infelizmente, vem deixando a desejar há muitos anos”.

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