Amine Silvares
Os professores da rede estadual de ensino decidiram manter a greve após votação na assembleia realizada no ginásio do Clube Municipal da Tijuca, na capital, durante a tarde desta terça, 14. Com adesão de cerca de 70% de professores de todo o estado, os profissionais pedem, dentre outras reivindicações, reajuste emergencial de 26% nos salários, a incorporação imediata da totalidade da gratificação do Nova Escola, que tem fim previsto para 2015, regulamentação dos animadores culturais e o descongelamento do plano de carreira dos funcionários administrativos da educação estadual, elaborado em 1989 e que até hoje não entrou em vigor.
Para a próxima sexta, 17, está marcada mais uma passeata em busca de reconhecimento da categoria. Mais uma vez, a movimentação partirá da Candelária e irá até a sede da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag), às 10h. Uma nova assembleia está marcada para segunda, 20, a partir das 14h, no mesmo ginásio, e o sindicato espera que o governo faça uma contraproposta antes da reunião. O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) informou através da sua assessoria de imprensa que “o culpado por uma greve longa será o governador”, já que, segundo o órgão, “o governo vem tratando com descaso todos os pleitos salariais desde o início do primeiro mandato do governador Sérgio Cabral, em 2007”.
Participação da comunidade é insatisfatória
A manifestação dos profissionais de ensino tem apoio de estudantes e pais. Em Nova Friburgo, alunos do Instituto de Educação de Nova Friburgo (Ienf) e Colégio Estadual Professor Jamil El-Jaick apoiam a movimentação e também organizaram uma paralisação. No entanto, os manifestantes reclamam da falta de apoio popular à causa. De acordo com alunos do Ienf, muitos acham que o protesto não passa de uma baderna e se recusam a assinar o abaixo-assinado localizado na frente do prédio da escola. “Eles dizem que estão sem os documentos, que apoiam a causa, mas que estão sem tempo de participar”, afirmou uma das estudantes. Enquanto isso, os professores da rede estadual de ensino continuam com um dos menores salários da classe no Brasil.

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