Este primeiro semestre da nova legislatura senatorial não tem sido das mais edificantes no que se refere ao comportamento dos membros da chamada Câmara Alta. Primeiro veio a revelação de que mais de uma dezena de senadores, que já exerceram a governança de seus estados, recebiam a aposentadorias referentes ao cargo, já julgadas ilegais pelo Supremo Tribunal Federal. Muitos dos apontados pela imprensa, envergonhados, desistiram do recebimento irregular, mas não faltou quem esperneasse e, apesar de homens de recursos havidos na vida política (ou talvez por causa dela), decidiram lutar pelo pagamento espúrio. Os salários oscilam pela casa dos 20 a 30 mil reais mensais, mesmo para aqueles que exerceram um mandato de quatro anos ou nem isso. O caso dos transitórios que foram “governadores” dias ou meses, no impedimento do titular, por serem os substitutos legais. Surgiram casos curiosos e até pitorescos como o da companheira do ex-governador Leonel Brizola, que governou o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, que recebia duas aposentadorias dos cofres estaduais, algo em tomo de 40 mil reais mensais, sem ter tido um único dia de trabalho em lugar algum.
Depois veio o episódio do senador Aécio Neves (PSDB-MG), flagrado na madrugada do Rio de Janeiro, dirigindo com a carteira vencida e que se negou a fazer o exame do bafômetro. Foi multado, teve a carteira apreendida e o carro recolhido. Da tribuna do senado apresentou desculpas pouco verossímeis mas recebeu a solidariedade de seus pares. A truculência do senador Roberto Requião que não gostou da pergunta de um jornalista e na violência tomou-lhe o gravador e ameaçou agredi-lo. Intimidado o repórter procurou a Polícia do Senado que, cheia de dedos, informou que não poderia fazer nada. O Sindicato dos Jornalistas (DF) e a ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão protestaram junto aos órgãos específicos do Senado e a reclamação vai dar em nada. Ficou apenas o gesto brutal e a impunidade de Requião.
Finalmente coroando os disparates senatoriais o presidente da casa, José Sarney, instalou a Comissão de Ética que, para pasmo geral, tem em seu quadro nada mais nada menos que 8 (mais de 50%) de senadores indiciados em processos” de moral já colocada em dúvida e de muito pouca ética segundo ações que se encontram no Supremo Tribunal Federal. O Senado da República se tornando mais hilário que a Câmara dos Deputados.
(*) Jornalista em Brasília

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