A educação brasileira contemporânea

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Há, no Brasil, uma inversão absurda de valores em relação ao profissional mais relevante para o desenvolvimento cultural e econômico do país: o professor.

Figura não respeitada, desvalorizada e brevemente, caso a política atual permaneça, escassa.

Muitos trabalham por vocação e amor ao ofício e outros tantos, dobrando, quintuplicando turnos, por pura necessidade.

Como estimular um profissional que luta sem perspectivas? Como melhorar e colocar a educação do país no topo, se o governo esquece que a raiz e o alicerce de tudo começa nele?

Já se constata os efeitos maléficos de tal postura governamental... Estamos crescendo economicamente, com potencial exponencial de gerar o tão sonhado desenvolvimento, mas nossa política educacional não acompanha. Estamos tendo que importar mão de obra porque não possuímos profissionais qualificados. Inconcebível!! Um país continental, com toda a conjuntura a favor do desenvolvimento, sem trabalhadores capacitados!

Ninguém está percebendo isso? As escolas técnicas tem sido uma válvula de escape, mas não solucionam a questão.

Como uma população de analfabetos funcionais se preparará e receberá o desenvolvimento? Como nosso país vai crescer sem educação, meu Deus?!

Sempre há tempo. Demorará uma geração, mas é possível. É perfeitamente possível.

Já ouvi debates políticos intensos acerca da questão. A desculpa é sempre a mesma...não cabe no orçamento, temos a lei de responsabilidade fiscal... Ora bolas!!! Basta ter vontade política real que há dinheiro de sobra para alicerçamos nosso país baseado na qualidade do ensino. Caramba! Quantos bancos falidos recebem socorro de bilhões para evitar impactos na economia? Quanto dinheiro do BNDES é usado para evitar falências?

Eis aí a questão, o professor não é, na visão imediatista dos governos, um profissional que cause impacto no desenvolvimento econômico do país. Ledo engano, grande erro, equívoco! Que talvez, quando for percebido, será tarde.

É na base que tudo se inicia com potencial promissor.

Definitivamente sem a valorização da educação, nosso desenvolvimento não vingará. Será um pseudodesenvolvimento. Seremos um país importador de mão de obra, com um povo analfabeto funcional que desempenhará funções menores.

Quando algum governo vai parar e discutir saídas reais, possíveis, justas, impactantes e sólidas em relação a essa questão? Por que não há interesse em reformular tudo, mudar de forma radical, com planejamentos efetivamente impactantes? Não há verba? Não...essa desculpa é simplista demais para convencer uma cidadã que deu a sorte de não se encaixar na qualificação da maioria de analfabetos funcionais. Educação, meus caros, gera além de renda e desenvolvimento, inteligência, cidadania, auto-estima, orgulho e cabeças pensantes. Sim! Cabeças pensantes. Muitos me dizem que talvez seja esse o medo dos governos: gerar cabeças pensantes. Mas não me convenço disso, também é simplista e pequeno demais pensar assim.

O que falta aos políticos é pararem de olhar para seus feudos e umbigos. A política brasileira, salvo raras exceções é excludente, previlegiadora da minoria mandante. “Para que mexer se pra mim está bom assim? “Esse é o pensamento que impera. Muitos deles são analfabetos funcionais e nem sabem. Cabeças vazias, ambiciosas, articuladoras do interesse próprio.

Precisamos de algum mártir? Precisamos de uma revolução? Como vamos mudar e impedir que viremos um país pseudodesenvolvido?

Podemos começar nas nossa comunidades, com exemplos de ações que efetivamente dêem resultados. Vir do pequeno para estimular e servir de exemplo para modificar em larga escala. É uma das soluções possíveis para aqueles que ainda acreditam na educação e se cansaram de esperar planos salvadores do governo federal. Usemos nossas comunidades para provar que é possível, façamos da nossa cidade um ponto de esperança, e mostremos que há muitos cidadãos que não desistiram de lutar, e à sua maneira, buscam soluções alternativas, efetivas e impactantes, para mostrar aos grandes que é possível, bastando ter interesse político e preocupação real com a educação dos nossos meninos. É o que podemos fazer. Não falo de estrutura ou estatística de número de alunos, mas em qualidade. Devemos estimular os profissionais, fornecendo qualificação, fazendo parcerias, buscando alternativas que gerem impacto e mostrando a eles a sua real importância, fazendo-os ter a auto-estima e o estímulo necessários para se transformarem no agente da mudança. Se o sonho é real, arregacemos as mangas e mostremos aos grandes que com vontade política e cidadania um grão de areia pode servir de exemplo para uma nação.

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