Nasci friburguense, em pequena rua que interliga a Avenida Rui Barbosa e a Alberto Braune, em julho de 1940 - se não me falha a memória, seu nome é Oliveira Botelho. Nunca, porém, morei na cidade.
Meus bisavós, suíços, estavam entre seus primeiros colonizadores – penso que fundadores: família Daflon.
Em 12 de janeiro deste ano estávamos fora do país e vimos na TV notícia superficial sobre o que aconteceu em Friburgo e no restante de nossa Região Serrana.
De retorno a Brasília, onde moramos e trabalhamos, tomamos ciência do que realmente aconteceu com nossa encantadora cidade e seu povo amigo.
Há anos escrevi poemas para minha cidade natal. Nunca os publiquei, todavia. Agora, sob a emoção decorrente de tudo o que vejo na internet, ouso encaminhar a este jornal para, ser publicado como singela e despretensiosa homenagem de um filho distante a esse heróico povo irmão.
Rogo a Deus que, muito breve, Friburgo volte a brilhar com toda sua envolvente beleza.
Paulo Cezar Vieira dos Santos
NOVA FRIBURGO
Paulo Cezar Vieira dos Santos
Lá, na serrana e charmosa Friburgo,
nessa cidade de encanto maior,
no berço amigo que embala os que vivem
coisas do belo – terra da flor;
onde montanhas de cumes velados,
tais sentinelas, vigiam do ar
e passarinhos, canoros artistas,
falam nas frondes do encanto de amar;
onde carícias de nuvens que passam
coam radiantes fiapos de sol;
onde o sussurro de brisa brejeira
chega ao crepúsculo, desde o arrebol;
onde o Bengalas escorre de manso,
se contorcendo a rolar pelo chão
e sons se perdem no fundo dos bosques
como suspiros de algum coração;
lá, nesse vale por entre montanhas
-no Velho Mundo deixando seu lar-
meus ancestrais fixaram seu sonho
de um paraíso na terra criar.

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