Padres foram incansáveis no socorro às vítimas da tragédia

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

José Duarte

A maior tragédia da Região Serrana começou na tarde de 11 de janeiro, quando um prédio caiu na Rua São Roque, em Olaria, e vitimou fatalmente duas pessoas. Até aquele momento ninguém podia mensurar o que estava por vir naquela noite e durante toda a madrugada de 12 de janeiro, pois oito horas de chuvas fortes devastaram a cidade de tal forma que ainda hoje sentimos a tristeza no semblante dos friburguenses.

Evidentemente que todo cristão, católico ou não, após a catástrofe, se posicionou em serviço de solidariedade e arregaçou as mangas no trabalho voluntário. Pessoas de todas as idades, cleros, posição social, profissão, friburguenses ou não, se envolveram num mutirão que salvou vidas, resgatou corpos, arrecadou donativos, auxiliou em hospitais etc.. Neste contexto, os religiosos tiveram uma atuação fundamental. Não cabem destaques a ninguém, pois o momento era, foi e ainda é de muita solidariedade e amor ao próximo, documento principal e um dos requisitos para todo aquele que deseja seguir a carreira sacerdotal. Mas cinco padres foram incansáveis: Flávio Vieira Jacques (Paróquia São Roque), Antonio Leão Ferreira (Paróquia São Francisco de Assis), Sergio Vitorino da Silva (Paróquia São Pedro e São Paulo, em Duas Pedras), Miguel Angel Marquiegui Zubiarrain, Paróquia Santa Terezinha, em Conselheiro Paulino), e Romivaldo José Reis de Azevedo (Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Riograndina).

Demonstrar sua fé e amor ao próximo no dia a dia dentro de suas igrejas já é normal para todos eles, mas temos que elogiar suas atitudes, e não poderia ser diferente: enfiaram o pé na lama, conseguiram doações, abrigaram pessoas em suas igrejas, prestaram auxílio e ainda vêm prestando, de todos os tipos, distribuíram doações e não faltaram com uma palavra de carinho. Sensibilizada com este ato de entrega sacerdotal, a comunidade destas cinco paróquias querem parabenizar os cinco representantes de Cristo.

Era comum ver o padre Leão usando bermuda e bota de borracha em várias partes da cidade, ajudando a todos. E ele foi um dos mais prejudicados, porque viu sua paróquia (São Francisco) receber 2,5 metros de água, perdeu as capelas de Santo Antônio e Santa Luzia, mas não perdeu a esperança de salvar o maior número de vidas. Padre Miguel, em Conselheiro, não foi diferente e ainda hoje tem dezenas de pessoas abrigadas em sua paróquia. Em Riograndina, um dos distritos atingidos, padre Romivaldo fez o possível e o impossível para manter seu povo unido diante de uma tragédia que matou mais de 50 pessoas no distrito. Na Paróquia São Roque, em Olaria, a menos atingida, padre Flávio não se contentou em ficar em casa e foi para as ruas dar sua contribuição, esteve em todos os lugares e ainda abrigou pessoas em sua casa. Por fim, o padre Miguel, em Conselheiro, colocou seu sacerdócio à disposição de tamanha tragédia e também abrigou pessoas, arrumou donativos, visitou famílias, ajudou a carregar e descarregar caminhões, enfim...

Por isso, há que se ressaltar o trabalho desses cinco padres da Diocese de Nova Friburgo, que deram exemplo para o mundo inteiro do que significa “Sacerdus in Eternus”. A Diocese está de parabéns por possuir padres como estes, que viveram o Evangelho de Cristo durante essa tragédia, acolhendo as ovelhas que naquele momento estavam perdidas e sem rumo.

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