Há um grito preso
Nas nuvens.
Prantos, orações,
Circulam pelo ar.
Um sol descontrolado
Levanta poeira
Todo mundo se fantasia
De máscaras
Não vai haver carnaval
Línguas podres
Descem encostas
Espaçando verdes
Desamparados
Cheiro de escuridão
Leve sabor de transformação
Nas ruas almas
Se arrastam
Buscando novos sentidos
Nos buracos que ficaram.
Como num filme de ficção
Cachorros, trapos e gatos
Procuram a vida
Na súplica do olhar.
Monstros devoram
O que sobrou
De um piano desdentado
Envelopes cheios de lama e sonhos
Levam a última lembrança.
Catadores de emoções
Fotografam a tragédia
E revelam o que pode existir
De mais vil na raça humana
Falta luz, comunicação,
Suporte, famílias, pessoas...
A natureza se encolhe
Num sábio silêncio
E estranha os homens
Teresa Mello

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