AVANTE NOVA FRIBURGO!

quarta-feira, 09 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra

Noite de terça-feira (onze) e madrugada de quarta (doze) de janeiro de dois mil e onze.

Na tranqüila Nova Friburgo, muitos de seus habitantes dormiam um sono calmo. Outros permaneciam acordados, assustados com o forte ruído dos trovões, a intensa claridade dos relâmpagos e o barulho ensurdecedor da torrencial chuva que caía implacável sobre a cidade.

Muitos oravam, clamavam e pediam a Deus a proteção para a população, que com certeza estava alarmada.

Percebendo o intenso perigo, pessoas saíam de suas casas e corriam transtornados pelas ruas, tentando atônitos, fugir da raivosa natureza enfurecida.

Encostas desabavam, florestas e matas deslizavam pelas montanhas, pedras rolavam descendo de seus cumes. Rios se alagavam invadindo casas, arrancando pontes e levando com violência e a força da correnteza, tudo o que encontrava pela frente, querendo retomar os seus cursos, antes invadidos, quem sabe? Pelo próprio homem.

Quando amanheceu, a cidade parecia com um cenário de filme de terror, ou semelhante a uma guerra. Uma verdadeira catástrofe! Faltava luz, água, telefonia, transporte e tudo mais.

Na bela e pitoresca cidade, era tudo um caos; lama, destroços, medo, insegurança, perdas, dor, feridos, mutilados e morte...

Foram dias de divagações, angústias, terror, desespero e depressão. Famílias perderam seus patrimônios: pequenos, médios ou grandes, mas conseguidos com luta, trabalho e sacrifício.

Muitas vidas foram ceifadas, corações enlutados, familiares e amigos desaparecidos e a dor estava visível no semblante da população.

Andando por vários locais da cidade, podemos constatar a grande alteração geográfica. Sua modificação está visivelmente acentuada em muitos pontos do município.

Boa parte das empresas que sustém a cidade, foram total ou parcialmente afetadas, o que além do prejuízo causado as mesmas, trouxe uma certa intranquilidade à população, que teme - entre outras coisas - o desemprego e, portanto, a instabilidade em suas vidas.

A solidariedade veio de várias partes, de diversos municípios e outros estados, mostrando o amor ao próximo, o apoio e a presteza que emana do coração dos brasileiros, e também de outros países deste globo terrestre.

As forças armadas se fizeram presentes através do Exército Nacional, da Marinha de Guerra, da Aeronáutica. O Corpo de Bombeiros, Policiais Militares e Civis, Poder Público, Poder Judiciário, voluntários, políticos, profissionais liberais, comerciantes, empresários, todos, sem exceção, se uniram em um trabalho, árduo, coeso, responsável e com muita bravura.

Helicópteros cortavam o céu da cidade num trabalho incansável na busca aos desaparecidos e o socorro as vítimas.

Voluntários saíam às ruas levando aos bairros atingidos ou não, sua preciosa ajuda, distribuíam água, roupas e mantimentos, para suprir a necessidade da população alarmada e consternada. Ajuda esta que trazia aos corações abalados o consolo e o alívio por estarem vivos e também não esquecidos, depois da grande tragédia que abalou a todos.

Aos poucos a cidade volta ao seu ritmo normal, falta ainda muita coisa a ser feita e reconstruída, para que quase tudo volte a ser como antes.

Que todos se unam, dêem as mãos e prossigam na trajetória, vire a página do livro desta triste e lamentável história, retomando suas vidas, em busca por um futuro promissor, com muita luta sim, mas alicerçados na fé por dias melhores, que certamente virão, com a proteção e as bênçãos do nosso Deus Altíssimo!

Resta aos sobreviventes e aos que passaram por momentos cruciais a certeza, a fé e a confiança no Altíssimo, que aos poucos, tudo ou quase tudo volta a ser como antes. Quando este triste episódio for lembrado, que seja como um terrível pesadelo; e que ao acordarmos, o alívio, e se possível, parte desta nefasta lembrança, dê a todos a força, a segurança e a vontade de prosseguir na caminhada , vislumbrando um horizonte de luz, esperança, progresso e paz na reconstrução da danificada cidade de Nova Friburgo.

Selma Lange

(Membro da Sociedade Cultural da

Colonização Alemã no Brasil - Núcleo de NF/RJ)

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