Pró-Memória:“A história de Nova Friburgo não pode sumir”

quarta-feira, 09 de fevereiro de 2011
por Jornal A Voz da Serra
Pró-Memória:“A história de Nova Friburgo não pode sumir”
Pró-Memória:“A história de Nova Friburgo não pode sumir”

Henrique Amorim

O fato do arquivo Pró-Memória de Nova Friburgo, que há cerca de dez anos funciona na Usina Cultura Energisa, na Rua Dante Laginestra 55, Centro, ter escapado ileso à enchente do último dia 12 de janeiro foi um verdadeiro milagre. Para o presidente da Fundação Dom João VI (curadora do Pró-Memória), Nelson Bohrer, o Guguti, não há outra explicação diante do nível da água que invadiu lojas, prédios e tudo ao redor. “Depois da forte tempestade, ainda sem saber a dimensão de toda a desgraça na cidade, me emocionei ao entrar no Pró-Memória, ainda no início daquela fatídica manhã, e constatar que, inexplicavelmente, a água que invadiu parte do prédio da Energisa não tinha atingido o Pró-Memória. Os documentos, pastas e arquivos acondicionados nas estantes e armários estavam intactos”, conta.

Imediatamente, Guguti removeu parte do acervo que se encontrava nas prateleiras das estantes próximas ao piso e em alguns armários para locais seguros, contra possíveis novas enchentes. A mudança emergencial inviabilizou a abertura do espaço ao público por tempo ainda indeterminado. As consultas, temporariamente, têm que ser feitas pela internet, no site www.djoaovi.com.br, onde já se encontram digitalizados cerca de 15% dos acervos dos jornais antigos de Nova Friburgo e uma infinidade de documentos, atas, registros e fotografias que contam a história do município. O portal já contabiliza mais de mil acessos. Esta semana o espaço foi dedetizado e o serviço de digitalização será brevemente retomado.

Por ironia, pouco antes da tragédia o Pró-Memória recebeu a doação de muitas edições antigas do extinto jornal A Paz, que somaram-se às mais de 750 mil páginas de jornais. Ao todo, o Pró-Memória de Nova Friburgo reúne mais de 1,5 milhão de itens, cuidadosamente catalogados e guardados, num espaço de 60 metros quadrados, com a refrigeração permanente de três ar condicionados e ainda a purificação do ar, com quatro desumidificadores, graciosamente cedidos pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira, do grupo Energisa.

Guguti pretende difundir uma campanha a fim de conseguir uma sede definitiva para o Pró-Memória, que já passou por outros espaços, inclusive na Prefeitura. “A história de Nova Friburgo precisa ser preservada. Não pode sumir. O apoio dispensado pela Energisa é impressionante, mas a memória de Nova Friburgo precisa ser preservada. O local onde estamos é um patrimônio, mas o Pró-Memória merece ter uma sede definitiva”, observa o chefe do órgão. Ele, inclusive, já se reuniu recentemente com a reitoria da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, para estudar a possibilidade de alguma parceria com a Fundação Dom João VI, quem sabe até projetando o Pró-Memória friburguense em nível estadual.

Do Pró-Memória ao Arquivo Público Municipal, um sonho que pode se transformar em realidade

Não só buscar um local definitivo para sediar o Pró-Memória, aproveitando o momento de reconstrução de Nova Friburgo pós-tragédia das chuvas, mas fazer do órgão muito mais que uma fonte de pesquisa sobre a história local. A intenção de Guguti é ainda criar o Arquivo Público Municipal, um pioneirismo para Nova Friburgo. Na semana que vem, inclusive, Guguti vai se reunir com o presidente do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e do Conselho Nacional de Arquivos Públicos, Paulo Quinaud, que demonstrou interesse em digitalizar os acervos do arquivo estadual, a exemplo do que já vem sendo feito no Pró-Memória de Nova Friburgo. Paulo já tem até recursos da Unesco para a empreitada.

“Quem sabe uma nova parceria pode surgir com a Fundação Dom João VI, com a garantia de maior visibilidade para o Pró-Memória. “São com oportunidades deste tipo que podem surgir parcerias e apoios para conseguirmos a sede definitiva do Pró-Memória, que pode orgulhar-se por ter um dos acervos mais importantes e completos da história de Nova Friburgo e do estado”, conclui Guguti.

Tecnologia da digitalização de acervos históricos é um exemplo para o mundo

Desde o ano passado, com a criação da Fundação Dom João VI, Nova Friburgo deu um passo à frente. Desde então, teve início a digitalização das primeiras edições dos jornais do município, inclusive A VOZ DA SERRA. Com isso, os internautas têm ao alcance um sistema diferenciado de busca pelos principais acontecimentos que ajudaram a escrever a história do município até aqui. Para pesquisar determinado assunto ou notícia, basta digitar uma referência no item a ser pesquisado e o sistema informa automaticamente a relação completa das edições do jornal nas quais constam informações sobre o assunto desejado.

Ao selecionar a edição a ser pesquisada, o internauta é informado em qual página está a reportagem procurada. Ao chegar à página, o texto procurado é selecionado e a leitura pode ser feita em alta resolução. O resultado é fruto de uma tecnologia avançada, difundida pela empresa friburguense de informática Syb Projetos e a Fundação Dom João VI. Atualmente só o jornal The Times, de Londres, possui um sistema semelhante de busca de seu acervo na internet, mas o sistema do periódico inglês só seleciona a página onde o assunto a ser pesquisado está, tendo o internauta que procurar pela notícia, como se estivesse com uma edição impressa nas mãos.

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