“Foi um milagre”. Esta foi a afirmação emocionada de pelo menos 12 homens do Corpo de Bombeiros, inclusive o comandante da corporação, tenente-coronel João Paulo Mori, que conseguiram resgatar Simone Silva, 42 anos, da forte correnteza do Rio Grande, no distrito de Riograndina, na segunda-feira, 27. Ela era uma das ocupantes do Chevette cinza, placa LHE 9199, que caiu de uma ponte de concreto a seis metros de altura, na Rua Valentim Cantelmo, próximo à Usina Xavier, da concessionária de energia elétrica Energisa. O acidente aconteceu por volta das 14h30 e foi presenciado por moradores do local, que acionaram os bombeiros. O carro foi carregado pela correnteza por aproximadamente dez metros, em meio a pedras, até se chocar num banco de areia.
O motorista Joelson Francisco de Oliveira, 31 anos, e Franciele Souza dos Santos, 18 anos, conseguiram escapar pelo para-brisa do veículo, que estourou sob as águas, a mais de dois metros de profundidade. Os dois foram resgatados pelos bombeiros, que desceram as corredeiras do rio com botes e cordas. O salvamento foi dificultado ainda por um forte temporal, que fez o nível do Rio Grande subir rapidamente, impedindo até mesmo o fechamento das comportas de uma represa. O Chevette foi içado das águas com cordas, numa operação também de grande dificuldade.
Enquanto isso, parte da equipe percorreu trechos do Rio Grande à procura de Simone. Pouco depois das 19h, moradores próximos à margem avistaram a mulher sendo carregada pelas águas, e chamaram os bombeiros, que já se preparavam para retornar ao quartel. “Não acreditávamos mais que ela ainda estivesse viva. O rio continuava muito alto, com água muito barrenta e a visibilidade muito ruim, devido à chuva e ao anoitecer. Não avistávamos mais sequer as pedras. Essa mulher conseguiu nascer de novo. Sem saber nadar, ela se agarrou num galho de bambu e depois num pedaço de madeira, e milagrosamente a correnteza a levou para próximo da outra margem do rio sem bater a cabeça nas pedras”, disse o tenente Valentim.
O bombeiro não conteve as lágrimas junto com a equipe ao retirar Simone do leito de aproximadamente 30 metros de largura, apenas com alguns arranhões nos braços. Ao ser salva, a mulher desmaiou. Ela foi medicada no Hospital Municipal Raul Sertã e liberada em seguida. A equipe do 6º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM) que participou da operação (comandante Mori, tenente Valentim, sargentos Jardim, Moreira, Gravino e Eccard, cabo Varol e os soldados Eller, Erlen, Kroff e Freitas) definiu o salvamento como um dos mais marcantes da história da corporação militar em Nova Friburgo.
Mulher encontrada morta em matagal próximo ao Cardinot
Cavouqueiro disse que foi sequestrado com a vítima por um grupo desconhecido
Os detetives do núcleo de homicídios da 151ª DP estão sem pistas dos assassinos de uma mulher, ainda não identificada, que trajava roupas masculinas, encontrada morta na manhã de segunda-feira, 27, num terreno baldio da Avenida Floresta, na localidade conhecida como Ponte Preta, próximo à entrada do bairro Cardinot. De acordo com o depoimento do cavouqueiro Lair Motta Leal, 46 anos, a desconhecida foi sequestrada com ele por pelo menos quatro homens, que os renderam, de madrugada, na saída de um bar, no bairro Olaria.
Lair disse ainda que saiu do bar embriagado e a tal mulher lhe pediu um cigarro. Devido ao fato de a desconhecida estar usando roupas masculinas, Lair garantiu que, inicialmente, chegou a pensar que era um rapaz. Ao chegar próximo do seu Gol branco, placa CLG 5226, Lair e a mulher não identificada foram abordados pelo grupo, que os obrigou a entrar na mala do veículo. Um dos bandidos assumiu a direção e percorreu várias ruas, inclusive passando por quebra-molas, em alta velocidade.
De acordo com o depoimento de Lair, os criminosos pararam o carro e abriram a mala num local deserto, discutiram com a mulher e a mandaram “ficar quieta”, pois iriam matá-la. Em seguida fugiram correndo, deixando o cavouqueiro para trás com o carro. Ele disse aos policiais que devido à viagem na mala do carro ficou tonto e, com dificuldade, caminhou até uma fábrica de cofres para pedir socorro a uma recepcionista, que acionou o 11º BPM. Quando os policiais chegaram, se depararam com o corpo da mulher, já sem vida. Lair, porém, sustenta não saber como a desconhecida foi morta, já que não ouviu disparos de arma. O Gol foi apreendido na 151ª DP e Lair deverá ser convocado a prestar novas declarações. Para a polícia, o crime ainda é um mistério.

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