O jornalista Aristélio Andrade, que faleceu em março deste ano, após lutar contra um câncer, foi homenageado post morten recentemente pela Comissão Nacional dos Anistiados da Petrobras (Conape). A instituição inaugurou no último dia 17 seu auditório, na sede, no Rio de Janeiro, que leva o nome do saudoso profissional da imprensa e que por muitos anos emprestou seu talento também para A VOZ DA SERRA, com a coluna Entre Linhas. A inauguração do espaço contou com a presença da viúva de Aristélio, Marly Gomes de Andrade, sua companheira há mais de quatro décadas, e com quem teve os filhos Alexandre e Sylas.
O presidente da Conape, Abelardo Rosa, e o conselheiro da instituição, Antônio Canavarro, ressaltaram durante a solenidade de inauguração do auditório o companheirismo, empreendedorismo e dedicação de Aristélio, que por muitos anos trabalhou na Petrobras e, devido ao seu engajamento político, foi perseguido pelo regime militar na década de 1970 e detido no Presídio Frei Caneca. Após aquele período, Aristélio passou a se dedicar ao jornalismo, no qual descobriu seu talento, tornando-se, inclusive, um dos profissionais mais respeitados da imprensa brasileira.
No Rio de Janeiro, Aristélio trabalhou nos jornais dos Sports, Correio da Manhã e nas sucursais de O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, assim como em O Globo. Depois, em São Paulo, atuou como redator em revistas da Editora Abril, entre elas, Realidade e a enciclopédia Conhecer. Um dos grandes destaques da carreira de Aristélio na imprensa foi a fundação da Revista Placar, junto com Maurício Azêdo, José Trajano e outros amigos.
Após uma trajetória de sucesso em São Paulo, de volta ao Rio de Janeiro Aristélio integrou a equipe da extinta Rede Manchete. Dois anos depois regressou à Petrobras, mas, com a eleição de Fernando Collor à presidência da República, em 1990, pediu demissão e se mudou para Nova Friburgo, onde dirigiu o departamento de jornalismo da antiga TV Serramar, atual InterTV. Empreendedor, abriu o restaurante japonês Kyori, no Cônego, tendo sido precursor deste gênero gastronômico na cidade.
Aristélio também se engajou na diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Filiou-se à Associação Friburguense de Imprensa (AFI) e também foi membro da Academia Friburguense de Letras (AFL). Em 2004 Aristélio se candidatou a prefeito de Nova Friburgo pelo PCB, conquistando oito mil votos (7% da votação). O saudoso colega era natural de Timbaúba, interior de Pernambuco.
Ele veio para o Rio de Janeiro com sua família aos 3 anos de idade. Começou seus estudos no Instituto Teológico Adventista (atual Colégio Petropolitano de Ensino), mais tarde cursou contabilidade, trabalhando durante o dia na Casa Turuna, no Rio de Janeiro. Depois que se formou, contraiu tuberculose e foi morar em São José dos Campos (SP). Um ano depois, já com a doença controlada, entrou para o Centro Tecnológico da Aeronáutica. Em seguida se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual nunca se afastou e se orgulhava por ser um comunista ferrenho.

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