A nossa hora do petróleo e gás

terça-feira, 21 de dezembro de 2010
por Jornal A Voz da Serra

Estamos num momento promissor para a produção de petróleo no Brasil, o que irá colocar o Brasil, em alguns anos, em uma posição de destaque no mundo, com reservas extremamente favoráveis no cenário internacional. Essas reservas abrem para o nosso mercado interno muitas possibilidades e uma demanda continuada para a indústria nacional, que possui enorme potencial para ser explorado. Nenhum país do mundo tem essas possibilidades pela frente: reservas crescentes e o mercado em ebulição. Desde o lançamento do Prominp, o cenário de petróleo e gás – P&G –vem se modificando, e o Brasil vem a cada ano surpreendendo com novas descobertas, como: Pré-sal, que quintuplicou nossas reservas e irá criar mecanismos para a exploração desta riqueza, gerando mais riqueza para o Brasil, com o trabalho de nacionalização da indústria para fornecer à cadeia de P&G. Este potencial que se apresenta no país precisa ser convertido para o desenvolvimento, gerando também a ampliação da geração de emprego e renda e aumentando a nacionalização da indústria P&G. Neste caso, o Prominp é o fórum de discussões mais adequado para as empresas participarem, onde acontecerão parcerias, discussão de problemas, apresentação de projetos, parcerias entre governos e indústrias na melhoria de soluções com referência a impostos, infraestrutura, portos, transportes e outras soluções que dependam de um entendimento para a melhoria da indústria nacional. Existe uma expressão no Prominp que é: “Tudo que pode ser feito no Brasil tem que ser feito no Brasil”, mas para isso as empresas têm que participar mais deste programa. Mas por outro lado, a indústria tem que mapear o que ainda não é feito no Brasil, para diminuir o gargalo da indústria e para conseguir desenvolver novos produtos, através de associações com empresas estrangeiras e definitivamente chegar ao mais próximo dos 100% de nacionalização da nossa indústria do P&G. Desta forma poderemos compartilhar as riquezas do petróleo com todos os brasileiros.

Os investimentos para os próximos anos na área de P&G no Brasil demandarão uma mão de obra especializada para toda essa área. Para toda essa necessidade, o Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – pretende, além de potencializar o desenvolvimento da indústria nacional, incentivar a formação de cerca de 212 mil trabalhadores, entre 2010 e 2014.

Com investimentos oriundos de financiadores como a Petrobras e do FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador, cerca de aproximadamente R$ 550 milhões serão canalizados para a formação de mão de obra. Todos os cursos abertos pelo Prominp são gratuitos e para todos os níveis profissionais: básico, médio, técnico e superior. Desde 2006 já foram abertas cerca de 78 mil vagas dentro deste programa de qualificação da Petrobras. Todos os cursos estão sendo desenvolvidos e vinculados aos empreendimentos do setor de P&G. No caso do Estado do Rio de Janeiro, a mão de obra está voltada à construção naval e ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj – e outras plantas ligadas ao P&G. Em cada época existe uma demanda específica de mão de obra para trabalhadores, no nosso Estado vai haver a demanda para a construção civil, nos estaleiros a construção de cascos de plataforma e navios petroleiros vão ser de engenheiros, técnicos, soldadores, pintores, eletricistas e um número sem par de outras atividades.

O objetivo do Prominp é fixar o trabalhador na sua localidade para atender a demanda da região, desenvolvendo mais cada polo com pessoas da região. O Estado do Rio de Janeiro está numa área de pleno desenvolvimento na área do P&G, o que vai crescer por muitos anos a demanda de mão de obra, gerando mais empregos e qualificação de mão de obra especializada, tornando as regiões mais prósperas e com oportunidade para todos, além do efeito renda para a região. A grande sacada do Prominp está sendo trabalhar para o aumento da participação da indústria brasileira nos projetos da área de P&G, e os números são animadores. Em 2003 a participação nacional era de 57% e hoje já estamos na casa de 75% de nacionalização. Esse e um índice médio, dentro de várias áreas da cadeia do P&G, desde a exploração, transporte, plataformas, refino, petroquímica e navios, entre um mundo de outras possibilidades. Mas existe na prestação de serviços e fornecedores de bens ainda um espaço para aumentar a participação nacional.

Uma ótima ferramenta para aumentar esta participação do mercado nacional para o trabalho na cadeia de P&G é o cadastro no site do Prominp (www.prominp.com.br), em que os interessados podem inscrever suas empresas, apresentar seus produtos e mostrar seus serviços. Já existe cerca de 4 mil empresas cadastradas e 50 mil profissionais inscritos no portal.

Já para a nossa cidade precisamos acordar para este mercado que é crescente e haverá oportunidades a curto, médio e longo prazo. Precisamos nos reunir e elaborar uma estratégia para mostrar o que temos de serviços e produtos. Além dos cursos de capacitação e de qualificação de mão de obra, contando com apoio do sistema S e de outros mecanismos de ensino. Estamos estrategicamente distante de Macaé, Rio de Janeiro, Angra dos Reis e do futuro polo petroquímico do Comperj. Além de outras cidades que já estão se mobilizando como Maricá e São Gonçalo, já estão em fase início de construção de seus estaleiros, sem contar com São João da Barra, que esta construindo o Porto do Açu, que levará um outro polo de exportação de produtos, fábrica de automóveis elétricos, além de um polo eletrônico na área de informática. Todos estes exemplos nos remete que estamos perdendo tempo podemos ser um ótimo formador de mão de obra, prestadores de serviço, turismo de negócios e uma infinidade de possibilidades que unidos poderemos traçar um futuro melhor.

Estive em Caxias do Sul, no polo metal-mecânico, e tive a oportunidade fazer visitas técnicas no Grupo Voges, o terceiro maior empregador, perdendo para a Marcopolo com 11 mil funcionários e para a Randon com 6 mil. Quem nos recebeu na porta do centro recreativo e futura fundição do grupo Voges foi o diretor-presidente, o sr. Osvaldo Voges, um jovem presidente que mostrou que a simplicidade mostra porque é um dos maiores fabricantes de motores elétricos do país que atende com pequenos motores residenciais até gigantes motores para usinas de cana de açúcar a área do P&G, nestas oportunidades as empresas que visitam podem ver onde se pode fazer parceria e onde, como fornecedor, pode-se melhorar.

Este sétimo encontro foi muito interessante para toda a cadeia produtiva que reuniu quatro grupos de trabalho que se dividiram assim: GT Emprego e Qualificação Profissional; GT Fatores Exógenos da Competitividade da Cadeia de Suprimento de Bens & Serviços; GT Adequação do Parque Supridor Nacional e Infraestrutura Fabril; GT Meio Ambiente. 

No grupo de Meio Ambiente, de que eu participei, foram expostos os resultados de 2010 e se traçou as metas para 2011. Em paralelo, o grupo de Adequação do Parque Supridor Nacional focou a discussão sobre o Desenvolvimento Tecnológico Industrial. As propostas atendem as principais carências, especialmente no que se refere ao processo de desenvolvimento tecnológico e a inovação. O líder deste grupo foi o sr. João Mariano representante do IBP - Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis.

Neste encontro, o que tornou a nossa participação viável foram os seguintes parceiros: Águas de Nova Friburgo, Rota 116, Cea-Centro de Educação Ambiental que e vinculada EBMA - Empresa Brasileira de Meio Ambiente e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Nova Friburgo/RJ.

Paulo Roberto de Souza

Coordenador da Agenda21 Local de

Nova Friburgo - Executiva estadual

Agenda21 Serrana + Comperj

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