Amine Silvares
O tema mais comentado nos últimos anos é o aquecimento global. Em todo o mundo pode-se sentir o efeito das mudanças climáticas nas últimas décadas, com muito mais intensidade do que o esperado. O aquecimento do planeta, acontecimento influenciado por forças externas (variações nas atividades solares), internas (El Niño, La Niña) e atividade humana é observado desde o século XIX e acelerou devido às emissões de gás carbônico, o CO2, na atmosfera terrestre, que causa o efeito estufa. Na prática, o aquecimento global se caracteriza como o aumento da temperatura dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra, aumentando a sensação térmica. Os fortes tufões, furacões, tornados e chuvas que vêm sendo registrados ao redor do mundo são causados por um aumento de apenas 0,5° C na temperatura dos oceanos, mares e ar atmosférico. Apesar das temperaturas estarem aumentando, um sintoma comum são temperaturas bastante baixas, criando um ciclo de extremos, suprimindo as temperaturas amenas, principalmente em lugares como Nova Friburgo. Se há 40 anos geava na cidade, este é um fenômeno que desapareceu nos anos seguintes.
De acordo com especialistas, a temperatura do planeta deve aumentar bastante até 2100, derretendo geleiras e elevando, ainda mais, o nível dos mares e oceanos. Ilhas localizadas no Oceano Pacífico estão sendo esvaziadas, já que correm o risco de desaparecer nas próximas décadas. O problema acarreta outras consequências, como o remanejamento da população, com uma série de empecilhos burocráticos. A Austrália tem recebido muitos imigrantes, mas o país já avisou que não pode receber todos e exigiu uma atitude da comunidade internacional.
Outro grande fator que já vem sendo apontado há muitos anos como decisivo para o aquecimento global é o buraco na camada de ozônio, que permite a penetração de raios ultravioleta UV-B com maior intensidade na Terra. Uma das consequências notadas por esta destruição é a maior incidência de câncer de pele em pessoas que vivem perto dos buracos, como na Austrália e em certos países da América do Sul. No Brasil, pesquisadores alertaram que, entre 1996 e 1997, a densidade da camada de ozônio teria diminuído cerca de 40% em cima do Nordeste.
Ao observar a realidade brasileira, pode-se notar que o problema é sério. As chuvas estão cada vez mais fortes e é comum ouvir nos noticiários que “choveu em poucas horas o esperado para todo o mês”. No Nordeste, ou chove demais ou tudo seca. Até no Norte do país, rios permanentes estão virando intermitentes. No Sul, furacões e pequenos tornados têm surgido com frequência, destruindo plantações e casas, causando prejuízos de milhões de reais. No Sudeste e Centro-Oeste, a temperatura média vem aumentando a cada ano. Até mesmo Nova Friburgo tem sofrido as consequências, basta notar os invernos e verões dos últimos anos. O verão chega mais cedo e as temperaturas são mais altas que as de costume. É o aquecimento global subindo a serra.
Uma das formas de combater o efeito estufa, um dos grandes responsáveis pelo aquecimento global, é a implementação de energias mais limpas e renováveis. Os biocombustíveis, as energias eólica e solar são algumas das alternativas criadas para substituir os combustíveis de carvão e derivados do petróleo. Mesmo sendo mais caras, é mais barato investir em formas mais limpas de energia do que limpar a sujeira deixada pelas outras.
Há pouco tempo, a Organização das Nações Unidas (ONU) liberou um relatório afirmando que o buraco na camada de ozônio parou de expandir, o que pode ser considerado um enorme sucesso. Não é de hoje que o mundo vem tentando remediar seus problemas, ao invés de preveni-los. Já se falava em consciência ambiental na década de 60, mas, como os grandes adeptos eram hippies, e eram amplamente marginalizados, muito do que foi falado acabou se perdendo ao longo dos anos. O movimento ambientalista voltou a ganhar força em meados da década de 80, com o acidente da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. No Brasil, durante a Eco 92, realizada no Rio de Janeiro, foi criada a Agenda 21, adotada por diversos países para amenizar as consequências das ações humanas no meio ambiente. Mas, será que é muito pouco, muito tarde? Como diria o comediante e crítico norte-americano George Carlin, quem precisa ser salva é a humanidade. O planeta vai continuar a existir depois que nossa espécie for extinta.
Pequenas ações podem fazer toda a diferença
SEPARE – separar o lixo é importante, pois nem todo lixo pode ser descartado da mesma forma. Pilhas e baterias, por exemplo, são altamente contaminadores e possuem coleta própria.
RECICLE – o óleo de cozinha deve ser separado e não jogado no ralo da pia, como fazem muitas donas de casa. Garrafas pet e latinhas podem virar outros objetos. Várias empresas recolhem os restos para transformá-los e reaproveitá-los.
REUTILIZE – dos potes de sorvete que não vão diretamente para o lixo, passando pelo material de demolição reaproveitado de construções que já não existem mais, todo tipo de material pode ser reaproveitado, basta saber qual a melhor aplicação para cada material.
FISCALIZE – para saber se as pequenas atitudes estão obtendo resultados, é necessário que a população fiscalize a ação de empresas e governo em relação às políticas ambientais. Como estão sendo aplicados recursos? O que está sendo feito para acabar com o desperdício e abuso de matérias-primas? Quais as punições para quem infringe a legislação?
Documentários que ajudam a compreender a crise climática
A Corporação (The Corporation, 2003)
Polêmico documentário canadense que expõe a natureza das grandes corporações. A exploração da força de trabalho e do meio ambiente, patenteação do DNA, fraudes contábeis visando somente o lucro são algumas das denúncias do longa-metragem.
Uma Verdade Inconveniente (An Inconvinient Truth, 2006)
Al Gore mostra ao mundo uma faceta então desconhecida: defensor da natureza. Nesse documentário, o ex-candidato à presidência americana apresenta evidências do derretimento das calotas polares, aumento do nível dos oceanos e as consequências políticas, econômicas e sociais das catástrofes ambientais.
Para entender melhor as mudanças climáticas, é preciso saber o que é:
Efeito Estufa – uma parte do calor emitido pelo Sol fica na Terra, permitindo o surgimento de condições necessárias para a manutenção da vida, enquanto outra parte é devolvida para o espaço. No entanto, alguns gases emitidos por fábricas e outros equipamentos prende o calor, aumentando as temperaturas do planeta.
El Niño - Fenômeno natural que altera, significativamente, a distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Pacífico, elevando-a em várias regiões. Os efeitos no clima são profundos e sentidos por todo planeta. No Sudeste do Brasil, o El Niño pode causar um aumento drástico nas temperaturas. No sul, temperaturas sobem e chuvas ficam mais frequentes e fortes. No Norte e no Nordeste, as secas se tornam mais intensas, favorecendo os incêndios florestais na floresta amazônica. Dura de 12 a 18 meses.
La Niña - Resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico, alterando a climatização global. Pode ser intensa a ponto de levar frentes frias para o Norte e Nordeste do Brasil, causando fortes chuvas no verão e invernos áridos no Sul do país. Chega a durar dois anos.
Protocolo de Quioto - Tratado internacional assinado por 175 países que se comprometeram em reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa. 55% dos países responsáveis por 55% das emissões dos gases tiveram que ratificar o acordo para que ele pudesse entrar em vigor. O último país a fazer parte foi a Rússia, em novembro de 2004, fazendo-o vigorar em fevereiro de 2005. Os países signatários tem até 2012 para diminuir em 5,2% suas emissões, para cumprir a primeira parte do acordo.
Agenda 21 - Criado durante a Eco 92, no Rio de Janeiro, o documento cria uma série de diretrizes para que os países possam crescer de forma sustentável, com ações conciliadores de proteção econômica, social e ambiental. Originalmente, 175 países assinaram um acordo para respeitar as condições da Agenda.

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