Diagnosticar e combater as doenças típicas da maturidade antes que elas se desenvolvam é uma prática fundamental para garantir longevidade e qualidade de vida. Além dos exames que devem fazer parte do check-up anual dos idosos, como diabetes, colesterol e hipertensão, o exame de espirometria vem sendo cada vez mais recomendado pelos pneumologistas. O teste é simples e fundamental para detectar a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), responsável pela morte de 37 mil brasileiros por ano.
Causada pela inalação de substâncias tóxicas, principalmente as do cigarro, a DPOC afeta principalmente adultos com mais de 40 anos e é uma enfermidade progressiva bastante comum na terceira idade. Além da tosse, produção de catarro e falta de ar, uma das complicações da doença é a limitação das atividades diárias. “Os sintomas, muitas vezes, são confundidos com o processo de envelhecimento. Por isso é importantíssimo que o idoso, principalmente fumante ou ex-fumante, na presença de sintomas respiratórios, inclua na avaliação anual exames que detectem o problema, para que ele possa ser tratado adequadamente”, explica a médica Jaquelina Ota, pneumologista e presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
O exame de espirometria, conhecido como teste do sopro, permite o registro do volume e do fluxo do ar que entra e sai dos pulmões. O paciente conecta a boca ao tubo do aparelho, chamado espirômetro, enche totalmente os pulmões de ar e depois assopra com vigor, até esvaziá-los. O teste ainda pode auxiliar no diagnóstico de doenças como asma, fibrose pulmonar, fibrose cística ou sarcoidose. O exame é rápido e indolor.
Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor a resposta ao tratamento. Apesar de a DPOC não ter cura, ela pode ser controlada e os sintomas, tratados. O diagnóstico precoce da enfermidade é vital para o tratamento, já que quanto mais avançado seu estágio, mais sintomas e maior a dependência dos portadores.
Pacientes acima de 60 anos que não foram diagnosticados precocemente tendem a apresentar quadros mais graves com crises e internações frequentes. “Não subestimar os sintomas e procurar orientação médica são atitudes fundamentais para que o paciente possa amadurecer com saúde”, alerta a pneumologista.
Dentre os tratamentos medicamentosos recomendados pelo Consenso Brasileiro de DPOC, estão os broncodilatadores inaláveis de longa duração, como o brometo de tiotrópio, anticolinérgico desenvolvido exclusivamente para o tratamento da enfermidade. Com apenas uma dose diária, o medicamento controla os sintomas por um período de 24 horas, o que reduz a necessidade de medidas paliativas. O brometo de tiotrópio age no controle do diâmetro das vias aéreas e proporciona um tratamento global, aumentando a resistência do paciente a exercícios e reduzindo a ocorrência de crises, comuns aos portadores da doença.
Além da mudança de hábitos, como deixar de fumar, é importante que o portador de DPOC inclua o tratamento em sua rotina, feito com medicação específica e reabilitação pulmonar, para, assim, combater a progressão da doença.
Fumantes e ex-fumantes devem redobrar a atenção, diz pneumologista friburguense
O médico pneumologista friburguense Thiers Marques Monteiro Filho concorda em parte com a informação da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). Enfatiza a necessidade do exame de espirometria para fumantes e ex-fumantes. Já os assintomáticos não precisam fazê-lo. Este exame não deve ser feito de forma generalizada.
De acordo com dr. Thiers, o exame serve para avaliação funcional, isto é, para saber como os pulmões estão funcionando. É indicado para os fumantes e os sintomáticos crônicos, bem com no período pré-operatório dos pacientes de cirurgias como a de redução de estômago.
O exame de espirometria também é empregado para demonstrar o comprometimento pulmonar em obesos, é um parâmetro excelente de acompanhamento evolutivo de doenças pulmonares. No entanto, é para alguns segmentos de pacientes e não para todos. Dr. Thiers frisa que o candidato número um ao exame é o paciente sintomático crônico, aquele no período pré-operatório, e fumantes, como medida preventiva.
O pneumologista é categórico em afirmar que quem não está sentindo nada não tem necessidade de fazer o exame, mesmo que tenha mais de 40 anos ou seja idoso. “Mas todo tabagista deve fazer o exame, em qualquer idade”, reafirma. O médico também alerta que o exame de espirometria é recomendado para profissionais sujeitos à poluição, como poeira, pedreira e outros.
Dr. Thiers lembra que o exame de espirometria não deve ser feito aleatoriamente ou de forma generalizada, e que somente o médico deve solicitá-lo. Por fim, em caso de dúvida, o médico pneumologista deve ser consultado.

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