Editorial - Bebidas à parte

quinta-feira, 24 de junho de 2010
por Jornal A Voz da Serra

O BRASILEIRO está bebendo acima dos limites. Como mostrou pesquisa do Ministério da Saúde em âmbito nacional, a proporção de pessoas que declaram consumir álcool abusivamente cresceu de 16,2% da população, em 2006, para 18,9%, no ano de 2009. Nada a comemorar sobre esta preocupante estatística, que também está associada à violência, a acidentes de trânsito e a doenças diversas.

A PESQUISA ‘Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas’ mostra, também, que a Lei Seca, que reduziu a zero a tolerância entre álcool e direção, contribuiu para reduzir significativamente as mortes no trânsito. Após dois anos de vigência da legislação, as mortes, no Brasil, caíram 6,2% no período de 12 meses quando comparado aos 12 meses anteriores à lei. Menos 2.302 mortes em todo o país, reduzindo o total de óbitos causados pelo uso de álcool no trânsito.

A IMPRUDÊNCIA tem sido o maior fator dos acidentes, gerando uma onda de violência preocupante. A velocidade, conjugada com a bebida, não dá certo. E não adianta a fiscalização nas estradas, pois a mesma é insuficiente para coibir a combinação. Apesar de tudo, a Polícia Rodoviária Federal aponta um aumento dessas infrações. Resultado: mais acidentes, mais vítimas.

POR CONTA da irresponsabilidade de alguns, não se pode afirmar com segurança que retornaremos para os lares ao fim do dia. Isto vale para o trabalhador, o estudante ou o idoso. A imprudência atinge não apenas os motoristas, e hoje milhares de pessoas terminam vitimadas pelo erro dos outros.

PARA que os números diminuam, será necessário um choque de conscientização para o grave problema do trânsito. A Autran, que iniciou uma severa campanha contra os infratores, também deve se preocupar com a educação do trânsito, com campanhas elucidativas e esclarecedoras, mas, acima de tudo, que façam o motorista compreender que o volante pode ser o seu aliado. Ou o seu inimigo.

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