Cervejas de Friburgo, Friburgo Brau, Suspiro e Germania

sábado, 31 de julho de 2010

Na primeira metade do século XIX, a cerveja consumida no Brasil era importada da Inglaterra. Com a chegada de imigrantes alemães ao Brasil nesse período, o país passa a ganhar suas primeiras fábricas de cerveja. Na colônia alemã de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, fundada em 1826, os alemães importaram o lúpulo e abriram uma fábrica de cerveja, sendo talvez uma das primeiras do Brasil. Além dos primeiros colonos alemães que migraram para Friburgo em 1824, Nova Friburgo recebeu em 1892, 703 imigrantes alemães do total de 1.421 que imigraram para a região serrana.

É possível que Albano Beauclair tenha vindo neste grupo. E é a partir de então que se inicia a história da cerveja Friburgo Brau. O sr. Albano Beauclair abre em 1893, uma fábrica e cervejaria em Friburgo, a Cervejaria Beauclair, possivelmente em razão da excelente e notória qualidade da água de Friburgo, conhecida até mesmo por suas características medicinais. Situada à margem do Rio Santo Antonio, atual Rua Mac-Nivem, era um importante espaço de sociabilidade na cidade.

A fábrica de cerveja Beauclair importara todos os aparelhos da Alemanha, onde produzia em média 22 mil garrafas mensalmente. Possuía ainda uma sofisticada máquina de lavar garrafas e outra que experimentava a resistência das mesmas, à base de gás de ácido carbônico. Para o verão, utilizava um resfriador Patent de Neubecker, um engenhoso aparelho para manter a cerveja sempre geladinha. A cervejaria Beauclair adotava o sistema de Munich não só quanto ao maquinário, como no processo de fabricação. O Sr. Albano de Beauclair tinha o diploma de mestre fabricante de cerveja, conferido pela Escola de Cervejaria de Worms, localizado na Alemanha. A fábrica produzia a famosa e saborosa cerveja Friburgo Brau, um produto especial da casa exportada para outras regiões, sendo considerada uma das melhores cervejas nacionais.

A Friburgo Brau era muito exaltada nos jornais e um dos orgulhos da cidade. O jornal descreve a Cervejaria Beauclair como “um sítio aprazível, onde a natureza traja sempre galas”, o que seria, na verdade, um Biergarten. O conceito de cervejaria que se difundira no século XIX, as denominadas Biergarten, eram locais situados em áreas arborizadas, com jardins, normalmente próximos a um rio, onde se espalhavam mesas e bancos de madeira.

Nestes locais, cada um levava seu próprio farnel ou refeição e consumia a cerveja vendida no local. Atualmente, na Baviera, a exemplo de Munique, as Biergarten conservam a mesma tradição de outrora. No entanto, já fornecem refeição aos frequentadores. Logo, a Cervejaria Beauclair aproximava-se desse conceito de Biergarten. Em 1907, Albano Beauclair arrendou a fábrica a Bernardo Dias e companhia, mas continuou a prestar seus serviços. Ao que parece o sr. Beauclair falecera neste mesmo ano. O novo proprietário mudou o nome para Fábrica de Cerveja Germânia. Neste período, a Cervejaria Germânia já possuía diversas máquinas de pasteurização, lavagem das garrafas, arrolhamento, etc.

A cerveja Germânia era descrita como de cor topázio, de espuma argêntea e “aurivibrante”. As garrafas tinham rótulos litografados em letras art noveau com o nome de Germânia, impresso em tinta vermelha. Já se providenciava a substituição das rolhas de cortiça, presas a arame, por outras do sistema teutonia.

Outra cerveja produzida em Friburgo no final do século XIX foi a Cerveja Suspiro, de propriedade de Gonçalves & Bastos que exportava igualmente para vários pontos do estado. Ainda uma vez foi a natureza que privilegiou Friburgo, pois foi a qualidade de suas águas que gerou a indústria da cerveja local.

Como se dizia à época sobre as águas de Friburgo: “Fazia lenir as dores dos que sofriam e até mesmo ressuscitava os quase-mortos.” Mas também rendeu aos nossos antepassados uma boa cervejinha gelada.

Fonte: Centro de Documentação Pró-Memória. Janaína Botelho é professora de História do Direito da Candido Mendes, autora do livro O Cotidiano de Nova Friburgo no Final do Século XIX.

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Janaína Botelho

História e Memória

A professora e autora Janaína Botelho assina História e Memória de Nova Friburgo, todas as quintas, onde divide com os leitores de AVS os resultados de sua intensa pesquisa sobre os costumes e comportamentos da cidade e região desde o século XVIII.

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