Vacinação contra HPV: só metade da meta é atingida

Procura pela vacina ainda é baixa. No 'Dia D' da campanha, somente 161 meninas compareceram aos postos de saúde de Nova Friburgo
sexta-feira, 24 de abril de 2015
por Jornal A Voz da Serra
Adesão à vacina contra o vírus do câncer do colo do útero também é fraca em Friburgo (Amanda Tinoco/A Voz da Serra)
Adesão à vacina contra o vírus do câncer do colo do útero também é fraca em Friburgo (Amanda Tinoco/A Voz da Serra)

No último dia 11, sábado, foi realizada em Nova Friburgo mais uma campanha de vacinação contra o vírus HPV — o principal responsável pelo câncer de colo do útero. O dia destinado à vacinação contra o HPV foi realizado nos postos de saúde Ariosto Bento de Mello, no Cordoeira; Copertino Nogueira, em São Geraldo; Waldir Costa, em Conselheiro Paulino; Tunney Kassuga, em Olaria; e Sylvio Henrique Braune, no Centro. 

O esquema vacinal contra o HPV é dividido em três doses da vacina — sendo a segunda, seis meses após a primeira, e a terceira, cinco anos após a primeira. A expectativa era de que pelo menos 80% do número total de meninas entre 9 e 11 anos fosse vacinado. No entanto, segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde do município, Fabíola Braz, a meta ainda não foi atingida. Na última campanha, 161 doses foram aplicadas, um número que representa 50% da meta que pretendem atingir. Este ano, o Ministério da Saúde também busca a vacinação de adolescentes e mulheres HIV positivas de 14 a 26 anos de idade, considerando que as complicações decorrentes do HPV ocorrem com mais frequência em pacientes portadoras de HIV.

A vacina estará disponível também nos postos da rede pública durante todo o ano como parte da rotina de imunização. Ainda segundo Fabíola Braz, a campanha é realizada para incentivar as meninas a se conscientizarem e procurarem pela vacina. 

Sobre o HPV

O HPV — papilomavírus humano — é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo. Com mais de cem variações do vírus, estima-se que 50% da população sexualmente ativa já tenha sido infectada por algum tipo de HPV — embora o preservativo ofereça proteção efetiva, é possível que a transmissão ocorra mesmo com seu uso, uma vez que o parceiro pode ter verrugas na parte externa dos genitais e na área com pelos, regiões que não são cobertas pelo preservativo, e acabar transmitindo o vírus. Mas esse fato, obviamente, não exclui o uso da camisinha, pois sem ela as pessoas ficam mais expostas ao HPV e a outras doenças sexualmente transmissíveis.

Com a intenção de evitar futuras contaminações pelos vírus, o Ministério da Saúde do Brasil adotou mais uma medida preventiva que deve ser somada ao uso do preservativo e ao exame de papanicolaou: a campanha de vacinação contra o HPV, iniciada no dia 10 de março de 2014. O ministério também conseguiu negociar e comprar a vacina pelo preço mais baixo do mundo: cada dose saiu por R$30. Como são três, cada menina gera um gasto de R$ 90 para o governo, que oferece gratuitamente as três doses. Mesmo não sendo um valor baixo, o preço está muito mais em conta do que o oferecido pela rede privada, que chega a cobrar R$1.500 pelas três doses.

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