O cenário econômico desfavorável do país já começou a gerar reflexos nas cidades do interior. Prova disso é o estudo divulgado pelo Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) no início da semana. A Sondagem Econômica Regional teve a participação de empresas de 13 municípios atendidos pela Representação Regional Firjan/Cirj Centro-Norte Fluminense — Nova Friburgo, Bom Jardim, Cantagalo, Cordeiro, Duas Barras, Sumidouro e Teresópolis — e apontou queda da atividade produtiva na região nos primeiros três meses deste ano. Com dados que variam de zero a cem pontos para cada indicador analisado, onde valores abaixo de 50 indicam piora ou redução e acima de 50 representam melhora ou aumento, o estudo poderá servir de alerta para alguns setores.
De acordo com os empresários entrevistados para a pesquisa, a “Situação Financeira” é a pior desde o segundo trimestre de 2014 com índice de 36,8, já a “Margem de Lucro” registrou o menor patamar desde 2007. O “Acesso ao Crédito” também está sentindo os efeitos da combinação entre o aumento das taxas de juros e a redução da oferta de crédito, já que apresentou o nível mais baixo dos últimos três anos.
No mesmo caminho estão os indicadores de “Volume de Produção” e “Volume de Emprego”, com 47,7 e 42,7 pontos respectivamente, representando recuo no primeiro trimestre. Na contramão das quedas, o indicador “Estoques” aumentou, ficando com 51,4 pontos — dentro do planejado pelos industriais (50,4).
Em consequência a esses resultados negativos, para os próximos seis meses os entrevistados esperam menor “Demanda por produtos” — na faixa dos 48,7 pontos — e projetam redução do “Número de empregados” e da “Compra de Matérias-primas”, com 41,8 e 45,1 pontos respectivamente.
Menos postos de trabalho em 2015
Com tantos índices em baixa, os postos de trabalho também passam por uma fase ruim. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a queda da atividade econômica na região Centro-Norte fluminense gerou retração de 563 vagas de emprego. Segundo análise realizada pelo Sistema Firjan, dos 13 municípios pesquisados, 11 apresentaram mais demissões do que contratações, com destaque para Teresópolis (-130 pontos). Todos os grandes setores registraram saldo negativo nesta área, exceto a Agropecuária, com 59 pontos, apresentando discreto avanço.
No setor de Serviços o saldo negativo também foi observado com menos 40 pontos no primeiro trimestre de 2015. Os piores índices foram das cidades de Bom Jardim (-33) e Teresópolis (-32). Em contrapartida, Nova Friburgo teve o maior saldo positivo, com 40 pontos.
A Indústria da região fechou o período com a extinção de 109 postos de trabalho. Teresópolis esteve novamente entre os primeiros colocados do ranking, desta vez, exercendo a maior influência negativa (-118). Novamente em sentido oposto, Nova Friburgo registrou o maior saldo positivo da região (121), graças, principalmente, às contratações na indústria Metalúrgica (211). A Construção Civil também teve retração nos postos de trabalho com -95. Cantagalo registrou o pior resultado (-60) e Teresópolis (79), o melhor.
Com o pior saldo da região no primeiro trimestre do ano ficou o setor do comércio. Apenas os municípios de Bom Jardim e Duas Barras tiveram saldo positivo nas contratações, sete e quatro respectivamente. Neste caso, Nova Friburgo ficou com a pior colocação, com menos 185 pontos, seguido de Teresópolis, com menos 116.
Presidente da CDL e Sincomércio aponta receio do consumidor
De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Nova Friburgo, Bráulio Rezende, a retração do primeiro trimestre pode ser atribuída a diversos fatores, entre eles a divulgação de números que indicam uma crise econômica duradoura no país. Ele revela que os meses de março e abril foram difíceis para o comércio da cidade, com impacto negativo no nível de emprego. Mas observa que, em maio, o setor começa a dar sinais de recuperação.
“Taxas de juros altas e redução de financiamentos levaram ao baixo movimento no comércio e deixaram o consumidor receoso em contrair dívidas. O ramo de veículos, por exemplo, teve forte queda nas vendas. Além disso, enfrentamos no Brasil graves crises moral e política, que assustam a população. Mas já percebemos uma pequena mudança no comércio nos primeiros dias de maio e esperamos que, daqui para frente, a economia volte a se fortalecer”, assinala Bráulio Rezende.

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