Caso Camila: motorista de ônibus presta depoimento à polícia

Laudo da necropsia feita no corpo de Camila deve ser divulgado ainda nesta semana
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
por Jornal A Voz da Serra

A Polícia Civil ouviu segunda-feira, 25, à noite, em depoimento, o motorista da empresa Friburgo Auto Ônibus (Faol) que viu a jovem Camila de Castro, 23 anos, na Praça Getúlio Vargas por volta das 5h30 de domingo, 24, após ela ter deixado uma casa noturna perto dali. Camila foi socorrida por bombeiros e levada para o Hospital Municipal Raul Sertã com grave lesão na região genital e intenso sangramento. A jovem não resistiu aos ferimentos e morreu. Segundo a polícia, o motorista disse que dirigia um coletivo da linha Centro-Cascatinha quando percebeu que a jovem cambaleava junto ao meio-fio da praça em frente a uma churrascaria. Após passar pelo local, o motorista ao observar o retrovisor direito do ônibus achou estranho não avistar mais a jovem. 

"Foi aí que ele (o motorista) parou o ônibus e desceu para ver o que acontecera e constatou que a jovem estava caída junto à faixa de rolamento da praça. O motorista, então, acionou a PM e seguiu viagem”, disse ontem, 26, um policial. O conteúdo total do depoimento, no entanto, não foi divulgado pela 151ªDP. Camila teve fratura na bacia e nos tornozelos, o que, para a polícia, reforça a hipótese de atropelamento. A jovem foi socorrida por uma equipe de resgate do Corpo de Bombeiros acionada pela PM e no momento que ela foi removida para a ambulância UTI móvel teve o sangramento na região genital. 

A possibilidade de violência sexual, no entanto, não é descartada, mas é tida como a menos provável para a polícia, já que a vítima estava vestida e não tinha demais marcas de violência no corpo. Essa possibilidade, entretanto, foi amplamente ventilada em redes sociais e na internet. "Ter tido a bacia e os tornozelos quebrados evidenciam bem a vítima pode sim ter sido atingida por um veículo de grande porte”, suspeitou ontem outro policial. O laudo da necropsia realizada no corpo de Camila é aguardado para ainda esta semana. 

O motorista do ônibus, de 34 anos, foi liberado após o depoimento, mas poderá ser indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), caso seja comprovado que ele atropelou a jovem na praça. A polícia também já solicitou à casa noturna onde Camila esteve as fitas de monitoramento interno para tentar identificar quem esteve com ela. A investigação deve ser concluída na 151ªDP em até 30 dias.

Jovem tinha boa conduta e era bastante querida pelos colegas de trabalho 

A polícia apurou também que Camila fora à casa noturna na noite de sábado, 23, em companhia de duas amigas e um rapaz e por volta das 3h30 de domingo seus acompanhantes decidiram ir embora e a chamaram, mas ela decidiu permanecer na festa, onde consumira bebida alcoólica, em companhia de um rapaz que conhecera lá. Ao se despedir dos amigos, Camila teria dito que o tal rapaz que conhecera iria levá-la para casa no bairro Catarcione. A jovem trabalhava em uma lanchonete na Avenida Alberto Braune, em frente à Prefeitura, e tinha conduta simples. Natural de Sumidouro, ela veio sozinha para Friburgo trabalhar. Em seu velório e sepultamento no cemitério de sua cidade natal, familiares e amigos estavam inconsoláveis com sua morte repentina.   

Ontem, colegas de trabalho da lanchonete exibiam grande tristeza. O gerente do estabelecimento, Márcio Soares, consternado com a fatalidade, disse que ela havia trabalhado no último sábado até as 21h, antes de ir para a casa noturna. Disse ainda que ela havia mudado de Mariana --- distrito de Sumidouro --- para Nova Friburgo, há cerca de dois anos para trabalhar e morava sozinha após ter se divorciado. Márcio observou que Camila teve uma infância difícil, inclusive, tendo sido internada em um abrigo.

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