Wanderson Nogueira: "O mais apaixonado friburguense"

Colunista abre exceção para comentar a trajetória de um político que marcou para sempre a cidade
segunda-feira, 30 de abril de 2018
por Wanderson Nogueira
Wanderson Nogueira: "O mais apaixonado friburguense"

Peço licença para escrever sobre política local, algo que evito fazer por questões éticas que por si só já são óbvias. Mas é meu dever como friburguense apaixonado render essas poucas linhas a um personagem histórico que, com seu famoso chapéu, faz o aceno final para um povo.

Heródoto é considerado por muitos como o melhor prefeito da história de Nova Friburgo. Especialmente pelo seu segundo de quatro mandatos - na década de 80. Desnecessário entrar nessa disputa de paixões partidárias, reconhecendo apenas que sim, Heródoto foi muito importante para a história friburguense.

Algo, no entanto, que não entra em debate é a sua devoção por Nova Friburgo. Apesar de não ser friburguense de sangue, Heródoto foi quem melhor vestiu esse personagem de ser friburguense, com suas manias e modos de ver a vida. Podem criticá-lo por ter estado ao lado da ditadura; por ter priorizado o urbanismo; por ter defendido essa como a Suíça brasileira ou por não ter conseguido cumprir a promessa do trem. Mas ninguém, absolutamente ninguém, ousou ou poderia ousar em duvidar de seu amor por essa cidade! Um louco apaixonado por Nova Friburgo - repleto de ideias - próprio daqueles poucos que conseguem enxergar além das montanhas.

De uma inteligência incomum que nas esquinas sempre se resumiu com o termo de visionário. Um visionário que sempre esteve à frente de seu próprio tempo. Tempo que é fatal para todos nós. Tempo que preserva na memória aqueles que se mantém vivos por seus feitos. Não apenas estruturais, presentes em obras físicas. Mas também pelas atitudes. Lembro da sua última posse de prefeito, a única que de fato acompanhei. Ele saiu do Teatro Municipal Laercio Ventura caminhando no meio da multidão até a prefeitura. O apresentador anunciou o nome da antecessora (Saudade Braga) que não estava presente. Logo as vaias tomaram conta do espaço. Heródoto tomou o microfone e interrompeu a todos, mandando cessar a manifestação. Pediu respeito e que as pessoas não fossem injustas. Parece algo banal, mas demonstra a verdadeira capacidade de liderar. Vejam: ele vinha de uma vitória massacrante; poderia acompanhar os seus liderados ou mesmo simplesmente deixar para lá. Mas não! Ele fez questão de mostrar a todos que um líder não deve surfar em ondas que fatalmente arrebentam em terra firme. Heródoto mostrou que um verdadeiro líder não concorda com tudo que as massas fazem. Um líder, sem dizer, diz: “confiem em mim! Se acreditam em mim, apenas me sigam!”

O vácuo é persistente. Encerra-se um dos mais importantes capítulos da história política de Nova Friburgo. O definitivo fim da era Paulo-Heródoto. Dois líderes, que com todos as suas controvérsias, continuarão a encher as expectativas das pessoas para novas lideranças que tenham o carisma e humanismo de Paulo, a visão e inteligência de Heródoto e a capacidade de realizar de ambos. Mas é bom que se saiba: não haverá um novo Paulo Azevedo e nem um novo Heródoto Bento de Mello. São únicos!

Que Nova Friburgo possa se reencontrar e nesse vazio de competência possa redescobrir suas potencialidades para ser o que seu destino sempre provocou a ser: a melhor cidade do Brasil.                    

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