Vários focos de fogo em vegetação: a pior época do ano para os bombeiros

Só nesta quinta foram registradas 18 ocorrências em diversos bairros e distritos de Friburgo
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Incêndio em mata em Varginha (Foto de leitora)
Incêndio em mata em Varginha (Foto de leitora)

Na tarde da última quinta-feira, 12, por volta das 16h, um ato irresponsável de uma moradora do bairro Varginha – segundo informações de pessoas da localidade – quase causou uma tragédia. Os relatos são de que ela teria ateado fogo num amontoado de lixo e que as chamas se espalharam rapidamente e chegado à parte alta da Rua Boy, onde mora a mulher, consumindo uma grande área de mata. O fogo, inclusive, chegou bem próximo a residências da Rua Anita Folly, bem distante de onde o foco teve início. Só na última quinta-feira foram registradas pela corporação militar, 18 ocorrências de fogo em vegetação em diversos bairros e distritos de Friburgo.

“Eu estava lá na hora. A mulher ateou fogo no lixo e as chamas logo lamberam tudo. Os bombeiros foram acionados, mas as chamas já tinham se alastrado pelo morro”, contou um morador. Cerca de quatro horas depois, o incêndio já atingia grande parte de uma encosta. Os bombeiros estiveram no local, mas, segundo os moradores, disseram que não poderiam conter as chamas. 

No início da madrugada, a moradora Solange Folly já não sabia o que fazer. Cuidadora da mãe idosa, ela já havia acionado o Corpo de Bombeiros diversas vezes, pois  o fogo chegou muito próximo da casa de suas primas, duas idosas, de 79 e 94 anos. “O bombeiro disse para eu filmar o fogo e passar para o e-mail deles. Eles falaram para eu ficar acordada vigiando o incêndio e voltar a ligar quando o fogo estivesse a uns 20 metros das casas, relatou. Alguns moradores da Rua Anita Folly, passaram a madrugada “se virando como podiam”, jogando água com mangueiras. “Pagamos a taxa de incêndio e quando precisamos, eles não podem fazer nada”, reclamou Solange.

Apesar do fogo ter diminuído, na manhã de sexta-feira, 13, ainda era possível ver  algumas chamas na encosta. Portadora de doença respiratória, outra moradora reclamou das constantes queimadas  e do hábito que alguns vizinhos têm de queimar lixo e restos de capina, mesmo no período de seca.

O bairro Varginha tem passado por uma grande transformação nos últimos anos, principalmente após a tragédia de 2011. Como sofreu poucos efeitos da chuva daquele ano, a região enfrenta hoje uma grande especulação imobiliária, o que contribui para matas serem derrubadas (com queimadas) abrindo espaço para prédios e condomínios legais e ilegais. 

O que diz o Corpo de Bombeiros 

De acordo com o comandante do 6º GBM, tenente-coronel Thiago Nunes Alecrim, não há dúvidas de que as causas dos incêndios sejam ações humanas. “Tenho quatro equipes deslocadas de acordo com o tipo de situação. Quando não tenho mais efetivo, recebo apoio de unidades próximas”, disse o comandante que alerta sobre as consequências de atear fogo diante das condições climáticas atuais. “Toda atividade que cause poluição ou que resulte em danos à saúde e a natureza é crime, mas não só por ser crime, é preciso uma conscientização. Às vezes a pessoa acha que colocar fogo em lixo não vai gerar problema, mas um vento pode levar uma faísca, levando a proporções absurdas. Estamos na pior época do ano, com pouca chuva e baixa umidade do ar. Além de atacar a natureza, pessoas que tem problemas respiratórios e alergias”, destacou.

É bom saber que, conforme a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), os culpados por esse tipo de crime podem ser multados ou presos. O grande problema, entretanto, é que praticamente, não há investigação em relação a esses crimes. Além disso, até os próprios afetados – no caso, os vizinhos – não costumam denunciar os infratores.  

 

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