Um triste momento

segunda-feira, 29 de agosto de 2016
por Jornal A Voz da Serra

CHEGA AO final o tumultuado momento político que culmina com o julgamento do impeachment da presidente Dilma Roussef. Encerra-se, assim, após nove meses, um momento delicado da história do país, marcado por uma profunda crise política, social, econômica e moral.

EM SEU DISCURSO de defesa, ontem, 29, no Senado, a presidente afastada tentou de todas as formas afirmar que não houve crime de responsabilidade em seu governo. E voltou a repetir as mesmas frases que afirmou durante todo o processo, acusando o governo interino de “golpe”, lamentou a ruptura com o processo democrático, questionou a legitimidade do governo Temer e o desrespeito aos milhões de votos recebidos nas urnas em 2014.

AINDA QUE as acusações oficiais sejam de difícil compreensão, todo o Brasil sabe que o julgamento é prioritariamente político. A presidente está sendo impedida de governar muito mais devido à complacência de seu governo com os desvios da Petrobras e a sua incapacidade de superar a crise econômica, em boa parte devido à falta de um mínimo de diálogo com o Congresso, indispensável para a aprovação de medidas emergenciais, do que pelas irregularidades fiscais apontadas. 

É IMPORTANTE reconhecer nesse processo que, por contradições inerentes à política, muitos dos responsáveis pelo julgamento no Congresso estão envolvidos de alguma forma nas acusações da Operação Lava-Jato.

A PRESIDENTE optou por fazer sua própria defesa perante os legisladores insistindo em não ter cometido crime, mas as acusações que pesam contra ela não podem ser desconsideradas. Afinal, envolvem o uso abusivo das finanças públicas com interesses eleitorais, com a edição de três decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso e as chamadas pedaladas fiscais, que consistem em atraso deliberado nos pagamentos da União para bancos públicos.

O IMPORTANTE, nesse doloroso processo de impeachment, é que os trâmites sejam efetivados e concluídos rigorosamente de acordo com a lei e com a Constituição. É o que vem sendo feito até agora, com amplo direito de defesa para a acusada e vigilância atenta das instituições democráticas. Agora, caberá ao Senado dar a palavra final e virar, definitivamente, este triste capítulo de nossa história.

 

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