Tristes estatísticas

quarta-feira, 31 de agosto de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A DETERIORAÇÃO no mercado de trabalho levou a um aumento na busca de adolescentes por emprego, o que está ajudando a piorar a evasão escolar no país. A taxa de desemprego na faixa etária entre 14 e 17 anos foi a que registrou maior aumento no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período do ano anterior: passou de 24,4% para 38,7%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A DESIGUALDADE social no Brasil obriga muitos jovens a trabalhar desde cedo para colaborar no orçamento da casa. Desenvolver uma rotina de trabalho e de estudos é tarefa árdua. Para agravar o caso, nem sempre a escola mais perto da casa do aluno oferece o turno noturno, o que favorece o abandono dos estudos.

REPETÊNCIA, currículo ultrapassado, infraestrutura precária, remuneração inadequada dos professores, não universalização do passe livre e transporte escolar, falta de oficinas de arte e de esporte. Esse quadro desolador ajuda a desestimular a permanência dos alunos nas salas de aula. A escola, nesse cenário, deixa de ser um local de construção do conhecimento e é transformada em um espaço cujo objetivo é oferecer merenda aos alunos e mantê-los longe das ruas por algumas horas.

COMO TEM sido noticiado inúmeras vezes na imprensa nacional, a necessidade de trabalhar estimula crianças e adolescentes a abandonarem os estudos. A evasão escolar tem sido um desafio constante para os mestres, afinal, a maioria dos abandonos — como tem revelado as reportagens — não está ligada ao conteúdo ensinado em sala de aula ou à estrutura da escola ou ainda ao comportamento dos professores. Está relacionada com a questão financeira e aí há outros fatores e setores envolvidos.

A QUESTÃO DA evasão escolar de certa forma se relaciona com a própria situação das famílias brasileiras, cuja renda tem sido achatada ao longo dos últimos anos. Embora o discurso oficial seja de inclusão, os índices escolares mostram o quanto tem sido custoso esse processo de verdadeira exclusão.

HOUVESSE condição das famílias se sustentarem sem o auxílio dos jovens, certamente o índice de evasão escolar seria menor, porque zerá-lo é praticamente impossível, ainda mais quando desperta no jovem o sentimento de curiosidade ou de responsabilidade em não mais querer depender de pais ou responsáveis. Mas essa é uma pequena parcela. A maioria trilha o caminho do emprego por necessidade pura e simples.

NÃO SERÁ também aumentando o valor dos benefícios que vai se conseguir reduzir o número de jovens trabalhando, até porque este é um processo lento a ser combatido e vencido. É preciso estabelecer políticas públicas sérias, comprometidas em transformar famílias dependentes em orgulhosas de suas conquistas independentes, ou seja, obtidas graças ao esforço conjunto de seus integrantes e não com as benesses de um governo que dá com uma mão e tira com a outra.

 

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