Tacos, cartas, excursões: qualquer pretexto vale para se encontrar

Biriba, sinuca e viagens adubam amizades arraigadas por mais de 30 anos
sexta-feira, 20 de julho de 2018
por Paula Valvieese (paula@avozdaserra.com.br)
Tacos, cartas, excursões: qualquer pretexto vale para se encontrar

Eles se conhecem há anos e, de um tempo para cá, se reúnem semanalmente em novas atividades: torneios de biriba, o conhecido buraco, e sinuca. Em sua quarta edição, o Campeonato de Biriba do Nova Friburgo Country Clube reúne 16 duplas. Na outra área do clube, é a sinuca que entra em disputa. Ambos os jogos são bastante movimentados, com regras bem estabelecidas e premiação. Contudo, mais do que uma competição, essa é uma forma de estreitar os laços de amizade entre os participantes.

Na biriba, James Messi e Cícero Batista são amigos há 37 anos. Já viajaram juntos, marcaram presença nas peladas de fim de semana, organizaram pescarias, mas agora se enfrentam na biriba. Rivalidade? Nenhuma! O que se vê na relação da dupla durante o torneio é diversão e companheirismo, daquela camaradagem de longa data, onde vale até caçoar um pouco pela posição do outro na tabela do torneio.

“Ele é meu melhor amigo. Foi a primeira pessoa que eu conheci quando vim morar em Nova Friburgo, fomos vizinhos e agora nos vemos quase diariamente”, conta Cícero.

Júlio Lessa e Hélio Raposo se conhecem há mais de 30 anos. A amizade nasceu de relações de trabalho e se estreitou com o convívio no clube. Só nos jogos de baralho, a dupla compartilha muitas histórias, além das memórias criadas nas relações familiares: aniversários, casamentos.

“Uma vez estávamos jogando uma partida de buraco contra duas mulheres. E como temos um amigo que é sortudo em tirar ases e elas não sabiam dessa história, para sinalizar que estava com dois ases na mão o Helinho brincou: ‘Chambão na área’. Eu entendi e joguei fora o às que eu tinha. Mas deu tudo errado, a mulher pegou o às, bateu direto, pegou o morto e bateu o jogo”, diverte-se Julio.

E essa confraternização vai além do grupo. Por serem amigos há muitos anos, os filhos também cresceram juntos e são amigos até hoje. Apesar de vários não morarem mais nem Friburgo, sempre que podem eles organizam encontros.

Na sinuca, Bernardo Braune e Alexandre Nacif contam um pouco da história de mais de 30 anos de amizade. Na verdade, eles se conhecem desde crianças, porque o relacionamento entre as suas famílias vem desde os pais. Mas a amizade forte, com maior convivência e parceria, teve início depois da adolescência.

“São muitas histórias, como as viagens que fazíamos ao Salão Internacional do Automóvel em São Paulo. Fomos a cinco eventos, quase dez anos de comprometimento, uma vez que o salão é realizado de dois em dois anos. E na maioria das vezes íamos de carro, passando um bom tempo de estrada juntos”, conta Bernardo.

Ele destaca ainda que o mais importante na sinuca é a presença dos amigos. “A sinuca começou há dois anos, quando a mesa ainda ficava em outra área do parque aquático do clube. É uma mistura de amizade com divertimento, o jogo é só mais um pretexto para a gente se encontrar, conversar, tomar uma cerveja”.

Excursões : uma forma de fazer amigos

Há 26 anos no ramo de viagens, Haydée Eitler organiza viagens em grupos para dentro e fora do país. E ao longo desse tempo, viu muitas amizades surgirem desses encontros. Ela conta que sempre busca dar uma ajudinha, colocando pessoas com perfis parecidos para dividir quartos, por exemplo, mas que no final só a emoção de conhecer ou frequentar o lugar desejado já colabora para a aproximação.

“Para mim viajar é a melhor coisa que existe, é uma terapia. Organizo passeios para todas as idades, inclusive crianças, e o que mais vejo são pessoas que não se conhecem se relacionarem e dali surgir uma amizade que vai além da excursão. Já levei grupos para lugares distantes, como o Canadá, por exemplo, mas não precisa ser longe: uma ida ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro já aproxima as pessoas, especialmente no percurso até lá”.

 

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