Soprou, zerou

segunda-feira, 21 de março de 2016
por Jornal A Voz da Serra
Operação Lei Seca em Nova Friburgo (Foto: Arquivo A VOZ DA SERRA)
Operação Lei Seca em Nova Friburgo (Foto: Arquivo A VOZ DA SERRA)

EM VIGOR HÁ sete anos, a Operação Lei Seca promoveu uma mudança significativa de hábitos em relação ao trânsito no estado do Rio de Janeiro. Essa percepção é confirmada pela preservação de vidas: o estado apresentou redução de 30%, em média, no número de motoristas flagrados embriagados nas blitzes na capital e no interior desde 19 de março de 2009.

OS NÚMEROS sobre a Lei Seca impressionam. Quase 155 mil motoristas que apresentavam sinais de embriaguez tiveram suas carteiras de habilitação recolhidas pela Lei Seca, desde que a operação ganhou as ruas. O número de pessoas alcoolizadas flagradas ao volante vem caindo gradualmente. O percentual de motoristas embriagados abordados nas blitzes era de 7,9%, em 2009. A taxa média atual é de 5,1%. Mais 2,1 milhões de motoristas já foram abordados em mais de 15 mil ações de fiscalização por todo o estado.

O MODELO DE gestão da Lei Seca fluminense já serviu de inspiração para outros estados do Brasil e até para o exterior. Seus resultados comprovam sua eficiência: até a última quinta-feira, 17, pelo menos 2.146.476 motoristas foram abordados, 422.833 foram multados, 83.858 veículos foram rebocados e 145.422 motoristas tiveram a CNH recolhida. Neste período foi comprovada a alcoolemia em 154.813 motoristas.

NO INTERIOR do estado, a Operação Lei Seca já abordou mais de 100 mil motoristas ao longo destes sete anos. Neste período, foi detectada alcoolemia em 11.006 motoristas. O percentual de casos de alcoolemia ao volante no interior ultrapassa a média da capital. Enquanto na Região Metropolitana a média mensal é de 5,1%, no interior este número é mais que o dobro: 10,6%.

A LEI SECA representa um marco divisor na construção de uma nova consciência sobre a combinação entre o consumo de álcool e a direção de veículos. A visão desse possível divisor de águas é endossada por pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot). O levantamento revela que 50% dos jovens universitários entrevistados afirmam que “não mais dirigem depois de beber”. A pesquisa revela que não misturam bebida com direção por motivos culturais, e que reagem também por temor à fiscalização e às pesadas multas.

INSISTIR NA educação e conscientização é fundamental nessa cruzada dos tempos modernos. Se esses elementos estivessem mais presentes, a lei seca nem mesmo seria necessária. Qualquer mudança cultural se faz aos poucos. Nesse sentido, há exemplos clássicos, como o uso do cinto de segurança, de capacete por parte de motoqueiros e ciclistas e da proibição do consumo de cigarros em ambientes fechados.

OS RESULTADOS positivos confirmam a importância de se manter e intensificar as ações educativas, de fiscalização e mobilização. O serviço público não deve ceder à indústria da bebida. Entretanto, é importante investir maciçamente na manutenção da fiscalização e prevenção, visando um trânsito mais humano e menos violento. Educar para o trânsito é educar para a vida.

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