Sociedade Brasileira de Patologia condena rim armazenado em galão

Entidade pediu à Procuradoria Geral do estado e ao Cremerj que apurem situação do laboratório do Hospital Raul Sertã
sexta-feira, 26 de julho de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
O galão com o rim entregue à esposa de um paciente (Arquivo pessoal)
O galão com o rim entregue à esposa de um paciente (Arquivo pessoal)

A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) criticou nesta sexta-feira, 26, a forma como o laboratório do Hospital Municipal Raul Sertã, em Nova Friburgo, armazenou para biópsia o rim de um paciente que teve o órgão retirado devido a um tumor. O órgão ficou quatro meses dentro de um galão de suco de polpa de maracujá, e ainda foi devolvido à esposa do paciente sem a realização do exame. 

Segundo a SBP, o rim deveria ter sido armazenado em um frasco transparente. Nunca em uma embalagem plástica para acondicionar alimentos. Outro erro do laboratório, conforme a entidade, foi o tempo em que o órgão permaneceu no galão. O período máximo são 72 horas. Por tudo isso, a sociedade que representa os patologistas pediu à Procuradoria Geral do estado e ao Conselho Regional de Medicina (Cremerj) que apurem o caso. 

“Nós sabemos que esse fato não é isolado. Há várias cidades com mesmo problema nos laboratórios. Desde 2016, a Sociedade Brasileira de Patologia vem tentando negociar com o governo federal o reajuste do valor do exame anatomopatológico, que hojé é de R$ 24. Esse valor pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre o custo para realização do exame. Esse exame é fundamental para o diagnóstico de câncer”, disse o presidente da SBP, Clovis Klock. 

A Sociedade Brasileira de Patologia se manifestou depois que A VOZ DA SERRA noticiou, no último dia 19, que Maristher Fukuoka saiu do Hospital Raul Sertã, no dia 17, com o rim do marido nas mãos, dentro de um galão plástico de suco de frutas, porque o laboratório da unidade está sem funcionário para realizar biópsias. A mulher foi orientada a levar o órgão, por conta própria, a um laboratório particular. 

Tumor benigno ou maligno

No último dia 20 de março, Sebastião Mory, marido de Maristher, passou por uma cirurgia no hospital para a retirada do rim após a descoberta de um tumor. A mulher disse que o órgão retirado seria encaminhado para biópsia no Rio de Janeiro, mas o rim nunca saiu do hospital. Passados quatro meses da cirurgia do marido, Maristher voltou ao hospital e exigiu uma resposta a respeito do resultado da exame. 

“Briguei, falei muitas coisas que a responsável não queria ouvir, e num instante o rim apareceu nas minhas mãos”, desabafou a mulher, contando que a responsável pelo laboratório no Raul Sertã entregou-lhe o rim dentro de um pote plástico com rótulo de polpa de maracujá. “Ela falou que se eu quiser procurar o Ministério Público, eu posso ir. E dali eu saí desesperada dizendo: O que eu vou fazer com isso aqui?", contou.

A mulher disse ainda que saiu do hospital com o rim do marido nas mãos e procurou uma clínica particular na Rua General Osório, no Centro, que cobrou R$ 600 para realizar o exame no órgão. O resultado deve sair no dia 14 de agosto. Até hoje o marido dela não sabe se o tumor presente no rim é benigno ou maligno. Essa informação, a ser revelada pela biópsia, é fundamental para que ele possa iniciar o tratamento correto. 

O que diz a prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que está com demanda pendente por 230 exames no laboratório, devido ao desligamento do funcionário que realizava o serviço. O governo disse ainda que já providenciou a contratação de um novo profissional e, em breve, o serviço deve ser normalizado. Comentou também que embora não fosse o ideal, o recipiente onde o órgão foi armazenado estava esterilizado e, portanto, limpo. 

 

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