Sinal de alerta ligado

quarta-feira, 19 de outubro de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A PESQUISA de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que, em setembro, 58,2% das famílias brasileiras estavam endividadas. Embora maior do que no mês anterior, quando o percentual era de 58%, o resultado é menor do que o registrado há um ano, quando o quantitativo de endividados era de 63,5%.

“A RETRAÇÃO do consumo, em virtude da persistência da inflação e da contração da renda, além do elevado custo do crédito, explica essa redução na comparação anual”, avaliam os economistas da CNC. A análise, no entanto, indica que a manutenção de altas taxas de juros e a instabilidade do mercado de trabalho ampliaram o percentual das famílias com contas ou dívidas em atraso, tanto na comparação mensal como na anual. Em setembro de 2015, este percentual era de 23,1% e agora é de 24,6%. No mês passado, esse total foi de 24,4%.

É FATO. A sociedade brasileira, independentemente da classe social, começa a perder o sono com os rumos da economia do país, sobretudo com a ameaça inflacionária; da elevação abusiva das taxas de juros; da queda do consumo em todos os setores; do risco iminente de recessão e das baixas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos. 

A SOCIEDADE está mais endividada e, desta forma, o pagamento das contas encontra um quadro cada vez mais complicado, tanto que todas as modalidades de inadimplência do consumidor apresentaram elevação no mês passado. São números que servem de alerta para o mercado varejista e atacadista, já que endividadas essas famílias não terão como contrair novas dívidas até solucionar a situação atual, indicando uma possível recessão no curto prazo.

SIGNIFICA dizer que, num primeiro momento, os bancos ficarão mais cuidadosos na hora de aprovar qualquer pedido de empréstimo, sobretudo na modalidade Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Num segundo momento, os juros devem ficar ainda maiores para compensar os riscos desse tipo de operação financeira, de forma que a conta acabará sendo paga justamente pelo consumidor. Além dos empréstimos bancários, as operações com financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água também estão sofrendo com o calote.

O SINAL DE alerta foi ligado, mesmo porque nada retrata mais a crise financeira de uma sociedade que o calote, ou seja, quando pessoas e empresas não conseguem pagar as contas assumidas é sinal que a insolvência está se aproximando e, mais grave, gerando um círculo vicioso que acaba influenciando todos os setores produtivos de uma nação. 

QUANDO NÃO consegue cobrir um cheque emitido, o consumidor, imediatamente, deixa de comprar até que a dívida seja honrada e, sem consumo, o comércio é o primeiro a sentir o impacto. Se o comércio vende menos, a indústria fabrica menos e, consequentemente, menos dinheiro fica em circulação. Com isso, mais pessoas deixam de pagar as contas e mais grave fica a crise financeira de uma nação.

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