Sete das oito vacinas obrigatórias para crianças abaixo da meta de cobertura

“Uma pessoa mais jovem pode achar que é coisa do século passado, mas não tem a noção real da gravidade dessas doenças”, disse o ministro da Saúde
terça-feira, 02 de julho de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
Sete das oito vacinas obrigatórias para crianças abaixo da meta de cobertura

O ditado popular “melhor prevenir do que remediar” pode se aplicar perfeitamente à vacinação. Muitas doenças comuns no Brasil e no mundo deixaram de ser um problema de saúde pública por causa da vacinação em massa da população. Poliomielite, sarampo, rubéola, tétano e coqueluche são só alguns exemplos de doenças comuns no passado e que as novas gerações só ouvem falar em histórias.

Mas, infelizmente, essa realidade pode estar mudando. Dados divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde, relativos a 2018, mostram que das oito vacinas obrigatórias para crianças, apenas a BCG alcançou o nível de cobertura desejado, acima de 90% do público-alvo. Nesta segunda-feira, 1º, inclusive, celebrou-se no Brasil, o Dia da Vacina BCG, indispensável na infância para o combate à tuberculose.  As outras sete vacinas infantis, com meta de 95% de cobertura, não atingiram o índice previsto. São elas: rotavírus, meningocócica C, pneumocócica, poliomielite, pentavalente, hepatite A e tríplice viral. Junto com a BCG, elas protegem as crianças contra as doenças graves mais comuns na infância.

“As vacinas são uma conquista da humanidade, talvez o maior passo do século 20 em saúde pública do mundo. A gente vê que essa onda antivacina é uma questão de geração. Minha mãe procurou garantir as vacinas aos filhos porque havia crianças com pólio naquela época. Hoje, parece que as pessoas acham que pólio é coisa de extraterrestre. A gente que viveu na época que essa doença vitimou tantas crianças sabe muito bem do que está falando. Uma pessoa mais jovem pode achar que não existe, que é coisa do século passado, mas não tem a noção real da gravidade dessa e de outras doenças”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista recente à BBC News Brasil.

Os riscos da queda da cobertura vacinal

O sucesso das campanhas de vacinação ao longo das últimas décadas reduziu drasticamente o contato dos brasileiros com essas enfermidades. Mas, é justamente essa falta de contato direto com as doenças que pode estar levando o brasileiro a se vacinar menos.

O grande risco da queda da cobertura vacinal é o retorno de doenças erradicadas, como o sarampo e a poliomielite, por exemplo, o que pode causar um problema muito maior de saúde pública. E o principal motivo, segundo o Ministério da Saúde, é o fato de que os brasileiros percebem menos o risco de ficar doente e têm pouco conhecimento sobre a gravidade das doenças imunopreveníveis, aquelas que são passíveis de imunização.

As vacinas são seguras?

Eventuais reações, como febre e dores no local da aplicação, podem ocorrer após se tomar uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos dessas reações temporárias.

É importante saber também que toda vacina licenciada para uso passou antes por diversas fases de avaliação, desde os processos iniciais de desenvolvimento até a produção e a fase final que é a aplicação, garantindo assim sua segurança. Elas são avaliadas e aprovadas por institutos reguladores muito rígidos e independentes. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

Fake news atrapalham a cobertura vacinal

As fake news, ou notícias falsas, contribuem negativamente para o crescimento do movimento antivacina. Por isso, é preciso ter muito cuidado com o que se vê na internet. Em caso de dúvidas, deve-se buscar esclarecimento somente com fontes oficiais, como o Ministério da Saúde, ou a Secretaria de Saúde do município. Não use as redes sociais ou seu celular para compartilhar boatos que possam trazer prejuízos irreversíveis à saúde de todos.

Algumas das fake news mais comuns envolvendo vacinas, diz que elas causam autismo, que têm vários efeitos colaterais prejudiciais à saúde e podem ser até fatais. Outra notícia falsa diz que a vacina combinada contra a difteria, tétano e coqueluche e a vacina contra a poliomielite causam a síndrome da morte súbita infantil.

Canal exclusivo para combater as notícias falsas sobre saúde

Para combater essa onda de fake news sobre saúde, o Ministério da Saúde, de forma inovadora, passou a disponibilizar um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. Qualquer cidadão poderá enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando.

O canal não é um SAC ou tira dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais que serão apuradas pela área técnica e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. O número é (61) 9 9289 4640. Essas mesmas informações também podem ser obtidas no site do Ministério da Saúde, que é o www.saude.gov.br/fakenews.

Calendário de vacinação infantil até 4 anos:

  • Ao nascer: BCG (Bacilo Calmette-Guerin) e Hepatite B
  • 2 meses: Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica 10v, Rotavírus
  • 3 meses: Meningocócica C
  • 4 meses: 2ª dose Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica 10v, Rotavírus
  • 5 meses: 2ª dose Meningocócica C
  • 6 meses: 3ª dose Pentavalente, Poliomielite
  • 9 meses: Febre amarela
  • 12 meses: Tríplice viral, Pneumocócica 10v (reforço), Meningocócica C (reforço)
  • 15 meses: DTP (reforço), Poliomielite (reforço), Hepatite A, Tetra viral ou tríplice viral + varicela
  • 4 anos: DTP (2º reforço), Poliomielite (2º reforço), varicela

 

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