A responsabilidade, o prazer e o valor presente nas atividades de educação

sábado, 13 de outubro de 2018
por Bernardo Sotto-Maior Peralva* (especial para A VOZ DA SERRA)
A responsabilidade, o prazer e o valor  presente nas atividades de educação

Durante o curso de graduação, tive a oportunidade de participar ativamente em projetos de pesquisa como voluntário e bolsista, aproveitando intensamente o ambiente acadêmico junto aos professores. Foi nesta fase que percebi a responsabilidade, o prazer e o valor presente nas atividades de educação e pesquisa nas universidades. Entre 2003 e 2015, com o investimento comprometido pelo governo, pude me dedicar em tempo integral nos cursos de mestrado e doutorado. Portanto, me sinto privilegiado em poder retornar à sociedade brasileira todo o investimento que foi feito em minha qualificação profissional, através do exercício das atividades como docente e pesquisador em uma universidade pública.

Preferi a carreira de docente universitário pela oportunidade de trabalhar com pesquisa e educação nos níveis de graduação, mestrado e doutorado. Hoje, no Brasil, essa carreira é encontrada nas universidades. Atualmente, faço parte de um grupo que atividades de divulgação científica em escolas de ensino fundamental e médio, mas sempre tive o interesse de trabalhar numa universidade. A ciência, assim como a arte, pode ser considerada como a maior expressão da curiosidade e criatividade do cérebro, e acredito ser nosso dever expandirmos o limite do conhecimento. Infelizmente, enquanto a ciência e educação não forem prioridades dos governos, teremos condições precárias e desmotivantes para pessoas com vocação, que eventualmente optarão por outras carreiras.

 Apesar da instabilidade do governo no que tange o investimento em ciência e tecnologia, eu não tenho a intenção de migrar para algum outro segmento. Desde 2007, durante minha formação, participo ativamente de uma colaboração internacional com o maior experimento de física de partículas do mundo, junto com alunos e professores de diversas universidade brasileiras. Trabalhamos com pesquisa de ponta sempre no limite do conhecimento, e formando mão de obra altamente qualificada. Portanto, do ponto de vista de um jovem professor, encontrei na universidade a melhor maneira de retribuir todo aprendizado e conhecimento adquirido e diariamente renovado. Cabe a nós, enquanto brasileiros e brasileiras, participarmos dos debates que mudam o curso da educação e ciência neste país.”

*Engenheiro elétrico, professor da IPERJ/Uerj, campus Nova Friburgo

 

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