Resgatando a memória

sexta-feira, 18 de maio de 2018
por Jornal A Voz da Serra

UM RICO patrimônio municipal se prepara para oferecer à população, completamente restaurado, as instalações da Fundação Dom João VI. Trata-se do prédio da antiga Câmara Municipal, na Praça Getúlio Vargas, originalmente a residência do Barão de Nova Friburgo.

IMPONENTE, o imóvel já abriga o Centro de Documentação – o conhecido Pró Memória – e se capacita para oferecer outras atividades culturais à cidade. Trata-se, portanto, de um local onde se poderá conhecer a história friburguense em seus inúmeros detalhes. O local passou por reestruturação, prevenindo-o contra os riscos de deterioração física do espaço da memória friburguense tão bem guardada ao longo dos anos, e objeto de permanente consulta por historiadores.

O PATRIMÔNIO cultural de Nova Friburgo é um setor que não pode ficar sem o apoio das autoridades do município, do estado e do governo federal. É dever do estado garantir aos cidadãos acesso ao seu passado histórico, resgatado – no caso friburguense – pelo Pró Memória, revelando toda a pujança da cidade surgida timidamente na serra, em 1818, até os dias de hoje como importante polo regional do Estado do Rio de Janeiro.

A ANSIEDADE pela conclusão da obra é compartilhada também por todos aqueles que se preocupam com a cultura friburguense. Devido à sua abrangência histórica tornou-se referencial para diversos municípios resgatarem as suas memórias. Tais virtudes, por conseguinte, não podem prescindir de uma infra-estrutura compatível com o material que conserva, vale dizer, recursos humanos e materiais.

A RECOMPENSA pelo empenho, entretanto, não é suficiente para “zerar” o déficit histórico do município com a sua própria cultura. Por uma série de razões, a cultura foi para muitos governantes, o “patinho feio” da administração. Sem verbas e com pires nas mãos atrás de patrocínios, a cultura friburguense bateu às portas das autoridades e nada ou quase nada recebeu. Somente agora  sai da incômoda situação, devolvendo a Nova Friburgo um destaque há muito perdido.  

A GLOBALIZAÇÃO valorizou as cidades que respeitam as suas raízes, possuem suas próprias artes e a cultura friburguense tem condições de interagir de forma duradoura, sem preocupações com o tempo dos mandatos eleitorais. Sua rica história não cabe em apenas um governo. É dever, portanto, de todos os gestores públicos adotarem uma política de continuidade cultural, valorizando, sempre, este legítimo direito de todos os friburguenses.

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