Renato Bravo: “Obstáculos fazem parte, mas não recuo diante de desafios”

Neste Dia do Prefeito, 6 de outubro, ele fala com exclusividade ao jornal A VOZ DA SERRA
sábado, 06 de outubro de 2018
por Ana Borges (ana.borges@avozdaserra.com.br)
O prefeito Renato Bravo (Foto: João Luccas Oliveira)
O prefeito Renato Bravo (Foto: João Luccas Oliveira)
Quando apresentou seu programa de governo durante a campanha, em setembro de 2016, o prefeito Renato Bravo se referiu, por diversas vezes, à importância do “diálogo para o fortalecimento das ideias, dos projetos, do processo democrático, especialmente num momento de tanto desgaste da democracia e do estado de espírito da população”.

"Divergências acontecem, mas não devem nos impedir de trabalhar por interesses comuns"
Naquela altura, em suas andanças pelo município, ele percebeu “uma realidade que aponta(va) para a necessidade de cuidados urgentes para Nova Friburgo, para o que queremos, o que devemos e o que podemos fazer, daqui pra frente”. Discorreu, então, sobre saúde, educação, segurança, transporte, gestão ambiental e sustentabilidade, cultura, agricultura, esporte, lazer, turismo, mobilidade urbana. É o que volta a fazer neste 6 de outubro, quando se comemora o Dia do Prefeito, quase dois anos depois de assumir o governo.

“Por mais otimista que eu seja, não vou aqui afirmar que tenho alcançado todas as metas a que me propus, embora já tenha conseguido concretizar algumas. Mas, certamente, vou continuar correndo atrás para viabilizá-las. Obstáculos surgem no caminho, fazem parte, mas não recuo diante dos desafios. Administrar uma cidade exige, além de responsabilidade, ponderação e muita paciência. Particularidades que fazem parte da minha natureza. Por outro lado, o prazer e a satisfação que sinto em exercer essa função me motivam”, ressaltou.

Economia é a primeira questão colocada. Ele lembra que ao tomar posse em janeiro de 2017, encontrou uma série de ‘restos’ a pagar. “Com o pé no chão, cumprindo etapa por etapa, conseguimos efetuar todos os pagamentos, mesmo com dificuldade de receita, com repasses do Estado insuficientes, e com a União repassando só valores das emendas. Nesse primeiro ano e dez meses, conseguimos manter as contas em dia, inclusive dar um pequeno reajuste nos salários, acima da inflação. Vamos fazer de tudo para que os funcionários não tenham perdas”.

Sobre a precariedade econômica do estado, Renato pensa que a situação requer medidas urgentes para equacionar responsabilidades e reestudar o equilíbrio financeiro, pela “absoluta falta de condições do estado de investir”. Algumas de suas preocupações estão na área da Saúde: a UPA, que depende da participação do município, do estado e da União. Mas… “como o governo estadual não tem repassado recursos, quem tem que bancar o rombo somos nós, a prefeitura. Embora a União repasse o que lhe cabe, a conta não fecha e não sabemos quando o repasse do Rio será restabelecido”, esclareceu.

De olho nas pautas e emendas parlamentares

O prefeito enxerga outras duas graves situações, no país, que se alastra pelos estados e municípios: segurança e questão fiscal. E torce para que o próximo governador ataque de frente, ambas. “Com a segurança sob controle e baixo índice de violência, garantimos tranquilidade para a população. Com isso atraíremos investimentos, não só da iniciativa privada como do setor público”. Ainda: “Apesar destas eleições não abrangerem os municípios, acredito que esse pleito será fundamental para Friburgo”, reafirma, lembrando da importância das vagas no Legislativo:

“Nós, os prefeitos, temos que batalhar sem trégua pelas emendas parlamentares. É na esfera federal que isso se resolve, daí a importância da formação do Congresso a partir das eleições. Dependemos da atuação dos deputados federais e senadores, cujas posições tanto podem nos prejudicar como nos beneficiar. Por isso estaremos atentos a toda movimentação política em Brasília, à forma como votam as emendas, mesmo aquelas que, aparentemente, não nos afetem, diretamente”, reiterou.

Entre o 1º e 2º turno das eleições, dias 15 e 16, ele estará na capital para apresentar cartas de intenção para emendas parlamentares, cujo prazo termina no dia 20. Suas expectativas são positivas, considerando que nas demandas já apresentadas, segundo ele, os resultados sempre foram satisfatórios.

“Penso que temos nos saído bem porque não escolhemos emendas ideológicas. Se um deputado faz uma emenda para uma creche, uma escola, uma ponte, para a saúde, um bairro, não importa a autoria ou qual partido propôs, será sempre bem vinda. Minha política é de Estado, não de governo. Inclusive, herdamos emendas que estavam quase perdidas: fomos atrás, contamos com o apoio de seus autores e com a ajuda de membros dos ministérios da Saúde, Educação, Cidade, Integração, e outros. Para a Saúde, por exemplo, setor que está em processo de licitação, recebemos um depósito de R$ 10 milhões para a compra de mais de 590 equipamentos novos para o Raul Sertã e para a Maternidade”.

Ao insistir no tema Saúde, o prefeito reitera sua preocupação com o Hospital Raul Sertã, revelando que todos os esforços estão sendo feitos para resolver os problemas. “É o mais complicado, o que exige mais diligências”. Segundo ele, foram realizadas obras na cozinha do hospital, “que recebemos em péssimo estado”, e na lavanderia, “que espero finalizar no máximo em um mês, com ajuda de parceiros”.

Um desses parceiros é a Unimed, que está disposta a ajudar no tratamento de câncer dos pacientes do SUS, com autorização do Estado. Renato acredita que esse convênio será concretizado ainda este mês, assim como ajuda para ampliação do atendimento de cardiologia com o Hospital São Lucas, além de proposta ao Hospital Serrano para que atenda pacientes que precisem de cirurgia de catarata.

“Nossos profissionais são competentes, temos um Centro de Hemodiálise (HRS), de referência, e vamos finalizar a obra da Unidade de Tratamento Intensivo. Importante ressaltar a responsabilidade do pessoal que trabalha na reforma das estruturas de um prédio que tem quase 100 anos. Portanto, tudo ali requer cuidados redobrados”.  

Entre dívidas e desperdício, o desafio da Educação

Índices educacionais e merenda são temas caros ao prefeito, que considera a rede de ensino do município bem localizada e distribuída. Informa que está ampliando o número de creches, “inauguramos uma no Rui Sanglard, estamos buscando espaço para construir outra em Olaria e vamos terminar as obras de uma unidade no bairro São Jorge, em Conselheiro Paulino”.

Revela que as contas estão em dia e não tolera desperdício. “Não deixamos obras paradas, abandonadas. Mas algumas demandam mais tempo. Tem processo cujo andamento é lento.  É comum descobrirmos que empresas responsáveis por determinada obra, nem existem mais: faliram, fecharam as portas, os responsáveis sumiram. Nestes casos, a tramitação é bem mais complicada porque temos que fazer uma nova licitação ou chamar o segundo colocado. Ou, pior, começar tudo de novo. Mas, temos conseguido avançar, não no ritmo que gostaríamos, mas seguimos”.

Bravo salienta que as Parcerias Público-Privadas (PPPs) são um fato consolidado e que sua equipe está empenhada em valorizar parcerias com entidades como a Associação Comercial (Acianf) que elaborou o projeto Vamos Florir, de revitalização das praças.

No que diz respeito a entretenimento, pretende ampliar alguns projetos já existentes, aproveitando a variedade dos talentos locais, “gente capacitada para produzir eventos de todos os gêneros”, tais como shows musicais, teatrais, de dança, artes plásticas, literatura.

“Friburgo tem uma infinidade de excelentes artistas. Fazer arte e cultura no município é um investimento estimulante. O retorno, além da formação cultural da população, pode ser constatada também no âmbito comercial, com a movimentação turística e taxa de ocupação que alcança os 100%. Ganham os hoteis, pousadas, restaurantes, bares, comércio, artesanato, postos de gasolina etc. Temos ainda os festivais de morango, chocolate, truta, cervejas artesanais, moda íntima, feiras de produtos típicos”.

O que se pode esperar

Como os demais prefeitos da região, Renato Bravo tem conhecimento das dificuldades enfrentadas por outros municípios, com seus orçamentos apertados. Nesse sentido, se sente razoavelmente recompensado porque, “apesar de tudo, a cidade tem gerado emprego”. Uma notícia “alvissareira” foi a recente parceria firmada com o município de Maricá para desenvolver turismo e negócios. Dela saiu a I Mostra Intertur, que viabilizou a vinda de 30 costureiras para conhecer o Centro de Treinamento (Cevest) de Friburgo.  

“Maricá tem o que não temos, e vice-versa. Eles têm praias e clilma quente, e nós temos montanhas e clima frio. Essa parceria tem tudo para prosperar. Além do orçamento próprio, Maricá conta com R$ 1,2 bilhão do pré-sal, cujo governo está investindo pesado. O porto, por exemplo, vai gerar dez mil empregos. Quando o prefeito Fabiano (Horta) me revelou que precisava confeccionar uniformes para milhares de empregados, faleo logo da nossa capacidade de atender essa demanda. São parcerias como essas que geram oportunidades de negócios, que, com o tempo e convívio, vão se expandindo para vários setores”, enfatizou.

Exercitando sua característica otimista, Renato Bravo acredita no caminho que leva à união. “Temos que trabalhar juntos, porque a situação não está fácil para ninguém. Divergências acontecem, mas não devem nos impedir de trabalhar por interesses comuns, pelo acerto de questões que beneficiem as partes envolvidas. Tendemos a avançar quando nos unimos, somando forças, não dividindo. Afinal, somos responsáveis, cada um de nós, pelo nosso próprio destino e o da coletividade”.                

 

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