Renato Bravo desiste de reajustar passagem este ano

Faol pediu aumento de R$ 0,28 na tarifa esta semana. Concessionária ainda não comentou anúncio do governo
terça-feira, 13 de março de 2018
por Alerrandre Barros
(Foto: Carlos Mafort)
(Foto: Carlos Mafort)

O prefeito de Nova Friburgo, Renato Bravo, decidiu nesta terça-feira, 13, que não vai conceder reajuste a tarifa do transporte público municipal este ano. Na última quinta-feira, 8, a direção da Faol havia protocolado pedido para que o valor subisse de R$ 3,95 para R$ 4,23, a fim de cobrir aumento no custo com combustíveis, folha de pagamento, insumos para manutenção dos coletivos, além da concessão de gratuidades.

O governo não explicou o motivo, mas disse, em nota, “que não vai conceder o aumento anual e instaurou uma comissão para avaliar a qualidade do transporte público na cidade”. A Faol ainda não comentou o anúncio da prefeitura.

Como de praxe, o reajuste da tarifa pedido pela Faol costuma ser maior do que o aprovado pela prefeitura. No ano passado, por exemplo, a concessionária solicitou aumento na passagem de R$ 3,70 para R$ 4,20, mas o governo autorizou reajuste para R$ 3,95 - uma das mais caras do estado.

A Faol está sob nova direção desde maio do ano passado. O Grupo Real, que comandou a empresa por cinco anos, vendeu a concessionária para um consórcio formado pelas empresas de ônibus Coesa, Pavunense e Expresso Recreio, que operam no Rio e na Região Metropolitana. Os novos donos assumiram as dívidas e o risco de renovação do contrato de concessão, que vence em setembro deste ano.

Desde que a nova gestão passou a comandar a Faol, parte da frota começou a ser substituída em contrapartida ao último reajuste da passagem. Mais de 30 ônibus novos (convencionais e micro-ônibus), climatizados, com GPS e entrada USB para carregamento de celular, já estão circulando pelas ruas da cidade. A Faol diz ter investido nos coletivos quase R$ 18 milhões.

Os novos ônibus não vêm mais com a cadeira para cobrador, função que vem sendo extinta na empresa com a adoção da bilhetagem eletrônica (Riocard e Fricard). De acordo com o diretor da Faol, Paulo Valente, atualmente 78% dos passageiros embarcam nos coletivos com o cartão, o que torna a função de cobrador obsoleta. Ele estima que em quase 80% dos ônibus o motorista já execute as duas funções.

Deve ser votado este ano, na Câmara Municipal, projeto de lei que tenta vedar a dupla função dos motoristas em Friburgo e restabelecer a atividade de cobrador nos ônibus. O texto, de autoria do vereador Zezinho do Caminhão (Psol), Professor Pierre (Psol) e Marcinho (PRB) segue a mesma linha do projeto aprovado pela Câmara do Rio de Janeiro e sancionado, em dezembro, pelo prefeito Marcelo Crivella.

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