Reféns do medo

quinta-feira, 25 de agosto de 2016
por Jornal A Voz da Serra
Reféns do medo

O Brasil registrou 57 mil homicídios em 2014, de acordo com o estudo “Mapa da Violência 2016”, coordenado pelo professor e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor do Instituto Sangari e coordenador da área de estudos sobre violência da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, divulgado nesta quinta feira, 25.

OS NÚMEROS impressionam: entre 1980 e 2014, morreram aproximadamente um milhão de pessoas (967.851), vítimas de disparo de algum tipo de arma de fogo. O estudo focaliza a evolução dos homicídios por armas de fogo no Brasil no período de 1980 a 2014. Também apresenta a incidência de fatores como o sexo, a raça/cor e as idades das vítimas dessa mortalidade.

UM VERDADEIRO arsenal está nas mãos da população. Segundo estimativas, um total de 15,2 milhões em mãos privadas; 6,8 milhões registradas; 8,5 milhões não registradas e, dentre estas, 3,8 milhões em mãos criminosas. Os dados publicados apontam que, em 2014, as capitais com maior número de mortes a cada 100 mil habitantes eram Fortaleza (81,5), Maceió (73,7) e São Luís (67,1). Em 2004, Recife liderava a lista com 77,8 mortes a cada 100 mil habitantes e era seguida por Vitória (66), Belo Horizonte (58,1), Maceió (51), Rio de Janeiro (44,8) e Porto Velho (37,8). 

O CRESCIMENTO vertiginoso da violência está assustando os cidadãos brasileiros. Antes, o que era restrito apenas às grandes cidades, infelizmente, também se tornou realidade em municípios do interior e com menor número de habitantes. As taxas de criminalidade no Brasil têm níveis acima da média mundial no que se refere a crimes violentos, com níveis particularmente altos no tocante à violência armada.

A IMPUNIDADE no Brasil não é a única, mas a mais importante causa do aumento da criminalidade entre nós. Pequenos delitos não resultam em prisão e os crimes hediondos ficam impunes graças às brechas das leis que beneficiam os criminosos.

O DESAPARELHAMENTO dos órgãos de segurança, com presídios superlotados e escassez de pessoal são apenas algumas das demonstrações da falta de infraestrutura que o estado deixa de oferecer ao segmento da segurança pública. Os presídios operam com no mínimo o triplo de sua capacidade e o contingente carcerário cresce a cada dia.

A FALTA DE investimentos na educação e a lei que proíbe que o menor de 16 anos trabalhe contribuem para que, uma vez ocioso, o jovem procure algo errado, se deixe levar pelos conselhos das más companhias, sendo influenciados por pessoas que trilham o caminho da marginalidade. 

NÃO ESTARIA nosso país estimulando a violência ao invés de combater? Se tivéssemos um bem sucedido programa de combate ao crime, toda e qualquer violação da lei, desde os delitos mais leves aos mais graves seriam tratados com igual importância. E ao invés de ficar impune, teria uma pena com caráter punitivo, exemplificativo e pedagógico para inibir outras transgressões da lei e o aumento da criminalidade. Infelizmente, não é o que acontece.

TAGS: Violência