PSL pede a cassação do mandato de Glauber por atacar ministro

Deputado friburguense disse que não retira uma palavra do que disse: “Vai ser a comprovação de que Moro é um juiz ladrão”
sexta-feira, 12 de julho de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Glauber se exalta durante a sabatina de Moro na Câmara (Foto: Gabriela Bilo/ Estadão)
Glauber se exalta durante a sabatina de Moro na Câmara (Foto: Gabriela Bilo/ Estadão)

O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, entrou com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado federal friburguense Glauber Braga (Psol) por quebra de decoro parlamentar por ele ter chamado o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, de “juiz ladrão” no último dia 2. Na ocasião, Moro prestava esclarecimentos sobre mensagens atribuídas a ele e à força-tarefa da Operação Lava Jato na Comissão de Constituição e Justiça.

Segundo a denúncia do PSL, “ficou evidente que a conduta e as palavras do representado (Glauber) caracterizaram verdadeiro abuso das prerrogativas aos membros do Congresso Nacional” e que o deputado “fugiu do debate, quebrando suas regras e invadindo o domínio da pura violência moral”. Além da “ofensa a um membro do alto escalão do governo”, o PSL afirma haver “a inexistência de situação de troca mútua de agressões, a denotar má fé no emprego das palavras, na tentativa de desestabilizar o oponente político, desferindo autêntico ‘golpe-baixo'”.

Durante a audiência na Câmara, ao afirmar que Sérgio Moro é um “juiz ladrão”, Glauber Braga fazia uma analogia ao árbitro de futebol que atua para que o time que está ganhando perca a partida. O deputado se referia de forma indireta à condenação do ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá. Para Glauber, o então juiz Sérgio Moro atuou para tirar Lula da disputa eleitoral em 2018. Lula era favorito à época. Glauber disse: 

"Seu Sérgio (Moro), eu ia fazer algumas perguntas, mas como o senhor está se esquivando e não está respondendo, eu vou fazer uma analogia. Imaginemos um campo de futebol em que um juiz de futebol marca um pênalti inexistente contra um dos times, de maneira programada. Esse mesmo juiz de futebol orienta um jogador para a sua melhor posição, posição que ele tem que ficar pra que não seja marcado impedimento. Esse mesmo juiz dá um cartão vermelho para um dos jogadores do outro time - que, a essa altura do campeonato, já está evidente para todo mundo que é o time adversário do seu. Depois, na hora do intervalo, esse juiz desce ao vestiário pra orientar - junto com o técnico! - o time que está vencendo a partir dessas manobras. E, ao final desse jogo viciado, a família desse juiz comemora nas redes sociais a vitória do time que foi vencedor a partir dessas manobras. Se não fosse suficiente, alguns meses depois o juiz muda de função, não é mais árbitro de futebol, e passa a ser da diretoria do time que ele ajudou a vencer a disputa. Senhor Sérgio, eu posso ter me equivocado na palavra analogia, mas não vou me equivocar na firmeza do que tem que ser dito aqui. A história não absolverá o senhor, da história o senhor não poderá se esconder. E o senhor vai estar sim nos livros de história! Vai estar nos livros de história como um juiz que se corrompeu. Como um juiz ladrão (...) que ganhou uma recompensa pra fazer com que a democracia brasileira fosse atingida", disse o deputado. 

A declaração de Glauber Braga causou protestos de parlamentares da base aliada do governo, que interpelaram o deputado do Psol e, aos gritos, começaram a ofendê-lo. A sessão foi encerrada. Após a confusão que levou ao fim da audiência, o ministro Sérgio Moro atribuiu o encerramento a ofensas do deputado. “Acho que prestei informações, respondi, houve até alguns ataques, acho que a gente respondeu tudo. No final um deputado absolutamente despreparado, que não guarda o decoro parlamentar, fez uma agressão, umas ofensas que são inaceitáveis. E infelizmente se teve de encerrar a sessão e a culpa é desse deputado absolutamente despreparado, Clauber, acho, Glauber alguma coisa, sabe Deus lá de onde veio isso aí”, disse Moro.

Na quinta-feira, 11, Glauber Braga afirmou que considera que a representação do PSL “não vai ser recepcionada pelo Conselho de Ética (da Câmara)”. “Mas se for (recepcionada) eu vou utilizar de todas as prerrogativas para naquele espaço comprovar aquilo que já disse, inclusive utilizando as oito testemunhas a que tenho direito. Vai ser a comprovação de que Moro é um juiz ladrão. Eu não retiro uma palavra do que eu disse na Comissão de Constituição e Justiça”.

Glauber questionou uma frase a ele atribuída na audiência de 2 de julho na CCJ. “Na minha fala eu não disse ‘Moro é o mais corrupto da história’, eu não proferi essas palavras. Como não saiu da minha boca é importante deixar claro isso. Mas não retiro ter dito ‘Moro é um juiz ladrão’.”

 

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