Problema crescente

quinta-feira, 13 de outubro de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A SAÍDA DO secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciada na última terça-feira, 11, colocou mais um pesado encargo no já debilitado governo do Rio. Para analistas, “o capitão está deixando o barco que começa a naufragar” e avaliam que o Rio está entrando em um período crítico. A avaliação se coaduna com as expectativas da sociedade fluminense e, de resto, com a maioria da população brasileira. Os números não desmentem esta análise.

ESTUDO REALIZADO pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que a população brasileira vive com medo da violência ao mesmo tempo em que aponta pouca confiança nas polícias que combatem os crimes mais próximos do cotidiano do cidadão. Denominado de Sistema de Indicadores de Percepção Social, o estudo constatou que seis em cada dez brasileiros têm muito medo de assalto à mão armada, assassinato e arrombamento da residência. Mais grave: metade dos entrevistados afirmou que sente muito medo de sofrer agressão enquanto caminha pela rua.

OS NÚMEROS do Ipea confirmam os alertas contidos no Mapa da Violência 2015, produzido pelo Instituto Sangari com informações dos ministérios da Saúde e da Justiça. O estudo revela um Brasil com estatísticas de homicídios comparáveis as nações em guerra e um cenário de crimes cada vez mais espalhado pelas cidades do interior e, mais grave, mostra que entre 1980 e 2015 o volume de jovens mortos de forma violenta aumentou 278%.

NESSE PERÍODO, mais de 1,5 milhão de jovens com menos de 30 anos morreram de forma violenta, sendo que somente no ano passado foram registradas 50 mil mortes violentas, num total de 137 assassinatos por dia em todo o Brasil. Hoje o Brasil apresenta uma taxa anual de 25,8 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes, índice considerado epidêmico pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera aceitável o número de dez assassinatos anuais para cada grupo de 100 mil habitantes.

A VIOLÊNCIA no Brasil é tão absurda que os índices apurados pelo Instituto Sangari são muito superior aos registrados em países com histórico de conflitos sangrentos como Sudão, que tem 8,8 mortes violentas por cada grupo de 100 mil pessoas; a Palestina, que aparece com 8,3 mortes violentas para cada grupo de 100 mil habitantes; e o Afeganistão, onde ocorrem 9,9 mortes violentas por grupo de 100 mil pessoas.

NO RANKING da violência, o estado de Alagoas é líder absoluto com média de 66,8 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, seguido pelo Espírito Santo, com 50,1 mortes para cada grupo de 100 mil e pelo Pará, com 45,9 para cada 100 mil habitantes. O estado de Pernambuco aparece em quarto lugar com 38,8 mortes violentas por grupo de 100 mil, seguido de perto pelo Amapá com 38,7 assassinatos por grupo de 100 mil moradores.

OS MENORES números são os de Santa Catarina, com 12,9 mortes violentas por cada 100 mil habitantes; Piauí, com 13,7 por 100 mil e São Paulo com 13,9 mortes violentas por cada grupo de 100 mil habitantes. São Paulo, aliás, foi o estado que mais investiu em política de segurança pública, deixando claro que a solução está em priorizar o problema.

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