A primeira vez de um pai no Estádio Eduardo Guinle

A emoção de um torcedor que viveu ao lado do filho um dia inesquecível
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
por Fernando Moreira (fernando@avozdaserra.com.br)
Fernando com Hugo no colo (Fotos: Vinicius Pousada Eyer))
Fernando com Hugo no colo (Fotos: Vinicius Pousada Eyer))

O último sábado, 5, foi um dia inesquecível para mim. Certamente já estive mais de uma centena de vezes nas arquibancadas do Estádio Eduardo Guinle torcendo pelo Friburguense. Mas em meio a tantos jogos, dois estão guardados na memória com um sentimento bastante especial. O primeiro que fui, em 1997, quando eu tinha 10 anos, levado pelo meu pai (Hugo), e o último (até o momento), agora com 32 anos, em que levei meu filho - de dois anos - (que também se chama Hugo) pela primeira vez.

Em 1997 eu tinha dez anos de idade, já adorava futebol, mas nunca tinha ido assistir a um jogo no estádio. Lembro que nessa época era comum um carro de som rodar pela cidade anunciando os jogos do Tricolor da Serra. Meu pai nunca foi muito fã de futebol, mas um dia cedeu aos meus apelos e decidiu me levar a um jogo do Frizão. Era o primeiro jogo da final da segunda divisão do Campeonato Carioca daquele ano.

Pra falar a verdade, lembro muito pouco do jogo em si. Precisei recorrer ao Google para relembrar que a partida foi no dia 17 de agosto de 1997 contra o Ceres e terminou com vitória de 1x0 para o Friburguense, gol de falta do zagueiro Tim. Mas o que ficou mesmo guardado na minha memória foi aquela atmosfera de estádio lotado, que vibra e pulsa, empurrando o time à vitória. O grito de “Frizão ê ô” e a alegria daquelas pessoas com o time da cidade de volta à elite do futebol carioca mexeram comigo de uma forma que jamais esqueço aquele sentimento.

Só pra se fazer justiça, apesar de ser um paizão com todas as letras maiúsculas, meu pai realmente nunca ligou para futebol (não sei de quem puxei essa paixão) e talvez essa tenha sido a única vez que ele me levou a um estádio de futebol. Mas como mãe é mãe, a minha (Maria de Fátima), mesmo gostando menos ainda de futebol, passou a me levar a praticamente todos os jogos do Frizão. Depois me levava até a porta do estádio para que eu entrasse com o pai de um amigo. Até que, com o tempo, passei a ir sozinho mesmo.

Passados pouco mais de 20 anos da minha ‘estreia’, no último sábado estava eu mais uma vez no Estádio Eduardo Guinle. Era novamente o primeiro jogo da final da segunda divisão do Campeonato Carioca e a cidade vibrava com o retorno da equipe à primeira divisão estadual. 

Só que dessa vez eu estava lá na figura de pai, levando pela primeira vez meu filho a um estádio de futebol. O adversário dessa vez não era o Ceres, era o America. O Tricolor da Serra também não saiu vencedor (1 a 1 no placar, gol do japonês Toshiya para o Friburguense).

Mas isso pouco importa. Afinal de contas o nosso Frizão já está garantido de volta à elite carioca e eu realizei o sonho de levar meu filho para assistir a um jogo de futebol no estádio. Tiramos inúmeras fotos, ele entrou em campo junto com a equipe, no colo do atacante Dedé, demos entrevista para a TV e, de quebra, após o apito final, ainda tiramos uma foto com o ídolo Ziquinha, maior artilheiro da história do Friburguense.

Com apenas dois anos de idade, no futuro talvez ele não se lembre desse dia ou demore a perceber a importância de pequenos momentos como esse. Mas registros não faltarão, como este aqui no Caderno Z, de A VOZ DA SERRA, de que em 5 de outubro de 2019, o Hugo foi ao estádio pela primeira vez com o papai.

Pode apostar que esses dois dias estarão sempre guardados com muito carinho na minha memória. O dia em que fui ao estádio pela primeira vez com meu pai e a primeira vez que fiz o mesmo com meu filho.

Falta agora organizar a viagem para levá-lo a outro estádio, o caldeirão de São Januário, do Vasco da Gama. Vem aí mais um dia inesquecível em família!

 

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