Presos tio e sobrinho acusados de torturar quatro taxistas este mês

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
por Jornal A Voz da Serra

Com a prisão em flagrante na tarde da última quinta-feira, 20, de Tiago Almeida Rodrigues, 31 anos, e seu sobrinho Diego Rodrigues dos Santos, 20 anos, a polícia pôs fim à onda de assaltos seguidos de sequestros e torturas a pelo menos quatro taxistas da região ocorridos só neste mês de dezembro. Tiago e Diego foram surpreendidos em atitude suspeita, a pé, no acostamento da RJ-130 (Nova Friburgo-Teresópolis), na altura do Córrego Dantas. Armado, Tiago reagiu à abordagem dos policiais do 11ºBPM. Houve troca de tiros e ele foi baleado na coluna e está internado no Hospital Municipal Raul Sertã em estado grave. De acordo com a equipe médica, Tiago corre o risco de ficar paraplégico. Diego tinha R$ 4.417 na mochila, celulares e documentos do taxista do ponto-base da Praça Lafayette Bravo, no distrito de Conselheiro Paulino, José Carlos da Rocha, 55 anos, assaltado, sequestrado e torturado pela dupla naquela mesma tarde.
Tiago e o sobrinho caminhavam pela RJ-130 após terem sequestrado José Carlos e ateado fogo em seu táxi, o Prisma branco LQL 5615, em um terreno baldio da Granja Spinelli. A PM chegou até a dupla alertada por denúncia dando conta do incêndio do veículo. Ao chegar ao local e constatar o táxi Prisma ainda em chamas, os PMs fizeram um cerco nas imediações encontrando Tiago e Diego. O jovem confessou o crime. Ainda na mesma tarde, José Carlos denunciou o sequestro sofrido à polícia. O taxista reconheceu Diego na 151ªDP e contou aos comissários Elmo e Bruno Barbosa que Diego solicitara uma corrida da Praça Lafayette Bravo ao Jardim Califórnia por volta das 13h30. 
Segundo o relato do taxista José Carlos, no meio do caminho o jovem pediu para seguir para São Geraldo pela Estrada do Girassol, onde Tiago já estava à espera. Tiago, então, entrou no táxi e mudou a rota pela segunda vez, agora solicitando ao taxista que seguisse até o Córrego Dantas, pois ambos pretendiam encontrar um suposto patrão em uma criação de porcos. Chegando ao local, uma estrada de terra batida e bem erma, José Carlos foi rendido por Tiago e obrigado a passar para o banco traseiro, sendo levado em seguida até uma mata. Lá, agarrado por Diego, caminhou por cerca de dez minutos até uma floresta fechada, tendo sido amarrado a uma árvore com fios de eletricidade e amordaçado. 
O taxista foi torturado e Diego lhe perguntou qual parente ou amigo poderia contatar pedindo resgate. Como o taxista disse que ninguém na família tinha dinheiro, o jovem poucos minutos depois foi embora. José Carlos conseguiu se desvencilhar das amarras, voltou à estrada e pediu socorro ao motorista de uma Variant, que o levou até a Rodoviária Norte, em Duas Pedras, de onde, a pé, denunciou o ocorrido à Delegacia Legal. 

Com frieza, Diego confessa que barbarizou com taxistas e leva a polícia ao local onde uma das supostas vítimas foi carbonizada

Ao ser interrogado, Diego impressionou os próprios policiais pela tamanha frieza com que revelou detalhes das torturas praticadas com taxistas da região. O jovem confessou que, junto ao tio Tiago, com quem morava, dividia as tarefas criminosas, escolhendo as vítimas, sempre taxistas, aleatoriamente. A Diego caberia apenas incendiar os veículos após os assaltos seguidos de sequestros. O tio Tiago se encarregava das torturas.
O jovem confessou ainda sua participação em todos os demais atentados contra taxistas da região só neste mês e levou os policiais até uma casa, em ruínas desde a tragédia de 2011, no Córrego Dantas, onde a polícia encontrou parte de uma ossada humana e um pedaço de crânio, tudo carbonizado. Diego sustentou que os restos mortais são do taxista Francisco Assis da Costa, desaparecido desde o último dia 4, quando deixou a vizinha Bom Jardim para fazer uma corrida a Nova Friburgo. A polícia aguarda o laudo da necropsia para confirmar se a ossada é mesmo de Francisco. 
Diego revelou também que naquela ocasião seu tio Tiago embarcou no táxi de Francisco, o Palio prata KVW 4578, e encontrou com ele na Avenida Roberto Silveira, em Conselheiro Paulino, em frente à garagem da Faol. Ainda segundo o relato de Diego, os dois renderam o taxista, tomaram-lhe a féria de R$ 800 e Tiago levou Francisco até a casa em ruínas, onde o torturou até a morte e ateou fogo no corpo. O Palio de Francisco foi incendiado em um matagal do Morro das Contas, em Conselheiro, junto com mais dois veículos. 

Diego também confessa sequestro de taxistas de Cachoeiras e do Centro de Turismo. Este último foi baleado e ainda está internado com balas na cabeça

A série de atrocidades a taxistas cometidas pelo tio e sobrinho não parou por aí. Na 151ªDP Diego admitiu também sua participação junto com o tio Tiago nos sequestros do taxista Rodolfo da Silva Garcia, 31 anos, de Cachoeiras de Macacu, e Paulo Cezar Fernandes Rocha, do ponto-base do Centro de Turismo, na Praça Dermeval Barbosa Moreira. Rodolfo foi sequestrado no último dia 6 por dois passageiros que solicitaram o desvio da rota para o Córrego Dantas. Lá Diego contou que o taxista foi rendido e deixado amarrado junto a uma árvore.  
Já o taxista Paulo César foi alvo da dupla no último dia 15, ao volante de seu táxi, o Fiat vermelho LQL 5551, durante uma corrida do Centro de Turismo ao distrito de Mury. Ele foi rendido, baleado e deixado em uma estrada vicinal. Paulo César foi socorrido e ainda se encontra internado no hospital, segundo a polícia, com dois projéteis alojados na cabeça. Seu táxi, junto com o de Rodolfo, foi incendiado no matagal do Morro das Contas.   

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