Presidente do Legislativo garante: Câmara terá canal próprio em 2020

Em entrevista exclusiva, Alexandre Cruz fala sobre as metas da Casa para o próximo biênio
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
por Marcio Madeira (marcio@avozdaserra.com.br)
O presidente da Câmara, Alexandre Cruz (Foto: Marcio Madeira)
O presidente da Câmara, Alexandre Cruz (Foto: Marcio Madeira)

Em entrevista exclusiva, o presidente da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Alexandre Cruz, fala sobre as metas do Legislativo para o próximo biênio, descreve a experiência de ser avô e se se mostra aberto a concorrer a cargos no Executivo em 2020.

AVS: O senhor empossou seis novos concursados na semana passada e já anunciou outro concurso para breve. Após a elaboração do novo Regimento Interno e da nova Lei Orgânica, seria esse reforço nos quadros do Legislativo um dos principais objetivos da Câmara no próximo biênio?

Alexandre Cruz: Desde que assumi a presidência tenho valorizado os concursados, mas isso não significa que não estejamos cobrando comprometimento. Nessa semana mesmo eu tive uma reunião com todos os concursados da casa, funcionários de carreira, para que possamos ter um trabalho de afinco com o Legislativo. O presidente vai passar, mas enquanto exerço esta função preciso assegurar que a instituição funcione. E não vai ser diferente com os novos que estão chegando. É importante para todos nós que o quadro seja qualificado, e estamos promovendo isso. As mudanças estão sendo vistas por toda a sociedade. Fizemos um TAC junto ao Ministério Público, e eu digo de passagem que foi um momento muito importante para a casa, porque não foi nada imposto, ou que tenha vindo de cima para baixo. Ele foi discutido com os vereadores, e a promotora Simone Gomes de Souza nos atendeu em vários momentos para que pudéssemos fazer um documento que ficasse bom para todos. Para que possamos honrar a responsabilidade que essa casa tem, junto à sociedade. Até porque quem paga os nossos salários é a sociedade. Acredito que foi um acordo em que prevaleceu o bom-senso, o respeito, e, acima de tudo, o direito democrático e a organização da Câmara. Estamos nos modernizando, como tem acontecido em todas as casas de leis do Brasil.

O senhor disse que o TAC foi colaborativo. A Câmara fez sugestões à sua elaboração?

Fizemos sugestões, e foi tudo acordado dentro do documento assinado por todos os vereadores, e finalmente assinado por mim, pelo procurador, pelo Controle Interno, e pela promotora.

As sessões ordinárias recomeçaram sem transmissão da TV Câmara, que será licitada em breve. O senhor tem manifestado a intenção de criar um canal próprio, já para 2020. Em que estágio está esse processo?

A TV Câmara é um dos grandes problemas da casa e isso não é de hoje. Porque sempre que dá algum problema, ou que tem que adiar a licitação, começa um “zum, zum, zum”, um “disse me disse”. Eu quero garantir a toda a população que não há problema nenhum de parte da Câmara ou das empresas interessadas. O que nós temos que fazer é cumprir os trâmites legais, agindo acima de tudo com transparência, para que haja o funcionamento da TV Câmara. Atualmente ela representa um gasto necessário, mas estamos vendo soluções para que na próxima legislatura ela já seja feita através de um canal próprio da casa. E não há dúvidas que isso vai acontecer. Agora, é preciso entender que um contrato desse montante gera a preocupação para que tenhamos um documento bem elaborado, um edital que realmente dê condições iguais a todos que participarem, e que seja uma coisa muito clara e transparente. Aliás, convido a todos aqueles que desejarem para que participem nesta-terça-feira, 12, desta licitação, para que possam constatar a lisura desse processo.

O ano legislativo começou com a apreciação de projetos que incorporaram várias emendas ao longo do recesso, sobretudo no mês de janeiro. Houve muito trabalho durante o período de recesso?

Sim, muitos vereadores trabalharam, inclusive o 1º secretário, vereador Professor Pierre, que tem atuado como o relator geral da casa, tem me ajudado muito e foi reeleito junto aos demais membros da mesa diretora. Uma continuidade que tem facilitado muito o entendimento de nós termos uma qualidade melhor nos trabalhos da casa. Hoje temos uma casa discutindo aquilo que é importante para o cidadão. Mesmo que muitas vezes tenhamos que recuar, dar um passo à frente e dois atrás, mas isso tem sido feito com o maior respeito e a maior dedicação por parte dos vereadores, e acima de tudo, lembrando que nossos principais papéis são legislar e fiscalizar, e para isso a gente tem contado com o apoio daqueles que entendem que a mudança está sendo feita, que é preciso ser feita, e que vai continuar em tempo recorde.

Sobre a composição das comissões, já existe algum acordo de bastidores?

Eu espero que seja como nos últimos anos, um acordo de cavalheiros muito respeitoso, cada um assumindo uma comissão que possa realmente representar e onde possa trazer resultados. Não adianta o vereador pegar somente uma comissão para dizer que pegou, é importante que ele tenha o afinco, uma ligação com essa comissão, e que ela possa render frutos para o Legislativo, e para a população de modo geral. Eu acredito que até o momento da definição tudo irá funcionar. Até agora não houve nenhum problema nos bastidores. Eu acredito muito que os vereadores terão a mesma sensibilidade e usarão dos mesmos critérios que usaram nos anos anteriores.

Quais os principais objetivos da Câmara para 2019?

Estivemos em Bauru-SP e em Brasília, a fim de ter contato com experiências parecidas com a que queremos desenvolver para nossa TV Câmara. Esse processo terá continuidade em 2019, até mesmo porque vamos implantar o novo modelo já no ano que vem. Este ano faremos a última licitação, e vamos criar essa estrutura ao longo de 2019. Vamos criar uma comissão, para que possamos, nesse novo concurso público, ter realmente cargos que serão úteis na área da comunicação, na TV Câmara, na área jurídica, na área financeira – até porque alguns estão se aposentando – e aí teremos uma economia muito grande, porque o projeto inicial é que a TV Câmara seja inteiramente administrada por concursados. Inclusive diretor de TV, cinegrafista, repórteres... Enfim, todo o quadro técnico voltado para concursados. O presidente vai passar, os vereadores vão passar, mas a TV Câmara fica com pessoas do quadro, que poderão ter um entendimento do trabalho voltado para a sociedade, não como o modelo de um presidente, mas como um modelo de TV, como tem que ser feito.

Seu primeiro neto nasceu há poucos dias. De que maneira ser avô afeta sua disposição para os trabalhos?

Eu sinto que nessa fase, prestes a completar 48 anos, que a responsabilidade em minha vida tem aumentado. E eu fico feliz. Agradeço a Deus e à minha família por esse momento. Em parte ele também me preocupa, porque sei que me dedico à vida pública e a família às vezes fica para trás. Mas Deus foi muito generoso. Carlos Eduardo veio com muita saúde. Tive oportunidade de ir recentemente ao Espírito Santo para conhecê-lo, e voltei muito revigorado. É a graça que Deus nos dá, a continuidade do nosso nome, da nossa geração, da nossa família, e isso é muito bom. Eu, que acredito muito na família, na continuidade do dom da vida, fico realizado, mas também sabedor da responsabilidade. Porque o nome vai continuar, mas que precisamos agir de maneira correta, até para que esse nome não venha a envergonhar a família e essas futuras gerações que vão nos representar no futuro.

Pouco antes de ser reeleito por unanimidade como presidente da Câmara, em meio a elogios de seus pares, o senhor recusou um convite para ser o candidato a deputado estadual apoiado por Comte Bittencourt, e o candidato que foi apoiado em seu lugar acabou sendo eleito. É difícil imaginar um vereador fazer esse tipo de escolha se não estiver considerando se candidatar a um cargo no Executivo...

Eu divido esses elogios com toda a Câmara. Não sou perfeito, e posso pecar muitas vezes por erro, mas não por omissão. Claro que muita coisa ainda precisa mudar nesta casa, e vai mudar este ano. Esses anos de 2019 e 2020 serão de prioridades para essa presidência e a Mesa Diretora, e eu quero agradecer a todos os membros da mesa que têm me ajudado, porque quero deixar essa Câmara bem enxuta, bem moderna, e capaz de entender as demandas do cidadão. Mas sim, Nova Friburgo foi muito generosa comigo, me deu uma família maravilhosa, me deu vários mandatos, e eu tenho me colocado à disposição da população. Obviamente, nesse período em que muitos pré-candidatos já estão assumindo essa condição, como temos visto através da coluna do Massimo, tenho caminhado com muito pé no chão, e me colocado à disposição do povo da minha cidade. Obviamente eu quero agradecer porque fui reeleito presidente, e vou continuar trabalhando. Mas posso dizer que Nova Friburgo poderá contar comigo para o que der e vier. A princípio eu tenho me dedicado à presidência. Nós vamos realizar grandes projetos para este ano e o ano que vem, não tenho dúvidas disso. Vamos criar o portal da transparência, vamos cumprir em regra esse TAC que foi firmado e que acho que vai ser muito bom para o município, muito bom para a Câmara Municipal. Já estamos com algumas agendas de representantes de outras cidades que querem visitar Nova Friburgo atrás da experiência do que foi realizado aqui, tanto no Regimento Interno quanto na Lei Orgânica. Isso terá continuidade. Eu vou continuar fazendo as visitas com a minha equipe, levando a Lei Orgânica às entidades, e vamos continuar mantendo aberto o canal de diálogo entre a Câmara e o cidadão. O caldeirão político já começou a esquentar, e eu posso dizer que eu sou candidato a aquilo que a cidade precisar de mim.

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