Prédios históricos de Friburgo contam no máximo com extintores

Prevenção adequada deveria incluir detectores de incêndio e treinamento intensivo de funcionários, o que não existe
quarta-feira, 05 de setembro de 2018
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Originais de jornais como A VOZ DA SERRA na Fundação Dom João VI (Fotos: Alerrandre Barros)
Originais de jornais como A VOZ DA SERRA na Fundação Dom João VI (Fotos: Alerrandre Barros)

O fogo que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, acendeu o alerta para a proteção dos acervos históricos guardados em Nova Friburgo. No Arquivo Pró-Memória e na Biblioteca Pública Municipal Maria Margarida Liguori há sistemas básicos de prevenção e combate a incêndios, mas funcionários se queixam da falta de treinamentos para esse tipo de situação.

Anexo à Fundação Dom João VI, o Pró-Memória reúne manuscritos datados entre 1818 e 1900. Conserva coleções raras do antigo Collégio Euler e do processo de inquisição do lendário Mão de Luva. Há ainda arquivos de antigas administrações da prefeitura e da Câmara Municipal e exemplares de jornais, como A VOZ DA SERRA, e periódicos extintos que registraram a história da cidade. Conta ainda com manuscritos da Igreja Luterana, mapoteca, vídeos e áudios da Rádio Sociedade de Friburgo, teses, monografias e um vasto acervo fotográfico (foto).

Todo esse material fica em uma sala, cujo acesso só é permitido a funcionários do arquivo municipal. Os itens foram catalogados e dispostos em prateleiras e armários. Não há um sistema sofisticado de prevenção e combate a incêndios. O local conta com duas saídas e extintores de incêndio (foto). “Os extintores foram substituídos recentemente e nós também recebemos treinamento, uma vez por ano, para agir em situações de incêndio”, disse uma funcionária.

De acordo com o presidente da instituição, Luiz Fernando Folly, cerca de 80% do acervo do Pró-Memória já foram digitalizados e estão disponíveis para consulta na página da Fundação Dom João VI na internet.O acervo está disponibilizado na plataforma Google Drive, que permite acessar o material em computadores, celulares e tablets.

Já os mais de 30 mil livros da Biblioteca Municipal estão protegidos somente por extintores de incêndio. As obras, dispostas em prateleiras, ficam no térreo do prédio da Câmara Municipal, na Rua Farinha Filho, onde a biblioteca funciona há mais de dez anos. Lá, porém, os funcionários ainda não receberam treinamento para atuar nesse tipo de incidente.

“Nunca tivemos treinamento algum. Se alguma coisa acontecer, não sei se saberei manusear o extintor”, declarou uma funcionária.

Marta Soares, bibliotecária responsável pelo espaço, contou que os extintores foram substituídos há cerca de duas semanas. “Recebemos novos extintores. Temos em torno de dez equipamentos. A biblioteca conta com equipe de segurança que fazem ronda durante o dia e à noite. Eles podem atuar nestes casos de incêndio”, disse.

A falta de sistemas de detecção de fumaça em prédios históricos da cidade também preocupa. O casarão da Fundação Dom João VI, na Praça Getúlio Vargas (foto), é um deles. Há cerca de dois anos recebeu intervenções no telhado e na parte elétrica justamente para evitar incêndios. O prédio ainda está reformas e abriu recentemente sala do futuro museu da cidade onde foram instaladas as estátuas que simbolizam as quatro estações do ano, todas restauradas do escultor francês Mathurin Moreau. No espaço, também está o decreto de fundação da cidade assinado por Dom João VI.

Com seu estilo neocolonial, o Palácio Barão de Nova Friburgo, sede da prefeitura, na Avenida Alberto Braune, também não tem detectores de incêndio. O mesmo acontece com o casarão erguido durante o Império e que hoje abriga o Ponto de Cultura do distrito de Riograndina (foto). Procurada, a administração municipal declarou que os imóveis citados na reportagem possuem extintores de incêndio. “Os funcionários passam por treinamento periódico de evacuação em casos de incêndio”, diz a nota.

 

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TAGS: fogo | incêndio
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