Praça do Viagra volta a ser point de colecionadores do Álbum da Copa

Versão para Rússia 2018 é a maior, com 681 figurinhas; febre é entretenimento para todas as idades
segunda-feira, 26 de março de 2018
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)
Praça do Viagra volta a ser point de colecionadores do Álbum da Copa

Enquanto a Copa da Rússia não começa, os apaixonados pelo maior torneio de futebol do mundo podem ter o gostinho de vivenciar o espírito do torneio. O álbum da Copa 2018, que tem a maior versão com 681 figurinhas, foi lançado oficialmente há pouco mais de uma semana e já se tornou febre entre os aficionados pelo esporte. Inclusive em Nova Friburgo.

Engana-se quem acha que álbum é coisa de criança. A Praça do Viagra, na Avenida Alberto Braune, próxima à Rua Cristóvão Colombo, é um dos principais pontos de troca de figurinhas de Nova Friburgo. Sábados e domingos são os dias em que mais se vê gente por ali tentando trocar figurinhas na esperança de conseguir completar o álbum o mais rápido possível.

“A Praça do Viagra já é um ponto famoso para quem coleciona álbum. Sempre que tem Copa do Mundo, eu compro o álbum e venho aqui até conseguir completar”, disse  Rodrigo, de 26 anos. Uma das polêmicas do álbum é o preço do pacote de figurinhas que está sendo comercializado a R$ 2, um aumento de 100% em relação à edição passada, que custou R$ 1. Apesar do preço, os entusiastas não se intimidaram. E há quem faça do álbum da Copa um negócio, uma fuga para a crise.

“É uma alternativa de complementar a renda. A gente faz um investimento, compra as figurinhas, separamos elas na ordem, deixamos tudo direitinho para quando alguém quiser vir aqui trocar ou comprar esteja tudo certo”, explicam os “vendedores” Rafael e Ramires. “Aqui eu tenho o álbum completo. Tenho aqui dois bolos que correspondem a todas as figurinhas do álbum. Estou vendendo a R$ 430”, afirma Ramires.

De acordo com outro “vendedor”, o álbum traz algo de positivo para o convívio das pessoas. “Vejo muita gente de cabeça baixa, só no celular. Mas essas mesmas pessoas quando chegam nos pontos de troca de figurinhas, deixam o aparelho de lado e começam a interagir. Todas unidas no objetivo de completar o álbum. E aqui tem criança, adolescente, adulto e idoso. Aqui é todo mundo interagindo e conversando numa boa”, observa. “É uma forma de entretenimento. Aqui tem muito avô que vem comprar e trocar figurinha pra ajudar o netinho a completar o álbum”, disse outro vendedor.

VEJA VÍDEO GRAVADO AO VIVO NA PRAÇA DO VIAGRA NA MANHÃ DE SÁBADO

De acordo com “os profissionais do álbum da Copa” existe cotação das figurinhas, em que algumas têm um peso, e por isso, são mais valiosas do que outras. “A gente sabe que existem figurinhas muito fáceis de serem tiradas. Apesar de ser relativo é uma questão de sorte, existem figurinhas que são mais difíceis de se conseguir simplesmente comprando um pacotinho. Essas figurinhas nós temos aqui, mas colocamos um valor maior por serem mais “raras”, digamos assim”, explicou Ramires.

“É como se fosse uma bolsa de valores, de figurinhas. Eu compro três mil figurinhas. Dessas três mil, vem apenas duas de um determinado jogador. Essa figurinha é valiosa, não posso vender por apenas R$ 0,50”, explica Rafael.

E de acordo com os entendedores, as figurinhas mais difíceis são as de número 672, 680 e 683, que correspondem à Seleção Brasileira de 1958, primeiro título do Brasil, Pelé, considerado o melhor jogador de todos os tempos e Klose, jogador alemão que superou Ronaldo Fenômeno e é artilheiro das Copas, com 16 gols.

Essas figurinhas fazem parte da novidade do álbum. São as lendas da Copa do Mundo. Dez figurinhas, divididas em duas páginas que mostram todas as seleções campeãs do mundo (Brasil cinco vezes, Alemanha e Itália quatro vezes, Uruguai e Argentina duas vezes e França, Inglaterra e Espanha uma vez), além das figurinhas de Klose (artilheiro das copas) e Pelé (o melhor jogador de todos os tempos).

Em meio a tanta gente na Praça do Viagra na manhã do último sábado, 24, estava lá Paulo Roberto Ferreira, de 70 anos, que viu os cinco títulos mundiais, do Brasil. Apaixonado por Copa do Mundo, Paulo Roberto tem todos os álbuns da Copa, a partir de 1962 e não coleciona só figurinhas, não. “Eu faço álbum desde 1958. Com 14 anos, em 1962, quando a Seleção Brasileira vinha treinar em Friburgo, no Hotel Sans Souci, tomei uma bronca do Pelé. Ele estava indo para o campo de treinamento, eu me meti no meio e pedi um autógrafo e ele gritou comigo: “Sai daqui, agora não é hora de autógrafo, não”, lembra  Paulo, sem mágoas do rei.

Gol Contra

O registro da repórter Karine Knust neste domingo, 25, em passagem pelo local de venda e troca de figurinhas, registrou a sujeira em que se encontrava a Praça do Viagra depois do primeiro final de semana de movimento entre os colecionadores (foto). A praça estava cheia de restos de papéis referentes aos pacotinhos e figurinhas. Em tempos de chuvas fortes e ruas alagadas isso é um péssimo exemplo. Fica aí o alerta para que a população ajude a fiscalizar e orientar os “sujismundos” a jogarem o lixo na lixeira.

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