Pouca água, muito fogo

quarta-feira, 27 de julho de 2016
por Jornal A Voz da Serra

A ESTIAGEM tradicional nesta época do ano, se de um lado torna a estação mais atrativa, com o frio do seco inverno, de outro a transforma num período de perigo para as nossas matas. Sem água, o fogo se transforma num inimigo natural, como ocorre anualmente, trazendo preocupação e aumentando os níveis de alerta contra as queimadas.

OS FOCOS DE incêndio ainda não começaram a surgir e para não repetirmos os episódios do ano passado, a hora de ficar atento é agora, procurando as formas de minimizar tais ocorrências. Sem a conscientização da população, os riscos aumentam e uma pequena brasa de cigarro jogada fora despreocupadamente pode se transformar em tragédia de graves proporções.

OS BAIXOS níveis dos cursos d’água já revelam que os mananciais podem vir a sofrer alguma alteração, caso a estiagem seja prolongada. Tal fato, além de prejudicar a comunidade no abastecimento diário, ainda pode causar a degradação das margens e assoreamento, além da poluição dos rios e da mortandade de peixes. Para uma cidade que possui um rico manancial, que fornece água também a outros municípios, os rios friburguenses pedem mais atenção.

AS QUEIMADAS, por seu lado, oferecem um perigo físico de graves proporções. O descuido, o vandalismo e a irresponsabilidade de alguns agricultores causam danos que não podem ser corrigidos pelos bombeiros nem pela Defesa Civil, acontecendo muitas vezes em locais de difícil acesso e, consequentemente, sem condições de controle e combate às chamas. Este triste espetáculo não pode ser repetido mais uma vez este ano.

JÁ FICOU provada a impossibilidade de se combater os focos de incêndio no município, com seus mais de mil quilômetros quadrados, sua cadeia de montanhas, e que qualquer tentativa é dispendiosa e requer equipamentos de combate ao fogo nem sempre disponíveis. Cabe então à comunidade fazer a sua parte, agindo preventivamente.

A IMPORTÂNCIA do meio ambiente em Nova Friburgo é fundamental. Com um pedaço precioso de Mata Atlântica e rios que auxiliam a subsistência da população, qualquer esforço neste sentido será bem-vindo. Além disso, cabe ao governo tratar a questão com a prioridade devida sinalizando para a população com políticas públicas consistentes, inclusive com punições exemplares. Uma tarefa que não se extingue num governo e nem depende de apenas um gestor. É função de toda a sociedade. Sempre.

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