Perto da aposentadoria, Cadão investe na carreira de professor

terça-feira, 08 de julho de 2014
por Vinicius Gastin
Perto da aposentadoria, Cadão investe na carreira de professor
Perto da aposentadoria, Cadão investe na carreira de professor

Muito além do esporte...

A série conta a história de Ricardo Jerônimo, o Cadão, capitão do Friburguense há 16 anos. Prestes a disputar o último Carioca da carreira, o jogador estuda Educação Física e pretende seguir carreira no mundo do futebol.

Aos 42 anos de idade, Cadão possui vivência e experiência de sobra para ensinar. Em breve, terá também um diploma de Educação Física. Talvez o único detalhe restante para que o zagueiro do Friburguense possa compartilhar todo o aprendizado de 24 temporadas com futuros profissionais. Prestes a disputar mais uma Copa Rio pelo Tricolor da Serra, e na sequência, aquele que deve ser o último Campeonato Carioca da carreira, o capitão prepara a vida fora dos campos. Porém, talvez, ainda no mundo do futebol.

"Daqui a pouco tempo vamos ter mais um professor de educação física. A vida toda quis fazer um curso superior. Só não comecei antes porque não tive tempo, nunca fiquei um longo período seguido em Nova Friburgo. Virar treinador é uma possibilidade, mas não tenho isso como um objetivo. Quero trabalhar nas categorias de base do Friburguense e ir aprimorando meus conhecimentos.”

Do Entrerriense ao Friburguense

Nascido e criado no município de Três Rios, a 120 km do Rio de Janeiro, Cadão deu os primeiros passos na carreira na equipe mirim do Entrerriense, ainda como Ricardo Jerônimo, o verdadeiro nome. As atuações destacadas nas categorias de base do clube o levaram aos profissionais com apenas 18 anos de idade. "Sempre atuei como zagueiro, e em 1995 disputamos o Campeonato Carioca. O nosso time foi muito bem e começaram a surgir propostas de outras equipes”, lembra o jogador.

O zagueiro teve breve passagem pelo Friburguense em 1996. Quase imperceptível. O time, à época, não fez boa campanha no Campeonato Carioca da série B e permaneceu na segunda divisão estadual. Cadão jogou pelo Barreira, de Saquarema, e, em seguida, defendeu as cores do Anápolis, de Goiás. Dois anos depois, retornaria a Nova Friburgo para começar a trajetória de 16 anos. "O time era muito bom e já contava com o Siqueira [José Eduardo, gerente de futebol]. Criei um vínculo muito grande aqui e sempre quando pintava uma proposta financeiramente superior, o Siqueira me liberava”, conta.

Cadão defendeu equipes como Entrerriense, Cabofriense, Boavista e Goytacaz, todas do Rio de Janeiro, e jogou até mesmo por um clube da Alemanha, o Osnabrück, por três meses. No entanto, foi no Eduardo Guinle que marcou o nome no mundo do futebol. Desde 1998, o zagueiro só não disputou o Campeonato Carioca (não necessariamente na Primeira Divisão) em 2002, quando foi para o União São João-SP.

O cidadão friburguense

Vestir o uniforme azul, vermelho e branco do Friburguense nos vestiários é um gesto que nenhum outro jogador repetiu tantas vezes quanto Cadão na história do clube. A camisa três e a faixa de capitão são um marco na carreira do zagueiro, que coleciona momentos de alegria e tristeza pelo clube. O rebaixamento, em 2010, após 15 anos consecutivos na elite do futebol carioca e a série D de 2012 contrastam com a emoção pelo retorno à primeira divisão no ano seguinte, comparada por ele ao sentimento de disputar a semifinal da Taça Rio em 2004, contra o Vasco, no Maracanã. "Vivi muitas coisas aqui. O rebaixamento no Carioca em 2011, o acesso em 2012. Mas esse jogo contra o Crac foi diferente, era a oportunidade de firmar o clube no cenário do futebol nacional. Nós lamentamos muito por não ter conseguido essa vaga.”

Presente nos principais momentos ao longo dos 34 anos de história do Friburguense, Cadão teve o reconhecimento do clube, ao receber o título de sócio benemérito, e da cidade. Ano passado, recebeu o título de Cidadão de Nova Friburgo, aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores. "Pra mim é uma honra muito grande. Eu só tenho que agradecer a indicação aos meus companheiros e ao Friburguense pela confiança em todos esses anos. Amo a cidade e me considero um cidadão de Nova Friburgo”, declarou Cadão.

De fato, o capitão do Friburguense transforma o discurso em prática. Cadão garante ter encontrado a felicidade e o lugar onde pretende viver pelo resto da vida. "Sou muito grato ao futebol e ao Friburguense por tudo o que tenho. Hoje, mesmo se tiver uma proposta para ganhar mais, não saio do clube. Minha vida vai continuar em Nova Friburgo.”

O professor Cadão

Em dias de treinamentos no clube, Cadão é sempre um dos primeiros a chegar. O resultado da responsabilidade é facilmente atestado dentro de campo. O zagueiro é destaque nos treinos físicos, e na pré-temporada, não é raro que obtenha os melhores resultados do elenco. "A parte física é cada dia mais importante. Enquanto eu estiver bem fisicamente e conseguir acompanhar o ritmo dos mais novos, vou continuar”, garante. 

Contudo, o jogador reconhece que a carreira está perto do fim. O Campeonato Carioca de 2015 deverá ser o último, mas antes, o capitão joga a Copa Rio a partir de agosto. Acostumado a liderar pelo exemplo, poderá usar exatamente o próprio modelo de conduta com os futuros alunos. Há dois anos, Cadão cursa Educação Física em uma universidade de Nova Friburgo e tem planos de trocar os gramados pelas salas de aula. "É uma vontade que eu tenho, até porque estou há muito tempo neste meio e no Friburguense. Depois que eu parar de jogar, a ideia é continuar como preparador físico ou até treinador.”

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