Pedestres reclamam da falta de rampas de acessibilidade e buracos nas ruas

Projeto que visa a padronizar calçadas ainda será discutido com a sociedade e a Câmara
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
por Guilherme Alt (guilherme@avozdaserra.com.br)

 

 Prefeitura de Nova Friburgo apresentou na última semana novas etapas do projeto Calçada Legal. Na ocasião, o subsecretário de Convênios e coordenador do programa, André Gomes, e Luiz Gustavo Tavares, arquiteto da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), apresentaram o manual do projeto, com as informações propostas a respeito do plano de trazer mais acessibilidade para a cidade, através de regras na construção dessas novas vias.

De acordo com o projeto, a calçada legal será aquela que oferecer condições para um caminhar seguro e confortável, proporcionado pela escolha de pisos adequados, ausência de obstáculos, sem degraus, com mobiliário urbano e vegetação dispostos de forma a não atrapalhar o pedestre.

Focado em normas já existentes mas, levando em consideração as características e peculiaridades de Nova Friburgo, o manual contará também com a opção de maior acessibilidade em locais de calçadas mais estreitas. A próxima etapa a ser cumprida será a apresentação para a sociedade civil, a fim de que todos os representantes de classes da cidade tomem conhecimento do manual.

Um dos debates levantados no momento da apresentação do manual, foi sobre a expectativa do projeto Calçada Legal trazer para Nova Friburgo uma nova cultura, onde todos na cidade se conscientizem sobre a importância da acessibilidade. Nas ruas, a população anseia pelas melhorias e aprova o projeto. 

Carlota Marques, por exemplo, já sofreu uma queda ao caminhar e sente as consequências até hoje. “Está um perigo. Friburgo precisa de muita coisa, mas o principal é o calçamento. Há 12 anos eu tropecei em um desnível e fiquei com um problema sério no menisco e ligamentos. Desde então faço fisioterapia porque operar não resolveria a situação. Se as calçadas forem padronizadas, se as rampas de acessibilidade estiverem adequadas, teremos mais segurança”, comentou.

Eliete Reis mostra desconfiança quanto ao projeto. Para ela, faltam rampas de acessibilidade nas ruas de Nova Friburgo. “Posso ser sincera? Está péssimo. Há lugares que nem tem rampas para cadeirante. Eu fui atropelada uma vez e tive que andar de muletas por um tempo. Foi um sacrifício para mim, principalmente nos pontos dos ônibus. A necessidade de uma obra é grande, mas a gente fica desconfiada se de fato vai sair do papel”.

Além das dificuldades naturais impostas aos deficientes físicos e idosos, quem trabalha carregando peso também sente na pele a falta de um padrão nas calçadas. É o caso do carregador Cláudio Roberto Barboza. “Às vezes eu preciso passar pela rua porque não consigo subir na calçada. Hoje não estou carregando muito peso, mas é toda hora passando com material pesado, precisando utilizar as rampas e não tendo como fazer isso porque não tem rampa ou estão em péssimo estado”.  

 

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