Outro diretor médico deixa o Raul Sertã, 2 meses depois de assumir

Thiago Vicente Canto alegou motivos pessoais, segundo secretaria; outras mudanças devem acontecer
quinta-feira, 27 de junho de 2019
por Alerrandre Barros (alerrandre@avozdaserra.com.br)
Centro cirúrgico do Raul Sertã (Arquivo AVS)
Centro cirúrgico do Raul Sertã (Arquivo AVS)

O diretor médico do Hospital Municipal Raul Sertã, Thiago Vicente Canto, deixou o cargo nesta quarta-feira, 26, quase dois meses depois de assumir a posição no lugar do médico Arthur Mattar Gremion Soares, que pediu demissão em maio, quando divulgou uma carta em que dizia sair “por não compactuar com esta gestão”. 

Em nota, a Secretaria municipal de Saúde informou que Thiago pediu exoneração “alegando motivos pessoais”. A VOZ DA SERRA não conseguiu contato com o médico. A pasta disse ainda que está avaliando perfis técnicos para o preenchimento da vaga.

Não é o único a deixar o cargo: outros diretores do hospital devem ser substituídos nos próximos dias. As mudanças na principal emergência da região ocorrem em meio a uma crise na Secretaria de Saúde, que é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara, investigações do Ministério Público Federal (MPF) e ações ajuizadas pelo Ministério Público do estado (MPRJ). 

Áudio polêmico

Thiago Canto assumiu o posto em maio, logo após a saída do médico Arthur Soares, que deixou a posição acusando a gestão da pasta de “dar mais valor a decisões judiciais do que a vida”. Cerca de um mês depois, vazou um áudio de WhatsApp que culminou no afastamento da então secretária de Saúde, Tânia Trilha. Na conversa, Tânia disse: "Arthur, meu querido, olha só! Eu preciso só que resolva, que opere o paciente ou que ele morra, entendeu, pra gente se ver livre do problema, mas é só o que  eu preciso porque eu tenho que cumprir uma decisão judicial, você me ajuda nisso, por favor? Obrigada, meu querido".

O teor do áudio causou polêmica e repercutiu nacionalmente. Sem o apoio do governo e pressionada, Tânia deixou o cargo. Em comunicado, ela disse que foi mal interpretada. Contou que o caso se tratava de um paciente em estado grave, que necessitava de transferência com urgência para outro hospital já que não havia vaga no CTI do Raul Sertã. “Após horas e horas de discussão a respeito da situação do paciente, aguardando posicionamento do diretor médico, eu disse com ênfase as frases veiculadas no áudio de forma isolada, buscando não a morte do paciente, mas a resolutividade da circunstância”, afirmou ela, acrescentando que iria processar quem vazou a conversa.

A saída de Tânia Trilha foi a quinta mudança no comando da secretária de Saúde desde o início do governo Renato Bravo em janeiro 2017. O cargo agora é ocupado por Emanuelle Marques, que era secretária de Assistência Social. 

CPI em curso

Alvo de uma CPI que apura irregularidades em contratações emergenciais da ordem de R$ 6 milhões para fornecimento de alimentação a funcionários e pacientes do Raul Sertã, a Secretaria municipal de Saúde e seus antigos gestores também são investigados pelo MPF e a Polícia Federal por contratos suspeitos. 

O MP estadual também apura a demora na conclusão de obras no hospital, a manutenção de equipamentos, aquisição de insumos e medicamentos e as licenças sanitárias. Na última quarta-feira, 26, a Justiça atendeu a um pedido do órgão e determinou que a prefeitura apresente em 90 cronograma de adequação às condições mínimas de funcionamento da unidade. 

Também esta semana a Justiça interditou a cozinha, a despensa e a lavanderia do Hospital Maternidade Dr. Mario Dutra de Castro, até que sejam realizadas obras de conservação nos locais. A falta de higiene, organização e estruturação dos locais viola normas de segurança indicando risco à saúde e à vida dos bebês recém-nascidos e das gestantes.

 

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