O que que a feira livre tem?

Tem comida fresquinha? Tem. Tem fruta madurinha? Tem. Tem artesanato friburguense? Tem, também!
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
por Ana Blue
O que que a feira livre tem?

Um universo de cores, aromas e sabores, orquestrado e instituído por uma gente que rala pra caramba, acorda muito cedo e vive uma relação harmoniosa com a Mãe Terra — e com tudo que ela nos dá. Em geral, esse é o cenário encontrado por quem frequenta as feiras livres, onde vende-se de tudo, claro, mas, principalmente, onde os arautos da boa vizinhança — os feirantes, que comemoraram o seu dia na última quinta, 25 — oferecem um tipo de produto que não se vende em qualquer lugar: a socialização.

Por motivos que vão desde a vida atribulada e o consequente tempo livre escasso, passando pela facilidade e mega oferta do fast food e o alto preço do mercado tradicional, as feiras livres, no século 21, se tornaram a opção mais acessível para quem deseja se manter numa rotina de alimentação saudável e, melhor, a baixo custo. Mesmo sendo um fenômeno socioeconômico de priscas eras, já praticado na Antiguidade por gregos e romanos, com o objetivo de promover trocas de mercadorias entre as pessoas de diferentes lugares e com diferentes itens, o livre comércio resiste, ainda hoje, pleno de memórias afetivas movidas a pastel de carne e caldo de cana — quem nunca? E não só resiste, como também se adapta a novas realidades — e se reinventa, se preciso for. Atualmente, por meio da facilidade de se comprar pela internet, por exemplo, a feira chega até mesmo à casa da gente.

Ainda que a busca por uma alimentação natural e diversificada seja hoje um dos principais preceitos defendidos pelo sistema comercial característico das feiras livres, sua importância social vai bem mais além. Com a queda do sistema feudal e o advento do capitalismo, esse modo de comércio ganhou força e importância econômica, e de quebra promoveu uma verdadeira interação entre as pessoas. Inicialmente as feiras foram impulsionadas pelas Cruzadas, uma vez que naquela época as atividades comerciais deveriam atender as necessidades dos viajantes, e com o tempo, essas necessidades foram aumentando e se diversificando, bem como a população foi crescendo em número. As feiras, então, passaram a ter verdadeira relevância social, além de econômica, por promover a comunicação e a interação entre as comunidades.

Comércio, sociedade e escambo: as feiras livres no Brasil

As feiras chegaram por aqui ainda no período do Brasil colonial, trazidas por imigrantes europeus, tendo papel fundamental no desenvolvimento das cidades. Não apenas como um meio de aquisição de produtos alimentícios e artesanais, mas essencialmente enquanto local de encontro, de confraternização, por conta de sua capacidade de proporcionar, ao mesmo tempo, a interação social e o intercâmbio cultural entre indivíduos de uma mesma comunidade ou mesmo de comunidades vizinhas — desde então e até hoje. Não há provas físicas ou documentais acerca da criação da primeira feira no Brasil, mas há registros de regimentos escritos por D.João III, em 1548, e D. Afonso, em 1677, ordenando a criação de feiras semanais na colônia para trocas entre os portugueses e os nativos. Elas acabaram não sendo realizadas, uma vez que ambos os povos já estavam acostumados a reunir seus artigos na praia para negociação, mas a partir do século 17, as feiras de gado trazido da zona rural se intensificaram, assim como as feiras de mercado — como eram conhecidas as feiras livres nessa época. Foi no final do século 19 que as feiras livres passaram a ser instaladas nas ruas, oferecendo itens básicos de alimentação aos habitantes de suas comunidades.

Entre as maiores e mais tradicionais feiras do país, merecem destaque a feira chamada Ver-o-Peso, maior feira livre do Brasil e da América Latina, que ocorre desde o século 17 na cidade de Belém, no Pará, e a Feira de Caruaru, em Pernambuco, uma das maiores feiras ao ar livre do Brasil, cuja história se inicia no final do século 18 — a música que ilustra a capa deste caderno foi composta em homenagem a ela. Ambas são consideradas de grande importância histórica para o país e, por isso, foram indicadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial do Brasil.

As feiras de Nova Friburgo

Nossa cidade — como não poderia deixar de ser, tendo em vista o seu imenso potencial produtivo agrícola — tem notória tradição nas feiras de rua. Cabe lembrar que cada município tem sua legislação própria quanto à organização, periodicidade e mobilidade delas, e em Nova Friburgo, as feiras livres foram regulamentadas com a sanção da lei municipal n.º 3.784, com vistas à melhoria da qualidade e higienização dos produtos, além de criar uma parceria entre feirantes, consumidores e o Poder Executivo, passando pela setorização dos produtos, bem como a padronização dos uniformes e barracas — em reunião recente, Poder Executivo e feirantes acertaram detalhes para que o município possa, enfim, cumprir a determinação plenamente, em breve.

Confira aqui as principais feiras livres que ocorrem na cidade, com seus respectivos endereços e horários:

Coopfeira – Mercado do Produtor – (Vila Amélia)

Funcionando há 40 anos na Rua Adelino Valente, a feira é aberta para o público às quartas e sábados. Além da feira, o espaço funciona como uma central de produtores: são verduras, legumes, frutas, frutos do mar e outros produtos que abastecem estabelecimentos comerciais e residências por todo o estado. O grande mercadão funciona ainda como um verdadeiro ponto de efervecência cultural, onde pessoas de todas as idades, profissões e estilos se encontram.

Feira de Olaria (Rua Manoel Lourenço Sobrinho) 

Acontece às quintas e domingos, durante toda a manhã. Oferece principalmente hortaliças, frutas e legumes orgânicos.

Feira do Bairro Ypu (Avenida Campesina Friburguense)

Aos sábados, durante toda a manhã. Assim como a feira de Olaria, oferece principalmente produtos hortifrutigranjeiros. 

Feira de Lumiar – Ação Rural (Rua Guilherme Henrique Spitz)

A feira de Lumiar, que acontece aos domingos, das 9h às 14h, é uma iniciativa da Associação Comercial, Industrial e Agrícola (Acianf) e busca valorizar os produtores locais de alimentos orgânicos.

Feira de Artesanato de Lumiar (Praça Levy Aires Brust)

Trabalhos manuais diversos, artesanatos, pulseiras, brincos, cordões, bolsas, acessórios, artigos de decoração, mandalas, chaveiros... tudo isso e muito mais pode ser encontrado — principalmente pelos turistas, que costumam lotar a localidade aos fins de semana e feriados — na Feira de Artesanato de Lumiar, que é realizada aos sábados, na parte da tarde, e aos domingos, de manhã, também por artistas e artesãos locais. 

Feira de Amparo (Praça Manoel Antônio Monteiro)

A Feira de Produtores do Distrito de Amparo funciona na principal praça do bairro aos sábados e domingos, das 9h às 12h. Os produtos lá vendidos têm forte apelo familiar: são pães, tortas, bolos e muitas outras receitas que são tradição de família, passadas de geração para geração. Agricultores e artesãos moradores do bairro também encontram lá um espaço para vender e divulgar seus produtos, nesta que é uma das localidades mais bucólicas e tradicionais de Nova Friburgo.

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