O limite entre aula de música e condução terapêutica

Para a musicoterapeuta Edna Santos, criança e música são uma combinação perfeita
sábado, 14 de setembro de 2019
por Jornal A Voz da Serra
O limite entre aula de música e condução terapêutica

Definição Brasileira de Musicoterapia / União Brasileira das Associações de Musicoterapia - O musicoterapeuta é o profissional de nível superior ou especialização, com formação reconhecida pelo MEC e com registro em seu órgão de representação de categoria. Ele/a é habilitado/a a exercer a profissão no Brasil e pode atuar em áreas como: saúde, educação, social / comunitária, organizacional, entre outras”. Informações disponíveis em: http://ubammusicoterapia.com.br/definicao-brasileira-de-musicoterapia/.

A musicoterapeuta Edna Santos, após curso técnico em piano e graduação em Ciências Sociais,  descobriu a Musicoterapia, no Conservatório Brasileiro de Música/RJ, onde se formou após quatro anos de estudos, em 1998, e cumpriu estágios nas áreas de Educação Musical, Deficiência Mental, Psiquiatria e Reabilitação Motora. 

Em seguida, fez pós-graduação em Psicomotricidade no (Centro Universitário) IBMR, e ainda especialização em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), no grupo educacional Faveni. Após tantos anos de estudo e dedicação, Edna Santos é dona de um currículo respeitável.    

Hoje, divide seu tempo entre o consultório particular, e a Apae de Nova Friburgo, onde atende ao público da Clínica, da Escola Rafael Melo Pacheco e do Centro Dia Especializado. “Na Apae atendemos um público diversificado e variado em patologias e diagnósticos, como o TEA, down, microcefalia e síndromes raras, através de uma equipe multidisciplinar”, explicou. 

Em seu consultório utiliza a musicoterapia de forma que os pacientes trabalhem de maneira ativa. “Acredito na produção em conjunto, no criar e recriar, na releitura, no fazer de novo e de novo. Aprecio e exploro a experimentação. Canto e toco com meus clientes. Buscamos novas formas sonoras, com brinquedos que utilizamos para atingir nossos objetivos, com histórias infantis clássicas ou inventadas para determinadas situações ou leitura de livros para trabalharmos desculpas, sentimentos, emoções”, revelou. 

Para a terapeuta, a criança e a música são uma combinação perfeita: “o público que mais amo trabalhar é o infantil e/ou infanto-juvenil. A naturalidade da criança . Acredito num trabalho com amor e prazer, que é como pratico a minha profissão”, enfatizou. 

A música de roda e sua importância

“Vamos falar um pouco da música de roda ou cantigas de roda. Não porque trabalhemos apenas com elas, mas por ser um dos recursos para trabalhar com crianças e que vem sendo explorado pela mídia de diversas formas.

Vivendo em um mundo tecnológico, onde a rapidez de informação e o processamento dessas informações vem sendo cada vez mais valorizado e incentivado, parece estranho falarmos de cantigas de roda, da importância da música lúdica e do brincar. 

Para brincar precisamos de espontaneidade, precisamos de espaço (quintais, praças, playground, ruas), espaços esses, cada vez mais raros.

O que devemos ressaltar é que as cantigas sobrevivem ao computador e aos jogos de celular e elas continuarão a serem instrumentos para a criança experimentar seu corpo, sua linguagem e trabalhar a relação pessoal e interpessoal e o convívio social.

Do ponto de vista pedagógico, estes jogos infantis são considerados completos: brincando de roda a criança exercita naturalmente o seu corpo, desenvolve o raciocínio e a memória, estimula o gosto pelo canto. Poesia, música e dança unem-se em uma síntese de elementos imprescindíveis à educação global.

Vale lembrar que a atividade lúdica constitui o aspecto mais autêntico do comportamento da criança. Ao brincar, a criança está correspondendo às suas necessidades vitais, dando vazão a impulsos que lhe permitem desenvolver-se como ser pleno e afirmar a sua existência singular.

É um movimento que faz parte dos seus esforços de compreender o mundo, e que a torna capaz de lidar com problemas até complexos e que muitas vezes tem dificuldade de compreender”. (Fonte: União Brasileira de Associações de Musicoterapia, Ubam, órgão que regula a Musicoterapia). 

 

 

 

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A musicoterapeuta Edna Santos
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